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The Doors - Morrison Hotel


"Morrison Hotel" abre com um blues rock cru e poderoso chamado "Roadhouse Blues". Apresenta um piano afiado, guitarra intensa e feroz, e um dos vocais mais apimentados e convincentes que Jim Morrison jamais gravou. Esse é  um hard rock raivoso o qual The Doors sempre fez de melhor, e nos deram tão raramente, essa faixa é uma de suas melhores, com uma letra amarga que soa friamente, verdadadeira: "I woke up this morning and I got myself a beer/The future's uncertain and the end is always near."
De lá em diante, entretanto, a coisa vai quase toda ladeira abaixo. Realmente uma pena, também, porque de alguma forma enquanto alguns tinham grandes esperanças sobre o album e queriam muito acreditar que seria bom enquanto outros ficaram simplesmente com medo de escutá-lo quando foi finalmente lançado. A música afunda em um tipo de amor meia-bomba, com arranjos mecânicos esteriotipados de rock que tanto atrapalharam os sons do passado dos Doors. "Blues Sunday" e "Indian Summer" são mais duas peças insipidamente líricas vocalizadas por Morrison em seu estilo Hoagy Carmichael sacarinado. "Maggie M´Gill" é uma progressão monótona na veia de (mas nem perto da relevância de) "Not to Touch the Earth", e "You Make Me Real" é um hipertireoidismo de energia manufaturada digno de milhares de grupos medíocres.
Reconhecidamente, essas são as piores faixas, o resto varia entre o meramente escutável e uma vaga lembrança do brilho de "Roadhouse Blues" ou a alegre e contagiante "Land Ho!", uma daquelas músicas bobinhas que podem acabar tirando um sorriso de sua face toda vez que tocam.
Este poderia ter sido um grande album. Mas a inegável verdade, que parece ser um problema grande demais para se ignorar tratando-se dos Doors, é que quase tudo vem das mesmas coisas já feitas em todos os outros albuns. É impossível julgar fora do contexto do resto do trabalho da banda. A guitarra reptiliana de Robbie Kreiger, e o orgão de carnaval de New Orleans e pianos de bordel de Manzarek são o perfeito complemento para as visões rococó de Morrison. Mas todos nós já ouvimos isso, exaustivamente antes, e o poço da inspiração deles parecia estar secando. Acaba sendo um disco para os mais interessados no grupo.
Strong start, weak finish.

Deep Purple - Deep Purple


Este é um album que mesmo aqueles que não são fãs do Deep Purple podem escutar umas duas ou três vezes em uma sentada, mas então, é porque este não foi parecido com nada que a banda já lançou. Na verdade, "Deep Purple" foi altamente reverenciado por muitos anos pelos fãs de rock progressivo, e por boas razões. O grupo estava passando por uma transição, o cantor principal Rod Evans e o baixista Nick Simper estavam para ser despachados da formação em breve logo que o album estivesse finalizado (mesmo que não tenham sido avisados até três meses após), o organista Jon Lord e o guitarrista Ritchie Blackmore tendo percebido limitações no trabalho em termos de onde cada um queria chegar. E por entre as sempre grandes ambições de Lord a favor de fundir clássico com rock e o ataque sempre audacioso da guitarra de Blackmore, ambas as quais começaram a se fundir com a sessão para "Deep Purple" em 1969, o grupo conseguiu criar um LP que combinou o excitação crua, intensidade e ousadia dos primórdios do heavy metal com a complexidade, o escopo intelectual e a virtuosidade do rock progessivo em ambos os níveis. Em "The Painter", "Why Didn´t Rosemary" e especialmente "Bird Has Flown", eles lançam um fascinante balanço entre todos aqueles elementos, e o trabalho de Evans na última é uma das performances vocais fundamentais na história do rock progressivo. "April", uma suite de três partes com acompanhamento orquestral, é em geral párea para tais esforços similares do The Nice como "Five Bridges Suite", e ganha pontos extras por dar crédito à sua audiência por uma sessão evolucionista geniosa relativamente longa, e por incluir um sério interlúdio orquestral que faz mais que apenas incluir um som bonitinho, explorando o timbre de vários instrumentos e também as características do todo. E mais ainda, a banda lança mão de uma versão hard rock, bem honesta de "Lalena" de Donovan, com uma quebrada de orgão que mostra o débito de Lord com o jazz moderno e também com o treinamento clássico. Ao todo, em meio a todos esses elementos, o acompanhamento orquestral, o embalezamento clavicórdio e gravações de orgão e bateria ao contrário, "Deep Purple" mantém junto incrivelmente bem um corpo de música. Este é um dos albuns mais sustentadores do rock progressivo de todos os tempos, e uma visão bem sucedida de um caminho musical que o grupo poderia ter seguido mas não o fez. Ironicamente, o selo americano do grupo, Tetragrammaton Records, que estava rapidamente aproximando-se da bancarrota, lançou este album bem mais cedo que a EMI na Inglaterra, mas deu de cara com problemas por causa da pintura de Hieronymus Bosch na capa, "The Garden of Earthly Delights". Mesmo que a pintura já tenha sido exposta no Vaticano, o trabalho foi fortemente perseguido por conter imagens profanas e nunca fez estoque em nenhuma loja como deveria ser por medo dos compradores.
Este disco também foi relançado pela EMI em 2000, remasterizado e com vários extras, para quem interessar mais.
Very solid Purple.



Cream - Disraeli Gears


Começou como uma piada. Mick Turner um dos roadies da banda estava conversando com o baterista, Ginger Baker, como ele incrementou uma bike com "Disraeli Gears". Ele quis dizer, é claro, derailleur gears (descarrilador de marcha), mas a banda achou o engano hilário e daí nasceu o nome de um dos maiores albuns psicodélicos do Reino Unido.
Por volta de 1967 Cream quase queimou a largada. "Fresh Cream", seu primeiro album foi lançado às pressas e era quase purista demais nos padrões blues e velharias, e já em 1966 era considerado fora de época com o que acontecia no mundo então. "I Feel Free" já tinha flertado com a forte corrente lisérgica, mas eles ainda estavam por encontrar a terra prometida no underground de Londres. Uma razão para isso ter acontecido foi o background da banda, não somente no blues (ao tempo que Eric Clapton deixou John Mayall´s Bluesbrakers) mas também no jazz. Ambos Jack Bruce e Baker tendo passado um tempo com Graham Bond. Por sorte esse diverso background foi de grande valia para o próximo passo da banda.
Neste segundo album as coisas saíram diferentes. As químicas tornaram-se parte, Clapton fez uma grande amizade com o artista australiano Martin Sharp que não somente ajudou nas letras de "Tales of Brave Ulysses" mas também veio com a esplêndida capa barrôca. Enquanto isso Jack Bruce estava agora trabalhando com o poeta underground, Pete Brown, do qual as letras são igualmente viajantes. "SWLABR" (que quer dizer "She walks like a bearded rainbow"), "Dance the Night Away" e "Sunshine of Your Love" foram perfeitos encapsulamentos de quando o blues tornou-se psicodélico e em troca tornou-se pesado. O riff de "Sunshine of Your Love" é totalmente icônico e define a estética do power trio que estava para tornar-se tão popular entre os muitos discípulos que estavam por vir.
O outro catalizador criativo foi o produtor Felix Pappalardi. Com co-autoria em "World of Pain", ele também ajudou a transformar a bluseira "Lawdy Mama" na marota "Strange Brew", uma candidata a melhor faixa de abertura de todos os tempos. A guitarra de Clapton agora tinha sido exposta aos efeitos de estilos mais pesados de Jimy Hendrix e seu uso pesado de wah-wah dá ao "Disraeli Gears" uma certa dose de estanheza, fazendo deste provavelmente o album mais experimental que ele já fez. A estilosa inclusão da redenção de Ginger Baker com "Mother´s Lament" foi a chave de ouro.
Para o destino final da banda, dois anos depois Clapton voltou para seu grande amor, o blues. E a banda tornou-se essa saudosa memória descrita aqui. Por um curto período eles trouxeram paz e amor para o mundo.
Creams masterpiece.