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The Darkness - Permission to Land


Como muitos hard-rock saudosistas daquele tempo, este quarteto estava imerso numa pegada de AC/DC e Queen antigo. Mas o Darkness tinha uma arma secreta: o vocalista desvairado de lycra Justin Hawkins, um homem sem medo de perpetrar falsettos à la Tiny Tim em cada música de seu album de estréia. Não se engane, o cara não está zoando. Músicas como "Get Your Hands Off My Woman" e "Givin´ Up" apresentam riffs de força industrial, vigorosos solos de guitarra com hammer-on e uma seção rítmica expressiva. Baladas como "Love Is Only a Feeling" são tocadas com tamanho gosto jamais sonhado por bandas de metal parodistas como Satanicide e Massacration. "Permission to Land" é um dos poucos albuns de retro-metal que merecem mais que uma risadinha momentânea. O hard rock oitentista reviveu por uns tempos neste album.
Hilarious but not a joke.

dark vfo perm hahfk


Airbourne - No Guts. No Glory


Neste segundo album, esses rockeiros doidos australianos estão exatamente um traje escolar de distância de serem uma banda cover de AC/DC. O homem de frente Joel O´Keefe aperfeiçoou os grunhidos de Bon Scott e os sons emulam perfeitamente nas guitarras os riffs de boogie-woogie backbeats do AC/DC. Como se não fosse o bastante, as letras ("As long as you're alive and we're alive / Rock'n'roll will never die!") e os títulos das músicas ("Born To Kill," "Overdrive," "Back On The Bottle") também possuem aquele sentido de "já não ouvi isso antes em algum lugar?". Originalidade à parte, mas chega a ser meio forçado.
No final das contas, tenho que admitir. Em tempos de rock maricota este disco veio para dar uma boa dose de testosterona antes que ficássemos todos andrógenos e ovulantes afins.
Great young band.



Pantera - Power Metal


Também conhecida como banda Paquera, a verdadeira face dos queima roscas racistas do Texas. Este é um dos albuns que eles tentam esconder mas seus permanentes não deixaram. "Power Metal" foi o primeiro com a desvairada Phil Anselma nos vocais, suas letras no auge do ridículo e mais clichés impossível.
O som é bem power metal anos 80, com Dimebag Darrel mandando riffs como se fizesse parte do Lizzy Borden. Além disso temos os sons roubados do Exhorder que não podemos esquecer.
E dá-lhe gritinhos. Uauuuuuuuu!!!
Dont look at my haaaaaiiir!!!

Rush - Caress of Steel

Quando Rush terminou seu terceiro album, "Caress of Steel", o trio tinha certeza que criou sua maior obra prima. Mas quando o album caiu das paradas logo após o lançamento, ficou provado outra coisa. Ainda que tenha sido o primeiro lançamento do Rush que explorou completamente seu lado rock progressivo, ele não contém os cativantes e mais tradicionais elementos de seu trabalho popular posterior. Frequentemente é muito pretencioso e indulgente para uma audiência de rock mainstream apegar-se. E mesmo que o Rush tenha sido excelente em compor longas canções, as duas músicas grandes do album, "The Necromancer" de 12 minutos e meio e "The Fountain of Lamneth" de quase 20, mostram que a banda ainda estava longe de aperfeiçoar o formato. O lado A do antigo vinil contém duas faixas fortes e mais sucintas, a abertura empolgante, "Bastille Day", e a mais relaxada "Lakeside Park", ambas as quais tornariam-se parte do repertório da banda para shows nos anos 70. Mas a fraquíssima "I Think I´m Going Bald" (que liricamente lida com o envelhecer) beira o ridículo, o que confirma que "Caress of Steel" é um dos albuns mais fora de foco do Rush.
Maybe underrated, whatever.


Living Loud - Living Loud


CDzinho interessante. 5 originais e 6 músicas do Ozzy. Hard rock beirando o metal com um vocalista estilo Aretha Franklin de cuecas. Algumas baladas bundeiras mas toleráveis.
O instrumental é impecável porém não supera os originais.
Different, but kinda cool.



Deep Purple - Deep Purple


Este é um album que mesmo aqueles que não são fãs do Deep Purple podem escutar umas duas ou três vezes em uma sentada, mas então, é porque este não foi parecido com nada que a banda já lançou. Na verdade, "Deep Purple" foi altamente reverenciado por muitos anos pelos fãs de rock progressivo, e por boas razões. O grupo estava passando por uma transição, o cantor principal Rod Evans e o baixista Nick Simper estavam para ser despachados da formação em breve logo que o album estivesse finalizado (mesmo que não tenham sido avisados até três meses após), o organista Jon Lord e o guitarrista Ritchie Blackmore tendo percebido limitações no trabalho em termos de onde cada um queria chegar. E por entre as sempre grandes ambições de Lord a favor de fundir clássico com rock e o ataque sempre audacioso da guitarra de Blackmore, ambas as quais começaram a se fundir com a sessão para "Deep Purple" em 1969, o grupo conseguiu criar um LP que combinou o excitação crua, intensidade e ousadia dos primórdios do heavy metal com a complexidade, o escopo intelectual e a virtuosidade do rock progessivo em ambos os níveis. Em "The Painter", "Why Didn´t Rosemary" e especialmente "Bird Has Flown", eles lançam um fascinante balanço entre todos aqueles elementos, e o trabalho de Evans na última é uma das performances vocais fundamentais na história do rock progressivo. "April", uma suite de três partes com acompanhamento orquestral, é em geral párea para tais esforços similares do The Nice como "Five Bridges Suite", e ganha pontos extras por dar crédito à sua audiência por uma sessão evolucionista geniosa relativamente longa, e por incluir um sério interlúdio orquestral que faz mais que apenas incluir um som bonitinho, explorando o timbre de vários instrumentos e também as características do todo. E mais ainda, a banda lança mão de uma versão hard rock, bem honesta de "Lalena" de Donovan, com uma quebrada de orgão que mostra o débito de Lord com o jazz moderno e também com o treinamento clássico. Ao todo, em meio a todos esses elementos, o acompanhamento orquestral, o embalezamento clavicórdio e gravações de orgão e bateria ao contrário, "Deep Purple" mantém junto incrivelmente bem um corpo de música. Este é um dos albuns mais sustentadores do rock progressivo de todos os tempos, e uma visão bem sucedida de um caminho musical que o grupo poderia ter seguido mas não o fez. Ironicamente, o selo americano do grupo, Tetragrammaton Records, que estava rapidamente aproximando-se da bancarrota, lançou este album bem mais cedo que a EMI na Inglaterra, mas deu de cara com problemas por causa da pintura de Hieronymus Bosch na capa, "The Garden of Earthly Delights". Mesmo que a pintura já tenha sido exposta no Vaticano, o trabalho foi fortemente perseguido por conter imagens profanas e nunca fez estoque em nenhuma loja como deveria ser por medo dos compradores.
Este disco também foi relançado pela EMI em 2000, remasterizado e com vários extras, para quem interessar mais.
Very solid Purple.



Cream - Disraeli Gears


Começou como uma piada. Mick Turner um dos roadies da banda estava conversando com o baterista, Ginger Baker, como ele incrementou uma bike com "Disraeli Gears". Ele quis dizer, é claro, derailleur gears (descarrilador de marcha), mas a banda achou o engano hilário e daí nasceu o nome de um dos maiores albuns psicodélicos do Reino Unido.
Por volta de 1967 Cream quase queimou a largada. "Fresh Cream", seu primeiro album foi lançado às pressas e era quase purista demais nos padrões blues e velharias, e já em 1966 era considerado fora de época com o que acontecia no mundo então. "I Feel Free" já tinha flertado com a forte corrente lisérgica, mas eles ainda estavam por encontrar a terra prometida no underground de Londres. Uma razão para isso ter acontecido foi o background da banda, não somente no blues (ao tempo que Eric Clapton deixou John Mayall´s Bluesbrakers) mas também no jazz. Ambos Jack Bruce e Baker tendo passado um tempo com Graham Bond. Por sorte esse diverso background foi de grande valia para o próximo passo da banda.
Neste segundo album as coisas saíram diferentes. As químicas tornaram-se parte, Clapton fez uma grande amizade com o artista australiano Martin Sharp que não somente ajudou nas letras de "Tales of Brave Ulysses" mas também veio com a esplêndida capa barrôca. Enquanto isso Jack Bruce estava agora trabalhando com o poeta underground, Pete Brown, do qual as letras são igualmente viajantes. "SWLABR" (que quer dizer "She walks like a bearded rainbow"), "Dance the Night Away" e "Sunshine of Your Love" foram perfeitos encapsulamentos de quando o blues tornou-se psicodélico e em troca tornou-se pesado. O riff de "Sunshine of Your Love" é totalmente icônico e define a estética do power trio que estava para tornar-se tão popular entre os muitos discípulos que estavam por vir.
O outro catalizador criativo foi o produtor Felix Pappalardi. Com co-autoria em "World of Pain", ele também ajudou a transformar a bluseira "Lawdy Mama" na marota "Strange Brew", uma candidata a melhor faixa de abertura de todos os tempos. A guitarra de Clapton agora tinha sido exposta aos efeitos de estilos mais pesados de Jimy Hendrix e seu uso pesado de wah-wah dá ao "Disraeli Gears" uma certa dose de estanheza, fazendo deste provavelmente o album mais experimental que ele já fez. A estilosa inclusão da redenção de Ginger Baker com "Mother´s Lament" foi a chave de ouro.
Para o destino final da banda, dois anos depois Clapton voltou para seu grande amor, o blues. E a banda tornou-se essa saudosa memória descrita aqui. Por um curto período eles trouxeram paz e amor para o mundo.
Creams masterpiece.



Como guitarrista e vocalista de uma das bandas de rock americanas de maior sucesso na época, Josh Homme da Queens of the Stone Age pega pesado aqui e leva o album "Lullabies to Paralyze" praticamente nas costas. O album anterior das Queens, "Songs for the Deaf" de 2002, trouxe Dave Grohl dos Foo Fighters de volta ao pedestal da bateria que ele abandonou pós Nirvana e elevou as Queens ao mainstream de platina com os estrondosos sucessos de rádio e MTV "No One Knows" e "Go With the Flow".
A partida de Grohl era predestinada, mas poucos poderiam prever Homme despedir o baixista fundador Nick Oliveri, um selvagem instrumentista com uma conexão musical telepática com Homme que definia a fúria da banda. "Lullabies to Paralyze", o quarto album das Queens, sofre com a partida de Oliveri e a ausência de Grohl. O baterista Joey Castillo não tem a pegada de Grohl, e baixistas tapa-buracos não conseguem repor a destreza melódica de Oliveri ou sua habilidade natural de tocar em torno dos riffs rígidos de Homme.
Desde que se distanciou de seu início adolescente como guitarrista da banda de stoner-metal Kyuss no começo dos anos 90, Homme se viu pego entre estéticas opostas. Ele ama uma estensa jam (o primeiro album das QOTSA, e todos aqueles discos das Desert Sessions) também várias piadas e gozações (os falsos anúncios de rádio que interrompem "Songs for the Deaf", e sua bateria no projeto paralelo de garage-pop Eagles of Death Metal). Ele também admira extrema disciplina, mesmo tenso, um groove de teutonic-rock, um pequeno mas devastador riff ou um arranjo pop disfarçado. Parece que são essas tensões entre os impulsos de Homme que pressurizam os pontos mais altos de "Lullabies to Paralyze" e também explica os baixos.
Você provavelmente já ouviu muitas vezes "Little Sister", o primeiro grande single de rock que estourou nas rádios em 2005. Parece mais Foo Fighters do que qualquer coisa das QOTSA criada com Grohl, essa boa canção (linhas de guitarra distorcidas e um coro de refrão explosivo) anuncia um movimento adiante do tradicional hard rock para um punk arte estilo Strokes e outros modernosos da vida. Homme fica ainda mais eletrizado em "Medication", que eleva o alarde comum das QOTSA para um zumbido combustível, a banda pendura-se em uma corda pela maior parte dos dois minutos, e abruptamente dá umas paradas e troca o tom para aumentar o drama que transpassa o som.
"Everybody Knows That You´re Insane" parece uma balada de despedida para Oliveri no início. Começando com uma lenta slide guitar que grita como "Freebird" de Lynyrd Skynyrd sobre os momentos finais de "I Want You (She´s So Heavy)" dos Beatles, cria um falso senso de serenidade antes do pulo para a próxima parte que vem rápida e pesada. As guitarras guiam os tensos versos de Homme evocando os Buzzcocks com muito mais finesse do que bandas como Green Day já tentaram fazer.
"Lullabies" declina quando Hommes volta para a longa riffagem de seu passado. As seguidas "Someone´s in the Wolf" e "The Blood Is Love" são jams monstras que ocupam quase catorze minutos que desfazem o momento criado pelas oito faixas anteriores. Passagens subsequentes como a martelada de pianos "Broken Box" e a introspectiva "Long Slow Goodbye" lembram um pouco mas falham em alcançar a intensidade da primeira metade do album.
A aparição do antigo contribuidor da banda Mark Lanegan nas faixas não teve o impacto dos albuns anteriores, e Shirley Manson do Garbage e Broddy Dale dos Distillers ficam pouco evidentes em "You Got A Killer Scene". O único de fora que adiciona algo que Homme não poderia ter cantado ou tocado ele mesmo é Billy Gibbons do ZZ Top, que manda sua apimentada guitarra texana na estilo White Stripes, "Burn the Witch". Com Homme no controle absoluto, ele fica sem um maníaco antagonista ao seu lado centrado e também às suas inevitáveis pirações de algo que ele faz melhor: rock como chocolate preto amargo com um recheio gosmento no meio.
Forget the hype.

Paul Gilbert - Alligator Farm


O guitarrista Paul Gilbert continuou a refinar seu experimento peculiar de Elvis Costello/ Cheap Trick/ Mr.Big/ Racer X que iniciou em "King of Clubs". A estranha mistura de estilos é centrada ao redor de sua grandiosa herança técnica de guitarra, que prevalece sobre o disco mas nunca de forma exagerada. Sua afinidade por fortes canções pop completada por refrões pegajosos faz com o album não fique apenas para o gosto de fanáticos por guitarra. Canções como a influenciada por Green Day "Better Chords" e outras faixas pop como "Individually Twisted" (lançada como single) e "Cut, Cut, Cut" mostram sua habilidade de escrever boas letras e adequadamente ser um vocalista principal. Há também muito esmirilhamento de guitarra aqui também, com faixas como "Let the Computer Decide" e "Attitude Boy Will Overcome" conjurando memórias de seus tempos de Racer X. "Koto Girl" e "Whole Lotta Sonata" mostram seu lado aventureiro e ridículo. Ao mesmo tempo que este album requer um gosto diferenciado para ser apreciado, não há dúvidas que Paul Gibert está se adorando o tempo todo (como a maioria dos guitar heroes malas). De qualquer forma um album cheio de energia como a maioria dos trabalhos dele.
Fun stuff.

Audioslave - Audioslave

A raiva incontida de Kurt Cobain voltou na forma de seus diários, Pearl Jam pareceu também tentar resgatar sua essência original, e ser amado novamente como foi. Mas nada parecia fazer alguém querer tirar sua velha camiseta do Lollapalooza lá de baixo das pilhas de roupas novamente, a não ser a voz poderosa de Chris Cornell novamente em sua velha forma. No Audioslave em sua colaboração com os três ex membros do Rage Against the Machine, Cornell consegue relembrar sua velha forma no Soundgarden plenamente. Perto dele os vocaizinhos de nu metal parecem adolescentes de bandas de garagem.
O retorno de sua voz poderosa foi tão inesperada quanto o lançado do album em si. Em seu único lançamento pós Soundgarden, sua voz tinha decaído e ele parecia ser uma má opção lógica para o lugar dos gritos nervosos de Zack de la Rocha. Cornell chegou até a desistir no meio da tour de verão da banda, e este album parecia ter um futuro nebuloso. Sem contar as declarações recentes de ambos os lados, Cornell e banda.
"Audioslave" foi muito mais sucesso do que fracasso apesar de tudo, e um grande exemplo de que os opostos podem dar certo. Em uma estranha tática reversa seu vocal arrebenta enquanto a banda segura a onda mas sem perder seu poder de fogo. O resultado não foi um Rage piorado ou falsificado, e sim mais uma continuação de "Superunknown" do Soundgarden que Cornell jamais poderia imaginar. As músicas mais contemplativas como "I Am the Highway" possuem o dedinho de Rick Rubin, como fez com Red Hot Chilli Peppers, e acaba sendo uma "Black Hole Sun" com algumas serpentinas e confetes em volta.
Tudo pareceu na época más notícias para os fãs de Rage sedentos das guitarras estilo scratches de Morello e as oratórias políticas de Zack. Porém há pitadas disso neste album, como por exemplo em "Cochise", que fala sobre o chefe Apache enquanto as guitarras de Morello no estilo velho do Rage gritam como um alarme de incêndio.
De qualquer forma é um album sem ressentimentos para ambos os lados, tratando-se dos fãs, pois o som da banda aqui é de primeira. Só torce o nariz quem for teimoso mesmo.
Great rock album in a long time.

Alice Cooper - Billion Dollar Babies

Com "Billion Dollar Babies", Alice Cooper refinou a crueza de seus albuns anteriores em favor de um som mais polido (cortesia do super produtor Bob Ezrin), resultando em um disco de mega sucesso, #1 nas paradas da época. Faixa a faixa, o disco é o melhor e mais forte da banda original. Músicas como "Hello Hooray", a batida letal da faixa título, a desafiadora "Elected" (uma canção mais antiga chamada "Reflected" que foi reescrita), e a super conhecida "No More Mr. Nice Guy" permanecem até hoje entre as maiores conquistas de Alice Cooper musicalmente. Também faixas que foram o embrião do gênero gore/splatter das tantas bandas de hoje, como a necrófila "I Love the Dead" e a macabra "Sick Things". Também as menos conhecidas porém fortes "Raped and Freezin´", "Unfinished Sweet" e um daqueles clássicos que ficam ignorados pelo tempo, "Generation Landslide".
Nada parecia deter essa grande banda de hard rock na época, mas tensões entre os membros nos bastidores forçaram a estelar formação original se dissolver com apenas mais um album.
"Billion Dollar Babies" não somente é um dos melhores de Cooper, mas também um dos albuns essenciais da história do rock.
One of the best of 70´s hard rock.

Van Halen - 1984



Na época de seu lançamento, todo o ti-ti-ti ao redor de "1984" envolvia a adoção de sintetizadores pela banda, lembrando que este é o sexto album. As pessoas só esqueceram que a banda já fazia uso de synths desde seu terceiro album, "Women and Children First". Sim, esses sintetizadores eram enterrados entre guitarras ou usados como textura, até mesmo nas instrumentais onde eram o instrumento principal, mas neste album foram passados para primeiro plano em "Jump", o primeiro single e razão pela qual o album vendeu horrores, alavancando a banda para audiências que já flertaram mas nunca tinham conquistado. É claro, a mera adição de sintetizadores não seria a única razão pela qual novos fãs se agarrariam à banda, eles precisavam de canções populares e pegajosas, que "1984" tinha, mais precisamente na exuberante "Jump". Nessa música, os sintetizadores tocam um riff circular que não chega a apagar a guitarra, além da assinatura monolítica da banda com seu rock pulsante. Alex Van Halen e Michael Anthony deram peso à música enquanto David Lee Roth explodia em sua costumaz energia, o que fez "Jump" não ser somente mais uma faixa pop da época. O mesmo se aplica para o resto do album que caracteriza-se por um rock pesado como já vinha sendo feito desde "Women and Children First", exceto "I'll Wait" que aparece bem mais relaxada e pop do que o resto. Enquanto os albuns passados vinham com ênfase no ataque da banda, este vem bem mais uniforme e com uma coleção de clássicos. Certamente "Panama" e "Hot for Teacher" destacam-se por serem aquelas preferidas para serem tocadas cover por bandas de garagem. "Top Jimmy", "Drop Dead Legs" e a densa e funkeada "House of Pain" trazem riffs interessanes e bateras insanas.
O album fica como a melhor demonstração de força da banda, de Dave Lee Roth, e de suas carreiras. Sendo que Dave Lee Roth saiu da banda após este album e é de se duvidar que se ele continuasse com eles a banda bateria este album algum dia. Quanto às críticas sobre Sammy Hagar, é melhor deixar de lado por enquanto.
80's classic.

Guns N' Roses - Use Your Illusion I


A dificuldade do "segundo album" é um dos chichés perenes do rock (apesar de que este album seria o terceiro contando com o EP "G N´ R Lies" que na discografia fica relacionado como o segundo), mas poucos segundos albuns foram tão difíceis como "Use Your Illusion". Não realmente concebido como um album duplo mas impossível de separar em trabalhos individuais, "Use Your Illusion" é um exemplo brilhante de uma banda de sucesso repentino entendendo tudo errado e deixando suas ambições fugirem de controle. Levando quase três anos para ficar pronto, a gravação do album foi claramente difícil, e as tensões entre Slash, Izzy Stradlin e Axl Rose ficam evidentes desde o início. Os dois guitarristas, particularmente Stradlin, tentam manter a origem hard rock da banda, mas Axl Rose tinha pretensão de ser Queen ou Elton John, o que é estranho para um típico e notório garotinho branco homofóbico de Midwestern. Dentro do possível, as duas aspirações poderiam ter sido divididas em dois albuns, mas ao invés foram jogadas em uma misturança só. Fica claro a partir daí que "Use Your Illusion I" ficou mais hard rock que o "II" apenas por coincidência. Stradlin tem uma presença mais forte no "I", contribuindo com canções como "Dust n´Bones", "You Ain´t the First" e "Double Talkin´Jive", quem mantêm o album no território Stones/Aerosmith. Em geral o album é mais forte que o "II", mesmo contendo uma boa quantidade de encheções, incluindo uma música bem psicodélica em colaboração com Alice Cooper e uma música que leva o nome do maior sucesso dos Osmonds. Também há duas músicas bem ambiciosas em "November Rain" e 'Coma" onde Axl Rose parece se realizar. Também a metálica "Perfect Crime" e a poderosa baladona "Don´t Cry". Realmente a tarefa não fácil, achar pontos altos em uma super produção farofa e um amontoado e encheções de linguiça.
Yes! Exacly, you will have to use you illusion for this.

Thin Lizzy - Jailbreak

Sexto album de estúdio da banda irlandesa lançado em 1976 que proporcionou um grande sucesso comercial para eles nos Estados Unidos. Neste disco está o maior sucesso da banda, "The Boys Are Back in Town".
Obra prima do gênio muito doido Phil Lynott.
A banda foi formada em Dublin em 1969, liderada pelo baixista Phil Lynot que compôs os maiores sucessos da banda que até hoje são bastante tocados no rádio. Após a morte de Lynott por overdose a banda continuou com diferentes formações.
No album aparecem bem as guitarras em duo como característica básica da banda. Após fazer turnê como banda de suporte nos Estados Unidos com Aerosmith, Rush e REO Speedwagon a banda ia sair em turnê com o Rainbow, mas Lynott ficou doente com hepatite devido às drogas e álcool e a turnê acabou cancelada.
As pessoas na época poderiam estar somente sedendas por um disco novo de Springsteen e acabaram comprando Thin Lizzy no lugar, mas não é cabível pensar assim. Fora "The Boys Are Back in Town" também "Jailbreak" deixa seu recado poderoso: "Tonight there's gonna be a jailbreak, somewhere in this town"--yeah well, the jail seems a likely place". Uma lição de hard rock. Um album que feito no meio da década de 70 mas que soa mais avançado que qualquer banda do gênero da década de 80. O som varia com elementos de funk e baladas que quebram da característica do rock pesado da época como Black Sabbath. Mais uma daquelas bandas que dão a sensação de terem sido injustiçadas.
Fantastic rock album.

Kiss - Creatures of the Night

Album de 1982 e o décimo de estúdio da banda, também o último lançado pela Casablanca Records, que foi o único selo em que a banda gravou até então. O disco foi dedicado ao fundador da gravadora Neil Bogart, que apoiou a banda desde o início e morreu de câncer durante as gravações.
O album representa um esforço consciente da banda em retornar ao estilo de som hard rock/heavy metal que ajudou a consagrá-los comercialmente na década de 70, depois do declínio da banda nos discos de 79 e 1980 "Dynasty" e "Unmasked". A banda chegou em uma encruzilhada em que ou voltava ao heavy metal ou falhava. Um dos ingredientes chave nesse processo foi o guitarrista e compositor Vincent Cusano, com quem a banda recentemente estava compondo e gravando, e que logo depois estava por entar no lugar de Ace Frehley na guitarra solo. Frehley não tocou neste album e também foi o primeiro com Vinnie Vincent na banda.
O album ganhou disco de ouro em 1994.
"I Love It Loud" continua um hino da banda e do rock/metal até os dias de hoje.
Back on tracks Kiss.

AC/DC - T.N.T.

Segundo album de estúdio da banda australiana, lançado em 1975, ainda com o vocalista original Bon Scott. Sete das nove músicas foram escritas por Angus Young, Malcom Young e Bon Scott. "Can I Sit Next to You Girl" foi escrita por Young & Young, e "School Days" é uma versão cover de uma música de Chuck Berry.
O disco foi originalmente lançado pela Albert Productions e nunca mais foi relançado por outro selo. Entretanto a maioria das músicas foram incluídas no album da Atlantic Records "High Voltage" que foi lançado internacionalmente em 1976.
O album marcou uma mudança no direcionamento musical da banda em relação ao antecessor "High Voltage" lançado em 1975. Em "T.N.T." a banda embarcou na fórmula que lhes levou ao sucesso: rock n roll afiado com bases no blues. Enquanto em "High Voltage" o som estava mais influenciado por glam-rock. "T.N.T." possui algumas das músicas mais famosas da banda como a faixa título, "It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)", "The Jack", "Rocker" e "High Voltage".
Dois singles foram lançados do album - "High Voltage" (julho de 1975) e "It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)" (dezembro de 1975). "High Voltage" foi a primeira canção escrita e gravada para o album, inspirada no título do album anterior. O que fez muitos fãs acharem que era do album anterior "High Voltage". Chris Gilbey da Albert Productions mais tarde disse ter sido isso uma causa do repentino aumento depois nas vendas.
O album levou a banda a várias aparições no famoso programa Countdown na Austrália, com participações ao vivo e o video de "It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)" que foi filmado em fevereiro de 1976, em que a band aparecia com membros da Rats of Tobruk Pipe Band, viajando em um caminhão na Swanson Street em Melbourne o que levou em 2004 a decisão de colocar o nome na Melbourne Corporation Lane de ACDC Lane em tributo a banda.
Album que revolucionou a história do rock e horrorizou a sociedade australiana na época. Pais odiavam o AC/DC e trancavam suas filhas em casa, enquanto muitos batiam cabeça imitando Bon e Angus gritando "Oi!". Época das bandas glam do meio da década de 70, que foram explodidas por esse "T.N.T.". Sem falar que como um album pré-punk ele tem muito de punk na essência. Trinta e cinco anos depois cá está AC/DC, atual e imbatível.
Its a long wayyyy to the top!!!!! if you wanna rock n rooooolll!!!!

Jethro Tull - Aqualung



Quarto album de estúdio da banda lançado em 1971, o primeiro com John Evan e Jeffrey Hammond e o último com o baterista Clive Bunker. Este album teve fundamental importância tanto para a banda mas como também para o rock dos anos 70 em geral. A crítica na época insistia em dizer que este era um album conceitual, o que Ian Anderson não cansou de negar.
O lado A do disco (vinil) contém uma série de seis esboços de personagens, incuíndo dois personagens de questionável caráter (o personagem título "Aqualung" e a "Cross-Eyed Mary") e duas faixas autobiográficas incluíndo "Cheap Day Return" escrita por Ian Anderson enquanto ia visitar seu pai muito enfermo, o lado B são mais divagações de Ian Anderson sobre religião. Na música "Aqualung", a então esposa de Ian Anderson, Jennie Franks também recebe os créditos. A música conta a história de um mendigo pedófilo e maltrapilho. Os versos iniciais dizem: "Sitting on a park bench, eyeing little girls with bad intent. Snot running down his nose, greasy fingers smearing shabby clothes. Hey, Aqualung". O resto das canções fica para vocês mesmos julgarem. Percebe-se pelo disco também um progresso fundamental da banda na forma de compor e tocar de Ian Anderson e Martin Barre.
Ótima pedida para os já velhacos do "rocknroll" largarem seus vinis um pouco e escutarem em CD.
Memorable music.

Rainbow - Rising

Album definitivo da banda lançado em 1976. Após o primeiro album chamado "Ritchie Blackmore's Rainbow", Blackmore e Ronnie James Dio tiraram os membros da antiga banda de Dio chamada Elf e colocaram nos seus lugares Tony Carey nos teclados, Jimmy Bain no baixo e Cozy Powell na bateria. Este lineup definiu bem a aura mística do Rainbow no limite da perfeição. A capa do disco não poderia definir melhor isso tudo. Rainbow é poderoso, progressivo, sombrio e místico, mas ao mesmo tempo cheio de luz e esperança. Se o som da banda pudesse ser definido em uma imagem com certeza esta capa faz juz ao nome.
Incrível que o album tenha apenas seis músicas e tenha em torno de 34 minutos de duração e propicie uma viagem tão longa ao ouvinte cheia de mistério, imaginação e uma gama de possibilidades para se transcender. O disco foi gravado em menos de um mês em Munich e produzido por Martin Birch.
O album abre com uma das mais fantásticas introduções de teclado jamais feitas no rock and roll, a poderosa música "Tarot Woman". Quando Tony Carey fez essa intro naqueles tempos com certeza não imaginava que seria um dos mais dinâmicos e tridimensionais tecladistas da história do rock. Quando o baixo e a bateria entram em cena nessa música as coisas tomam proporções épicas.
"Run With the Wolf" e "Starstruck" são onde Dio realmente mostra sua voz, um instrumento à parte. "Do You Close Your Eyes" vem em seguida para abrir alas ao gran finale do album.
A música "Stargazer" conta com a participação da Orquestra Filarmônica de Munich, e define bem o lado progressivo do heavy metal no seu melhor. A banda Dream Theater gravou um cover desta música em um de seus albums. Literalmente de arrepiar escutar Ronnie cantando "I see a rainbow risiiinggg!!!!" com aquela orquestração toda, guitarras afiadas e bateria e baixo estrondosos.
Obra poderosa, get it now!