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Pink Floyd - Meddle


O Pink Floyd finalmente emergiu da fase "Atom Heart Mother" aqui, um período que parecia estagnado no crescimento musical deles, marcado por constante indecisão criativa. Eles tentaram mascarar isso colocando uma série de efeitos sonoros subliminares no LP "Atom Heart", e arrastando também ao vivo uma orquestra de metais para seus shows. Nada disso pareceu dar certo. Em "Meddle" o guitarrista David Gilmour não só confirma-se como a verdadeira força motriz da banda, mas o grupo todo deu sinais de voltar nos trilhos do crescimento mais ma vez.
A primeira faixa, "One of These Days" mantém-se na fórmula usual do Floyd (efeito sonoro, orgão, guita cria aquele clima depois cai no clímax), mas cada segmento da música é tão bem feito e a coisa toda converge tão perfeitamente que o resultado não tinha como ficar fraco, é uma abertura empolgante para o album. Em seguida, temos uma série de baladas viajantes como "Pillow of Winds", e a circense "San Tropez". Obviamente com uns efeitos loucos ao fundo. "Fearless" tem uma grande sacada com a inserção da clássica inglesa "You´ll Never Walk Alone" de Rodgers & Hammerstein nela, a famosa música da vitória da final da Copa Wembley. "Seamus" é o ponto baixo do album com um pseudo-blues bem chato.
"Echoes" é uma extravagância aural do Pink Floyd que toma o lado B inteiro no antigo LP, recaptura em uma nova montagem musical, alguns dos velhos temas e linhas melódicas dos albuns anteriores.
No geral "Meddle" foi outro clássico do Floyd, ainda difícil de superar.
Good music from the past.




Gordian Knot - Gordian Knot


Projetos cheios de "fodões" geralmente adicionam quase nada, mas o auto-intitulado do Gordian Knot revelou-se um dos melhores albuns de rock progressivo dos últimos anos do segundo milênio. E isso graças ao fato de que Sean Malone tomou as rédeas, conduzindo o projeto para seu objetivo de fazer músicas instrumentais refinadamente guiadas pela guitarra. Malone tinha um retrospecto de metal progressivo, e também vários de seus convidados (Sean Reinert baterista do Cynic, Trey Gunn guitarrista do King Crimson, John Myung baixista do Dream Theater, além de Ron Jarzombek e Glenn Snelwar). E mesmo assim o album tem apenas um par de faixas que podem ser qualificadas como metal ("Rivers Dancing" e "Singularity"). O resto todo cai no estilo de guitarra de tipos como David Torn e Robert Fripp. "Galois" abre o set com um plano de fundo sedutor. "Code/Anticode" é o principal destaque do album, um inteligente rock progressivo com com uma sólida seção rítmica e uma cativante melodia modal. "Reflections" consegue fazer um ameaçador verso de metal e um refrão de violão clássico andarem de mãos dadas como dois namorados. "Srikara Tal" e "Redemption´s Way" trabalham como uma base de solo sobre um fundo de percussão levemente norte-africana. Elas parecem um pouco extensas, mas o trabalho de guitarras adornando-as vale a longa duração. O album finaliza com "Grace", uma delicada balada tocada no Chapman stick que dissolve-se em paisagens sonoras que leva os ouvintes de volta ao ponto de onde começaram. Se não fosse por uma duas faixas super extensas e auto-indulgentes, este album seria uma obra prima. Do jeito que é, ainda merece atenção de qualquer fã de guitarra.
Technical and beautiful music.

U.K. - Danger Money


Segundo e último album de estúdio da banda com Terry Bozzio assumindo a bateria. O som apresenta um trabalho excepcional de sintetizadores por Eddie Jobson e baixo e vocal de John Wetton.
Mesmo não sendo tão forte como seu predecessor auto-intitulado, continua uma deliciosa fatia do rock progressivo dos anos 70 (apesar da capa desanimadora).
Dangerously well played.

Yes - 90125 [Remastered Expanded Edition]


Uma surpreendente reinvenção de uma banda que muitos davam como morta, "90125" foi o album que introduziu uma nova geração inteira para o Yes. Começou como Cinema, uma banda nova de Chris Squire e Alan White, o projeto cresceu até incluir a produção esperta de Trevor Horn, o sangue novo (e distintivo som de guitarra dos anos 80) de Trevor Rabin, e de lambuja os vocais marcantes do fundador que retornava Jon Anderson. Sua reinclusão garantiu que Rabin e Horn tivessem uma inflência pesada no som. O album também marcou o retorno do tecladista prodígio Tony Kaye, que descascou um trabalho de sintetizadores em "Changes" marcando uma quebra definitiva da banda com suas raízes arte rock. "Owner of a Lonely Heart" foi um imenso sucesso em vários âmbitos, e sua quebrada orquestral foi sampleada largamente por rappers desde então. As harmonias vocais de "Leave It" e a lindamente fundada "Hearts" são destaques adicionais, apesar de não haver alguma faixa relamente ruim para citar.
The 80s re-born.

Rush - Caress of Steel

Quando Rush terminou seu terceiro album, "Caress of Steel", o trio tinha certeza que criou sua maior obra prima. Mas quando o album caiu das paradas logo após o lançamento, ficou provado outra coisa. Ainda que tenha sido o primeiro lançamento do Rush que explorou completamente seu lado rock progressivo, ele não contém os cativantes e mais tradicionais elementos de seu trabalho popular posterior. Frequentemente é muito pretencioso e indulgente para uma audiência de rock mainstream apegar-se. E mesmo que o Rush tenha sido excelente em compor longas canções, as duas músicas grandes do album, "The Necromancer" de 12 minutos e meio e "The Fountain of Lamneth" de quase 20, mostram que a banda ainda estava longe de aperfeiçoar o formato. O lado A do antigo vinil contém duas faixas fortes e mais sucintas, a abertura empolgante, "Bastille Day", e a mais relaxada "Lakeside Park", ambas as quais tornariam-se parte do repertório da banda para shows nos anos 70. Mas a fraquíssima "I Think I´m Going Bald" (que liricamente lida com o envelhecer) beira o ridículo, o que confirma que "Caress of Steel" é um dos albuns mais fora de foco do Rush.
Maybe underrated, whatever.


Deep Purple - Deep Purple


Este é um album que mesmo aqueles que não são fãs do Deep Purple podem escutar umas duas ou três vezes em uma sentada, mas então, é porque este não foi parecido com nada que a banda já lançou. Na verdade, "Deep Purple" foi altamente reverenciado por muitos anos pelos fãs de rock progressivo, e por boas razões. O grupo estava passando por uma transição, o cantor principal Rod Evans e o baixista Nick Simper estavam para ser despachados da formação em breve logo que o album estivesse finalizado (mesmo que não tenham sido avisados até três meses após), o organista Jon Lord e o guitarrista Ritchie Blackmore tendo percebido limitações no trabalho em termos de onde cada um queria chegar. E por entre as sempre grandes ambições de Lord a favor de fundir clássico com rock e o ataque sempre audacioso da guitarra de Blackmore, ambas as quais começaram a se fundir com a sessão para "Deep Purple" em 1969, o grupo conseguiu criar um LP que combinou o excitação crua, intensidade e ousadia dos primórdios do heavy metal com a complexidade, o escopo intelectual e a virtuosidade do rock progessivo em ambos os níveis. Em "The Painter", "Why Didn´t Rosemary" e especialmente "Bird Has Flown", eles lançam um fascinante balanço entre todos aqueles elementos, e o trabalho de Evans na última é uma das performances vocais fundamentais na história do rock progressivo. "April", uma suite de três partes com acompanhamento orquestral, é em geral párea para tais esforços similares do The Nice como "Five Bridges Suite", e ganha pontos extras por dar crédito à sua audiência por uma sessão evolucionista geniosa relativamente longa, e por incluir um sério interlúdio orquestral que faz mais que apenas incluir um som bonitinho, explorando o timbre de vários instrumentos e também as características do todo. E mais ainda, a banda lança mão de uma versão hard rock, bem honesta de "Lalena" de Donovan, com uma quebrada de orgão que mostra o débito de Lord com o jazz moderno e também com o treinamento clássico. Ao todo, em meio a todos esses elementos, o acompanhamento orquestral, o embalezamento clavicórdio e gravações de orgão e bateria ao contrário, "Deep Purple" mantém junto incrivelmente bem um corpo de música. Este é um dos albuns mais sustentadores do rock progressivo de todos os tempos, e uma visão bem sucedida de um caminho musical que o grupo poderia ter seguido mas não o fez. Ironicamente, o selo americano do grupo, Tetragrammaton Records, que estava rapidamente aproximando-se da bancarrota, lançou este album bem mais cedo que a EMI na Inglaterra, mas deu de cara com problemas por causa da pintura de Hieronymus Bosch na capa, "The Garden of Earthly Delights". Mesmo que a pintura já tenha sido exposta no Vaticano, o trabalho foi fortemente perseguido por conter imagens profanas e nunca fez estoque em nenhuma loja como deveria ser por medo dos compradores.
Este disco também foi relançado pela EMI em 2000, remasterizado e com vários extras, para quem interessar mais.
Very solid Purple.



John Paul Jones - The Thunderthief

Como em seu primeiro album solo, "The Thunderthief" deixa claro o que John Paul Jones levou para o Led Zeppelin: baixão cadenciado, composições épicas e uma musicalidade impecável. Também deixa claro o que ele não fez para o Led Zeppelin: escrever as letras. As faixas com letras no album são bizonhas e ocasionalmente risíveis, particularmente e faixa título, que soa suspeitosamente como um tapa na cara de Robert Plant, e "Angry Angry", presumidamente uma música punk engraçadinha. Ambas até poderiam subtrair o valor do que seria de qualquer forma um album bem impressionante. Jones toca quase todos os instrumentos no disco e mistura sons de diferentes continentes e eras que pôde pensar. Os melhores momentos do album podem ser as surpresas, como "Down to the River of Pray", com seu clima bluegrass, e "Hoediddle" que começa com uma jam de rock clássico e acaba em um jig irlandês. Em "Freedom Song", Jones mistura sons orientais com filosofia ocidental e de alguma forma fez com que funcionasse. De qualquer forma, "The Thunderthief" é a prova de que John Paul Jones continua a experimentar bravamente em novos territórios, encorajando os mais novos vindo de um homem que poderia já estar descansando em seus louros da vitória.
Out of Zepps shadow.

King Crimson - In the Court of the Crimson King

Este relançamento do album de estréia de King Crimson, "In the Court of the Crimson King" (1969), deixa todas as prensagens anteriores obsoletas. No final dos anos 90, Robert Fripp remasterizou o catálogo inteiro do Crimson para incluir em uma edição de aniversário de 30 anos. Não havia algo mais merecedor (ou necessário) de um belo upgrade do que este marco da história do rock. Inicialmente, King Crimson consistia de Robert Fripp (guitar), Ian McDonald (reeds/woodwind/vibes/keyboards/Mellotron/vocals), Greg Lake (bass/vocals), Michael Giles (drums/percussion/vocals), and Peter Sinfield (words/illuminations). Meio que profeticamente, King Crimson projetou uma banda obscura e incisiva de rock pós psicodélico. Assim como, eles foram inerentemente inteligentes. Uma espécie de Pink Floyd pensante.
Fripp demonstrou sua aptidão inata para contrastes e o valor do silêncio dentro de uma performance, mesmo nos primórdios como em "21st Century Schizoid Man". Uma música que não fica longe de ser o antecedente aural do que se tornou todo o som pesado alternativo/grunge. Justaposta com aquela intensidade elétrica vem a balada etérea noir "I Talk to the Wind". As delicadas melodias vocais e as flautas melancólicas de McDonald contrapostas ainda permanecem inalcançadas em um âmbito emotivo. As letras opacas e surreais são quase que um insight para o maestral jogo de palavras de Peter Sinfield, que agraciou os próximos três lançamentos deles. O lado A original termina com a poderosa imaginação sônica de "Epitaph". Os choros assombrados do melotron e as guitarras e violões de Fripp dão à introdução um tom quase sacro, adicionado gradualmente ao sentimento sinistro geral. O trabalho percussivo de Giles palpita pela música em ritmo de indução de transe. "Moonchild" é uma estranha e bizonha canção de amor, beirando o desconfortável. A melodia é ágil e atemporal, enquanto a instrumentação passeia como o vento através de galhos de árvores. No decorrer da música há uma improvisação que dissolve-se em uma sessão de free jazz não estruturada, com linhas de guitarra rolando através em paralelo. A faixa título, "In the Court of the Crimson King", completa o disco com mais uma linda e bombástica canção. Aqui novamente, a apreensão presente nas letras de Sinfield é instrumentalmente representada pela verbosidade contrastante no refrão e a natureza delicada dos versos nos solos finais.
É claro, esses comentários positivos só podem ser feitos contando com a versão digital. Agradeçam a Fripp e companhia pelo trabalhoso esforço. O resultado é bem saudosista, nem precisava dizer.
Powerful and somber.

Jethro Tull - Aqualung



Quarto album de estúdio da banda lançado em 1971, o primeiro com John Evan e Jeffrey Hammond e o último com o baterista Clive Bunker. Este album teve fundamental importância tanto para a banda mas como também para o rock dos anos 70 em geral. A crítica na época insistia em dizer que este era um album conceitual, o que Ian Anderson não cansou de negar.
O lado A do disco (vinil) contém uma série de seis esboços de personagens, incuíndo dois personagens de questionável caráter (o personagem título "Aqualung" e a "Cross-Eyed Mary") e duas faixas autobiográficas incluíndo "Cheap Day Return" escrita por Ian Anderson enquanto ia visitar seu pai muito enfermo, o lado B são mais divagações de Ian Anderson sobre religião. Na música "Aqualung", a então esposa de Ian Anderson, Jennie Franks também recebe os créditos. A música conta a história de um mendigo pedófilo e maltrapilho. Os versos iniciais dizem: "Sitting on a park bench, eyeing little girls with bad intent. Snot running down his nose, greasy fingers smearing shabby clothes. Hey, Aqualung". O resto das canções fica para vocês mesmos julgarem. Percebe-se pelo disco também um progresso fundamental da banda na forma de compor e tocar de Ian Anderson e Martin Barre.
Ótima pedida para os já velhacos do "rocknroll" largarem seus vinis um pouco e escutarem em CD.
Memorable music.