The Meters - The Meters Jam


As dez músicas neste CD vão do ótimo ao mediano, principalmente porque os Meters insistiram em cantar e simplesmente não eram grandes vocalistas. Suas conduções e harmonias em "Come Together" e "Bo Diddley", entre outras, foram exuberantes, mas não adicionam nada perante os originais. Por outro lado, não houveram muitos grupos em qualquer estilo que apresentassem tamanha química e alma juntos. Seus inspirados ritmos funk quase apagam os fracos vocais (fracos em comparação ao nível da banda, ainda superiores a qualquer tranqueira que escutamos hoje em dia).
Overlooked gem.

Galactic - Ruckus


No seu quarto disco de estúdio propriamente, ("Vintage Reserve" foi uma coletânea e "We Love ´Em Tonight" foi um ao vivo) Galactic move-se sem reservas para não muito longe de seu passado como uma banda da pesada de jazz & roll representando New Orleans, assim como move-se em direção a uma nova tradição deles, o Voodoo funk. Tem um algo a mais entretanto. Não meramente contentes em flertar com as estéticas de Mardi Gras Indians ou Dr. John, Galactic aponta firmemente em direção do presente tecnológico com sua música primordial de máquina de grooves. O baterista Stanton Moore usa tantos loops quanto os faz organicamente, baixo, baixo, e mais baixo é a ordem do dia, e estranhos sons de teclado aparecem borbulhando como se em uma sessão perdida de Lee Perry virasse digital. Isso faz deste um disco de techno ou electronica? Poupe-me. "Ruckus" é uma viagem sinistra para o outro lado da meia noite. A festa ou incendeia ou mela toda, isso acontece naquele distinto limiar, aquele ponto no tempo onde tudo é possível. E possibilidade é sobre o que se trata "Ruckus": orgãos fervilhantes encontram cordas acústicas e elétricas paralelamente sob uma série de ritmos sincopados de Moore em "Bongo Joe". Linhas pontudas de sintetizadores feitas por Richard Vogel encontram guitarras irregulares e pesadas tocadas por Jeffrey Raines em "The Moil". Monstruosos loops de ton ton colidem com linhas de baixo e riffs de teclados anes de Raines aparecer no rodapé acústico para aliviar o funk não convencional em "Kid Kenner". Isso é música como uma desconstrução da paleta acústica, com a desconstrução, morte e renascimento de uma banda. Como Medeski, Martin e Wood antes deles, o Galactic ficou bem melhor para seu novo e destemido direcionamento. "Ruckus" não é um album muito menos roots do que foi "Coolin´ Off". Talvez até seja mais porque para usar toda essa parfernália e criar esse tanto de grooves matadores que a banda apresenta aqui, só há um lugar onde se possa ir encontrar a fonte: no próprio ritmo (se você precisa de mais evidências escute "The Beast" e deixe ele mexer com sua cabeça e corpo). Altamente recomendado.
So funky!

Corrosion of Conformity - Corrosion of Conformity


Seria meio impossível precisar o papel crucial que o Corrosion of Conformity teve na evolução do heavy metal. A mistura do CoC de hardcore rebuscado, doom metal e Southern rock teve um papel central em definir a cena crossover dos anos 80, para sempre alterando os parâmetros do metal. Desde o começo da banda em Raleigh, North Carolina, em 1982, tornaram-se firmes favoritos entre os fãs e críticos do meio. Incorporando uma série de elementos pesados, um pouco de punk aqui, um pouco de thrash sujão ali, e riffs inspirados em Black Sabbath por todo lugar, o CoC passou sua carreira estrondando em frente com tons graves intimidantes e uma pegada indomável.
Após o último lançamento do CoC, o aclamado "In the Arms of God" de 2005, a banda entrou em hiato. Pepper Keenan, o vocalista principal da banda durante seu pico de popularidade comercial, foi dedicar seu tempo para a movida a maconha Down. Em 2010 foi anunciado que o mesmo venerado trio que gravou o album seminal do CoC "Animosity" estava se reunindo. O vocalista e baixista Mike Dean, o vocalista e guitarrista Woody Weatherman e o baterista Reed Mullin começaram a fazer shows com o propósito de gravar um novo album. Após uma aclamada turnê, o auto intitulado e mais novo album do CoC acaba com um longo período de seca de albuns. Com uma formação refletindo um período clássico da história do grupo, a expectativa foi às alturas.
Por atrelar a ira e paixão de seus primeiros anos, e combinando isso com os mais celebrados aspectos de seu trabalho das últimas duas décadas, o grupo produziu um album que genuinamente preenche uma brecha entre dois períodos distintos de sua carreira. O CoC pode ter mudado alguns membros, mas não perderam a potência. "Corrosion of Conformity" é um album com toda a força e integridade dos melhores trabalhos da banda.
Pepper is gone but Reed is back, now Conform yourself.


ANMOD - Entrevista


Entrevista com a banda Anmod de Curitiba. Contatei o baixista e vocalista da banda, Hernan Oliveira (gente boníssima), para uma entrevista rápida por email. Segue a bio que encontra-se na página oficial da banda e em seguida a entrevista.

Biografia:
A banda ANMOD iniciou suas atividades em 2005, das cinzas do Fornication, banda de death metal de Curitiba PR Brasil. O Fornication iniciou suas atividades em 1996, lançou 2 álbums: "Descendants of Degenerated Race" pela brasileira Black Hole Productions em 2003, e "Unleashed Wrath" pela colombiana Brutalized Records em 2004. A banda também gravou o clássico "Regurgitated Guts" do Death, que foi incluído na coletânea "Together As One - A tribute To Death", lançado pela Mondongo Canibale Productions da Espanha, em 2003.

Em 2004 o Fornication decide viajar para a Europa e dá início à "Unleashing Wrath Over Europe Tour 2004", uma turnê de 3 meses que passou por 9 países (Alemanha, França, Holanda, Austria, Italia, Belgica, Eslovenia, Hungria e Rep. Tcheca).
Depois da turnê, Gerson Watanabe (guitarra), Hernan Oliveira (baixo/vocal) e Johnny R.R. (bateria) decidem sair do Fornication e começam a compor novas músicas, agora como trio. Este foi o iníco da banda ANMOD, em 2005.
Como não ouvimos notícias do Fornication desde 2005, nossa conclusão é que a banda esteja parada desde então.
O estilo do ANMOD é um pouco diferente do Fornication. Foram adicionados mais elementos grindcore para as composições, assim como a veia death metal continua forte como sempre. Death metal e grindcore sõa estilos mandatórios neste momento nas novas composições da banda, tornado a sonoridade da banda extremamente brutal e caótica.

Entrevista:

Vfo - Pelo que vi no myspace de vocês a banda está inativa no momento. Por quê?


R: O Anmod no momento esta inativo devido a ausência de um dos membros (Johnny - Baterista) ele esta morando fora do Brasil, quando ele retornar reiniciaremos nossas atividades, a banda não acabou não mudará sua formação e deverá continuar suas atividades futuramente.

Vfo - Que bandas de Curitiba você curte e faz questão de citar aqui?

R: Cara gosto de muitas bandas daqui é difícil citar nomes seria injusto, gosto muito do Necrotério(Eternos Brothers), Scorner, Eternal Sorrow, Archityrants, Necrópsya, etc...estamos bem servidos de bandas, esta faltando público mesmo.

Vfo - Sobre esse papo de cena local. Como está Curitiba atualmente na sua opinião com relação a som extremo ou pesado?

R: A cena local de metal extremo anda muito amadora, infelizmente estamos enfrentando uma grave crise devido a diversos fatores ;
1.- Falta de comprometimento e honestidade entre bandas, organizadores, casas de shows, produtores e demais envolvidos.
2.- Inatividade de algumas bandas importantes para a cena (referência para novas bandas).
3.- Falta de renovação (com qualidade) referente a novas bandas.
4.- Ausência de shows e o aumento do custo para realização dos eventos.
5.- Despreparo geral e falta de organização dos produtores, casas de shows, e técnicos de som envolvidos.
6.- Falta de acompanhamento das novas tecnologias de som (tanto bandas como organizadores). Os tempos mudaram, o público é mais exigente e a falta de conhecimento é geral, as bandas devem se preocupar mais com o som que vai ao público, som extremo é complexo, e depende muito da aparelhagem e da organização dos produtores.
Sem esse inicio fica difícil exigir fidelidade do público, o produto oferecido é ruim e extremamente deficitário.

Vfo - Perguntinha estilo Marilia Gabriela para darmos umas risadas, lá vai... utilizando de uma até três palavras, como você definiria cada uma das seguintes bandas: 1 - Anmod, 2 - Napalm Death, 3 - Possessed, 4 - Obituary, 5- Sepultura, 6 - Sarcófago e 7 - Abba.

1.Anmod : Força Bruta Velocidade/ 2. Napalm Death : Genialidade / 3. Possessed : Criatividade 4.Obituary : Originalidade 5. Sepultura : Vontade Raça 6. Sarcofago: Morbidez 7. Abba : Desconheço

Vfo - Quando descobri a banda pela net sem querer, coloquei para tocar "Serpent-Legged" logo de cara e fiquei pasmo com a qualidade tanto da composição quanto da gravação. Como foi esse processo todo? Ensaios, gravação etc.

R: Todo o processo foi extremamente complexo, nesta época a cena estava bem em baixa, estavamos um pouco desanimados com tudo que estava acontecendo na cena local, tivemos que reencontrar buscar um novo método para composição, nesta época tinhamos saido do Fornication, e queriamos criar algo diferente do executado no ultimo disco do Fornication. Era uma nova banda, que teria mais liberdade nas composições, queriamos investir em outras sonoridades, ficamos muito contentes com o resultado final.

Vfo - Saindo um pouco do Anmod, pelo que vi você está tocando com o Tonho no Imperious Malevolence agora? Baita responsa nas mãos ocupar esse lugar não? E que novas influências você levou para o Imperious? Com sua bagagem que chegou de fora...

R: Realmente esta sendo uma experiência muito boa, quando aceitei o convite do Antônio já sabia da grande responsábilidade que teria, e confesso que fiquei bem surpreso com a saida do Rafahell, considero a presença dele importantissima no contexto do Imperious Malevolence, mais infelizmente aconteceu dele sair, uma terrivel baixa no line up da banda. A esperiência esta sendo boa, rolou o entrosamento e a pegada, eu tinha algumas dúvidas se isso realmente iria funcionar, mais acredito que as coisas estão encaminhando bem, não tenho intenção de substituir ninguém, vou apenas continuar fazerndo oque sempre fiz a 15 anos. Inicialmente estamos iniciando o processo de novas composições, esta rolando uma parceria legal e acredito muito no resultado final.

Vfo - Para finalizar não deixarei o espaço de praxe para considerações finais. Sim eu sou um tanto fora do convencional. (heheehehhe) Eu é que farei as considerações finais. Gostaria assim de agradecer a boa vontade e humildade em nos atender, e dizer que no que precisar este espaço está aberto para a(s) banda(s) e para você sempre. Grande abraço.

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Quem quiser conhecer mais acesse o myspace ou a página oficial dos caras.

Page oficial  http://anmod.50webs.com/


O crucial segundo album do Motörhead, "Overkill", marcou um grande salto adiante para a banda, e continua um de seus melhores, sem dúvida. Na verdade, alguns fãs consideram este o melhor da banda, mais ainda que "Ace of Spades". É um album feroz, com certeza, mostrando perfeitamente o estilo característico do Motörhead de um proto-thrash sem freios. Uma espécie de estilo heavy metal com punk bem cru e ainda assim direto na cara. "Motörhead", o auto intitulado album de estréia da banda de 1977, foi gravado nas coxas, seu som super cru e simples não era tão impressionante, pelo menos com relação ao que veio em seguida. "Overkill" é o que veio em seguida, gravado em dezembro de 1978 e janeiro de 1979, e lançado não muito depois. O som da banda está bem consolidado aqui, e explode na cara já na faixa título ao longo de seus cinco minutos. Um punhado de habituais tratando-se de Motörhead vem em seguida, entre elas "Stay Clean" e "No Class". Produzido por Jimmy Miller, que comandou vários albuns clássicos dos Rolling Stones ("Beggars Banquet", "Let It Bleed", "Sticky Fingers", "Exile on Main St." e "Goats Head Soup"), "Overkill" soa maravilhoso, especialmente nas versões remasterizadas, como esta. A formação clássica da banda (Lemmy - baixo e vocais, "Fast" Eddie Clark - guitarra e "Philthy Animal" Taylor - bateria) está bem firme aqui, e parecem dar tudo de si tudo em cada música. Isso tudo, mais o sólido repertório e a produção de Miller, fazem de "Overkill" um album perfeito do Motörhead. Vários grandes viriam, com certeza, mas "Overkill" foi o primeiro dos grandes, e talvez seja o maior de todos.
Motorhead´s first classic.


Zeke - Kicked in the Teeth


"Kicked in the Teeth", como todos os albuns que o precederam, baseia-se primariamente em riffs de guitarra punk e rock and roll rebuscado com bateria de hardcore, o CD inteiro moendo sem descanso. Pisque os olhos e já acabou. Como o primeiro album da banda pela Epitaph, um selo com um bolso consideravelmente grande, chega a ser surpreendente que "Kicked in the Teeth" não seja da mesma qualidade sonora de ambos "Super Sound Racing" ou "Flat Tracker", albuns feitos presumivelmente com um orçamento apertado. Musicalmente, é quase um equivalente ao "Flat Tracker", talvez não tão forte, mas o Zeke faz essencialmente uma coisa, e uma coisa bem, incrivelmente rápido, punk e rock and roll fora de controle, executado com um bom trabalho de guitarra principal. Há também, entretanto, alguns sons mais lentos. Afinal, Zeke não é uma típica banda americana de punk ou hardcore metidinha, apenas fazem seus trabalhos. Por exemplo, o cover bombado do Kiss "Shout It Out Loud" é tocado com convicção. Por isso é uma pena que o Zeke queira tocar apenas rápido e mais nada.
No melody just punk.

High on Fire - Blessed Black Wings


Para alguns fãs, a notícia de que Steve Albini tinha sido indicado para produzir o terceiro album do High on Fire foi motivo de grandes preocupações por vários motivos. A maior delas, o renomado produtor de rock alternativo tem uma notoriedade em deixar os sons das guitarras ultra comprimidos. O que parecia ser um grande contra com a arma mais letal do trio da California: a riffagem estrondosa do guitarrista e homem de frente Matt Pike. Felizmente, tais temores provaram-se injustificados quando o resultado final, "Blessed Black Wings" de 2005, apareceu esbofeteando com um heavy metal galopante com cada nível de volume e distorção do famoso album anterior, "Surrounded by Thieves". Até então tudo bem mas a pergunta que não queria calar tornou-se então: "Os dois albuns são muito parecidos?" Esteticamente, a resposta mais acertada seria sim, sendo que a seção rítmica do High on Fire (agora com a participação do novo baixista Joe Preston, juntando-se ao baterista de longa data Des Kensel) continua moendo seus ritmos, e a supremacia nas seis cordas de Pike continua imperando, seus solos continuam prostrando-se perante o massacre neolítico de power chords com suas paletadas. Faixas como "Devilution", "Cometh Down Hessian" e "Silver Back" são cospe fogo, porradarias semi-thrash. O metal velha guarda retumbando na faixa título e a última instrumental "Sons of Thunder" são claramente reverenciais ao amado de Pike, Celtic Frost. O impressionante colosso de power chords "Brother in the Wind", de arrancar pele da ponta dos dedos, facilmente qualifica-se como ponto alto da carreira da banda tão quanto qualquer coisa de seu predecessor "Surrounded by Thieves". De fato, "Blessed Black Wings" poderia ter usado mais apelo épico de seu predecessor, porém tem algumas nuances diferentes do usual da banda como as passagens mais limpas e semi grunges em "The Face of Oblivion" e na já tocada ao vivo na época "To Cross the Bridge", alguns elementos punks obscuros nos riffs apertados de "Anointing of Seer", tudo isso prova uma sutil inovação. Em outras palavras, o grosso de "Blessed Black Wings" segue a mesma fórmula que provou-se bem sucedida para o High on Fire anteriormente. Talvez até um problema para o futuro, mas dificilmente uma coisa ruim sendo que o ponto de origem foi algo que deu muito certo. E a verdade é que, poucas bandas seriam capazes de atingir um heavy metal tão visceral e ainda assim moderno, mesmo em seus momentos mais insiprados.
Accessible straight to the point metal.

Mastodon - Blood Mountain


O metal em excesso voltou: como prova principal veio "Blood Mountain" após a grande façanha de 2004, "Leviathan", que pegou "Moby Dick" de Herman Melville e repaginou-o em uma canção de marinheiros infernal dos mares profundos. A banda de Atlanta consiste de quatro caras que parecem mecânicos tatuados, mas soam como se usassem capas e cuspissem fogo. "Blood Mountain" transforma embromações de auto-ajuda sobre superar grandes obstáculos em uma jornada fascinante de ficção através de uma terra infestada de bestas ou feras, incluindo um ciclope ("Circle Cysquatch"), guerreiros do povo árvore ("Colony of Birchmen") e algum tipo de gigante adormecido. Por baixo de todo esse sangue e trovão medievais existem na verdade tonalidades transbordantes com riffs à la montanha russa ("Bladecatcher" merece uma indicação para o Air Guitar Hall of Fame), sensações de estar perdido em catacumbas ("Sleeping Giant") e traçantes ofuscantes de brilho estelar acústico ("Pendulous Skin"). Melodia interessa tanto quanto porradaria, e as traiçoeiras mudanças de tempo são conduzidas brilhantemente pelo baterista Brann Dailor, que transforma "Capillarian Crest" em uma estonteante perseguição através de uma nevasca. Sim, algumas vezes mais é melhor.
Brutal yet beautiful.

Dying Fetus - War of Attrition


O lançamento de 2007 do Dying Fetus, "War of Attrition" continuou no mesmo caminho de metal extremo que eles seguiram através da carreira toda. Em outras palavras, letras indecifráveis (mas fica fácil deduzir que são malvadonas), bateria precisa no metrônomo e riffs técnicos agressivos sem parar. O album veio com uma formação completamente reformulada, exceto pelo vocalista principal e guitarra John Gallagher. A banda continuou uma máquina afiada de metal. Tanto que em certos pontos, parece que são máquinas mesmo tocando para eles, especialmente em faixas como "Fate of the Condemned" e "Insidious Repression". Este sexto lançamento da banda é basicamente um death metal tocado com precisão extrema, ponto final.
Intense death metal.


Com suas composições intrincadas de dar nó na cabeça e aquela ferocidade urbana, o primeiro album do Suffocation, "Effigy of the Forgotten", deu um verdadeiro modelo para o death metal dos anos 90. Então a expectativa para o album seguinte estava bem elevada. O pior aconteceu com este album de 1993, que foi duramente criticados pelos fãs e mídia por vários motivos, desde sua curta duração até a repetição da mesma fórmula de seu predecessor (um pouco injusto pois o som continuou mais complexo aqui), e talvez a crítica mais justa seria a mixagem final bem porca que carece das linhas de grave do "Effigy". Sem dúvida as navalhadas acústicas de "Beginning of Sorrow", "Anomalistic Offerings" e a faixa título perderam todo seu fio, enquanto faixas secundárias como "Marital Decimation" e "Ornaments of Decrepancy" caíram em um embolado marasmo death metal. A performance da banda certamente não perdeu a intensidade, com os guitarristas Doug Cerrito e Terrance Hobbs e suas guitarras hiperativas e técnicas (mesmo que algo tenha se perdido na cocofonia geral), o baterista Mike Smith moendo com seus blastbeats manuais e o monstrinho da bolacha Frank Mullen urrando ininteligivel porém convincente, como esperado. Dito isso tudo, ninguém irá negar que "Breeding the Spawn" falhou em pegar a tocha acendida pelo seu predecessor, porém não mancha seu legado, e mesmo assim seria recomendado para qualquer fã de carteirinha da banda.
Terrible production.

Autopsy - The Tomb Within


"The Tomb Within" poderia ser considerado um retorno estilístico à velha forma da banda, e provavelmente o melhor deles desde "Mental Funeral", porque o que seguiu o clássico de 91 foi uma lenta transição para o que se tornou o Abscess, uma banda que não valia muito a pena dar atenção. O que pode-se esperar aqui em uma primeira audição é um par de clássicos death metal, no mínimo. Bem melhor que as tentativas de volta à velha forma do Helmet por exemplo.
Preto no branco, "The Tomb Within" é um EP sólido mas longe de alguém poder dizer que realmente seja um retorno à velha forma. O Autopsy volta a gravar sons mais longos que dois minutos, e mais uma escrevendo músicas de death metal direto ao ponto, porém através dos 20 minutos de duração do album fica claro que alto está faltando. "The Tomb Within" não tem aquele fedorzinho de podridão que definiu seus melhores trabalhos. Sem dúvida esses cinco sons foram um passo na direção certa, e a energia e virilidade da faixa de abertura mostra que eles ainda têm a manha de tocar o gênero que eles ajudaram a fundar, porém com exceção de "Mutant Village" o EP todo parece feito às pressas ou nas coxas. "Seven Skulls" soa como uma barulheira desorganizada e "My Corpse Shall Rise" não passa de alguns bons riffs passando por transições mal feitas. Até "Human Genocide", uma faixa que a banda demorou quase 23 anos para aperfeiçoar, parece inacabada.
Nenhuma música do disco é realmente ruim porém no todo acaba sendo um daqueles que ficarão empoirados na prateleira. Outro aspecto presente são os vocais de Reifert que parecem ter perdido força.
No geral "The Tomb Within" é um esforço no caminho do que veio a se tornar "Macabre Eternal", nada mais.
A little taste of death.

Entombed - Serpent Saints: The Ten Amendments


"Serpent Saints" é o primeiro album do Entombed em quatro longos anos, e ainda assim incrivelmente parecido com seu predecessor, "Inferno" de 2003, não somente em termos de som mais também de estilo, como se tivesse sido gravado na mesma sessão de estúdio. Na verdade, todos os albuns de estúdio do Entombed dos anos 2000 ( "Uprising" de 2000, "Morning Star" de 2002, "Inferno" de 2003, e até mesmo o album ao vivo "Unreal Estate" de 2005) são incrivelmente similares, ao contrário dos albuns dos anos 90, que são bem diversos. A consistência do Entombed mais recente é uma faca de dois gumes: por um lado, é uma consistência bem vinda, sendo que os fãs podem saber o que esperar de cada lançamento; por outro lado, os fãs ficam menos inclinados a comprar todos os lançamentos, sendo eles uma mesmice em vários aspectos. Ainda bem que qualidade é um dos aspectos presentes nesses últimos albuns. Os veteranos suecos, que estreiaram em 1990 na Earache Records com o marco do death metal "Left Hand Path", têm um firme comando sobre seus talentos. O vocalista L.G. Petrov permanece vociferante após todos esses anos, enquanto os puristas do death metal possam sentir falta do gutural que tornou-se marca registrada desse estilo de música, é até legal conseguir compreender tudo o que está sendo cantado palavra por palavra, apesar das letras serem sérias e obscuras e até bem escritas algumas vezes, o resultado final é um blá blá blá cheio de negatividade. As dez músicas são creditadas à todos os quatro integrantes (Petrov, Alex Hellid, Nico Elgstrand e Olle Dahlstedt), e o resultado de fato parece um esforço em grupo. Novamente, fica evidente que esses caras se acomodaram em uma fórmula repetida. Desenvolveram um estilo que serve bem para seus propósitos; longe de ser inovador, acaba sendo não menos potente e satisfatório para qualquer um que curta metal pesado direto na veia livre de teatrinhos black metal, pompa e pretensão. Os 41 minutos parecem pouco, porém até satisfatórios. Começando com duas boas músicas, "Serpent Saints" e "Masters of Death", a segunda com participação especial de Killjoy do Necrophagist nos backings, há pouca enrolação e a banda vai direto ao ponto. Metal na veia como sempre. "Serpent Saints" acaba sendo um album para os fãs costumazes da banda, nada de novo.
New and old.

Meshuggah - Nothing


No reino do metal, poucas bandas são tão peculiares e técnicas quanto o Meshuggah. Esses suecos fazem música para descontrutivistas clinicamente doentes, coisa de louco mesmo. "Nothing", o quarto petardo deles, somente cimenta seus lugares como criadores do metal cósmico calculado. Podem chamar de Einstein metal se quiserem. O que ainda lhes dá um crédito extra é que eles são os únicos nesse "sub-sub gênero". Quando círculos de riffs bizarros, vocais de robóticos da morte, cromas neo-jazzísticos e composições musicais matemáticas são a arma principal, é fácil se colocar em um canto criativo. Para onde o Meshuggah poderia ir após a porrada de "Destroy Erase Improve" e logo após com o sufocante e violento "Chaosphere"? Bem, eles ficaram mais pesados ainda. Os guitarristas Marten Hagstrom e Fredrik Thordendal usaram guitarras de oito cordas para dar um grave extra para o que já era pesado, e umas pitadas de dissonâncias. O apropriadamente entitulado "Nothing" mostra arranjos mais esparsos, o tempo e a cadência colidem até que o som entre um buraco negro sonoro consumindo-se (por exemplo "Glints Collide" e a mais de sete minutos "Close Eye Visual"). Desse buraco negro, a luz rebate em "Nothing", o tema do album baseado no existencialismo e no trauma psíquico que causa na mente. O exercício cerebral continua, através de "Straws Pulled at Random", "Spasm" e a paisagem lunar arrepiante de "Obsidian", todas sendo anti melódicas, de ranger o dentes em regiões matemáticas opacas, importando um pouco da psicodelia do Tool com Death e até Gang of Four. "Nothing" dá um novo significado para a palavra pesado, empurrando o metal para as fronteiras da ciência abstrata. Para aqueles sortudos o suficiente para viajar no som do album, como toda boa arte, irá fazer cócegas em seus subconscientes conectando o interno (mente) e o externo (espaço). Novas fronteiras se abrem. Pena que poucas bandas arriscam tanto quanto eles.
Antidote for generic metal.


Scarve - Irradiant


Uma das bandas mais talentosas e ferozes da França. Se qualquer desavisado se der ao trabalho de procurar, irá encontrar um número surpreendente de bandas pesadas de ponta pelo país de Napoleon, bandas como Gojira e similares. O Scarve de Nancy chegou no seu melhor com este terceiro album, "Irradiant" de 2004. De fato, se o album tivesse alguma falha evidente, seria ter assimilado muitas vertentes extremas no seu espectro sonoro, mas desde quando isso é uma coisa ruim? Pelo menos até quando o artista em questão souber dizer "quando". O Scarve tem um pé bem fincado no prog metal o que fica facilmente reconhecível em "Hyper Conscience" e "The Perfect Disaster", o que faz o album necessitar uma audição mais atenta.
Tudo isso faz de "Irradiant" um album bem maduro e de mente aberta. Nada aqui é impossivelmente complexo porém muito bem composto e arquitetado. Passagens melódicas bem inseridas com porradarias bem equilibradas.
Solid album.

Aniversário de 2 anos do blog!!!


Isso mesmo pessoal, agora após mais de 90000 visitas (no niver de 1 ano estávamos na marca dos 30000) comemoramos 2 anos de blog (atrasados pois a data foi no começo do mês).
A proposta não mudou e a resistência continua, apesar da caça às bruxas que anda acontecendo especialmente com os hosts. Continuamos dizendo "fuck the majors".
Não posso deixar de mencionar e agradecer o Mimi que sempre apoiou o blog e é parte disso tudo tanto quanto eu.
Amigos Bobster metro stud, Murer (rulivi), Mark presidiário do kct e loko.
Enfim, obrigado a todos.

Algumas palavrinhas sobre SOPA e PIPA.


A coisa está realmente feia. Este mesmo post que estou editando aqui já foi censurado anteriormente, porém continha um texto extensivo e com um conteúdo mais pesado. Por isso vou ser breve. Talvez decidam tirá-lo do ar também.
Que fique um alerta para a molecada sem cérebro que prefere cruzar os braços. Impotentes são os covardes que se calam, votam nos mesmos, vão trabalhar no outro dia e não mudam nada. Ok "bando de moleque besta"? Agora vão se masturbar e comer caramelos, conformistas e escravos do consumo. A vida é muito mais do que seus inferninhos familiares e diplomas universitários da indústria do papel timbrado.
Por aqui a guerra está apenas começando. Eu disse GUERRA!