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Soilwork - The Panic Broadcast [Limited Box Edition]


"The Panic Broadcast" não foi somente um lançamento crucial para o Soilwork, foi também o album que definiu o que a banda se tornou. As raízes de death metal melódico são agora nada mais que fragmentos espelhados pelos riffs e solos de guitarra, tendo alguma influência sobre a direção da música, mas para todos os efeitos deixadas para trás, até que enfim. Ao invés, o album começa com "Late for the Kill, Early for the Slaughter", uma adaptação bastarda demetal alternativo, nu-metal, death metal melódico e até mesmo thrash, enquanto isso tudo permanece por bem ou por mal até o fim do disco. Baseados fortemente em passagens pegajosas e refrões cantadinhos em coro seguem uma fórmula previsível do metal moderno com passagens de vocais limpos e padrões pesadões nos versos também. Isso soa ruim mesmo, especialmente considerando que "Late for the Kill, Early for the Saughter" é uma das músicas mais fracas do album, e foi colocada por razões obscuras como faixa de abertura. Entretanto, isso pinta um quadro borrado e injusto do album, escondendo o quão sólidas algumas faixas de "The Panic Broadcast" são.
Os vocais limpos e o solo de guitarra ressonante em "The Thrill" são um bom exemplo do porquê do sucesso de "The Panic Broadcast". Seu valor de "hit" é massivo. Não é música para ser levada tão seriamente, mas para ser ouvida ocasionalmente, e é justamente aqui que o valor do album realmente aparece. Os vocais de Strid, realmente, não chegam nem perto da perfeição. Seus guturais não são profundos nem brutais, mas sim são pseudo-gritos que encaixam-se bem ao passo das músicas. Junte isso com guitarrinhas mais brandas que saem bem do death melódico de Gothenburg, e você tem uma receita para uma audição cativante que não se leva tão a sério ou tenta aventurar-se por lugares pelos quais não deveria. De fato, qualquer um familiar com o estilo do Soilwork não sentirá muita diferença no som em geral, mas sim a mudança será notada na qualidade das músicas. O coração do album contém faixa após faixa do melhor material produzido pelo Soilwork em sete ou oito anos, e realmente, o que mais alguém poderia querer aqui?
A vazada acústica no final de "King of the Threshold" desliza lindamente para "diferentona" "Let This River Flow", uma faixa que leva o ouvinte com as guitarras que dobram-se sobre si em um movimento não usual no som da banda que define o fator crucial do sucesso de "The Panic Broadcast". O brilhante porém não exagerado instrumental juntamente com a letra muito bem escrita, fazem as pequenas escorregadas dos vocais de Strid não terem importâcia alguma e até nem serem notadas. Não é um album para puristas, já fica o aviso, mas se o ouvinte não ligar para a fórmula que já foi feita anteriormente, e nem para essas transições de vocais gritados para limpos nas músicas, então não há com o que se procupar aqui. As poucas músicas que são realmente ruins aqui são logo esquecidas com a sucessão de bons sons no decorrer do album. Parece que o Soilwork está numa ascendente pelos próximos anos pelo que se pode notar em "The Panic Broadcast".
A mixed bag here.

Deftones - Saturday Night Wrist


Três longos anos após o Deftones lançar seu auto-intitulado de reviews boas e ruins, o quinteto de Sacramento voltou com "Saturday Night Wrist", gravações que no futuro jogaram lama sobre o que eles eram e o que estavam tentando fazer. Depois do grande sucesso metálico de "Around the Fur", a banda confundiu a crítica e os fãs com o mais leve e aventuroso "White Pony". Em 2003 eles transgrediram ainda mais a expectativa encaixotada e dita normal com seu album auto-intitulado, que parecia andar na linha entre o roqueiro e o sensível. Mas é "Saturday Night Wrist" que preenche o retrato, sangrando através de texturas entre um rock & roll e outro e terminando com algo além porém ainda bem a cara Deftones. O album começou com uma questão e um conflito em dicidir um produtor. Já trabalhando com o produtor de hip hop Dan the Automator, após algum drama interno a banda decidiu pelo veterano Bob Ezrin. Ezrin valeu a pena de várias maneiras: essas canções, diversas como ficaram, são disciplinadas sonoricamente apesar de tudo. Elas têm toda a tensão e dinamismo, todo o imediatismo de antes, mas a mistura é espaçosa, e o vocal de Chino Moreno eleva-se sobre o todo. Dito isso, os vocais foram produzidos por Shaun Lopez do Far. A parede de som de guitarras transita entre um rock mais pesado e metálico e um indie rock anguloso, espiralando tudo junto no final. Vide a faixa de abertura, e single, "Hole in the Earth". Começa com uma parede de guitarras distorcidas trovejantes enfatizadas por rim shots e fogo de pratos antes de dar passagem para uma figura de esquelética de seis cordas que parece que mal irá suportar os vocais de Moreno, que combina uma euforia de um mais jovem e menos pretencioso Bono com o ataque, bem, de Deftones mesmo. As guitarras ecoam e sussurram por todo o fundo enquanto Moreno paira sobre elas, até que voltem com o porrada para trazê-lo de volta.
Uma batera bem agressiva e guitarras distorcidas anunciam "Rapture", enquanto Moreno cospe e grita as letras. Até aqui, o ataque é direto enquanto se retorce todo em cantos pontudos e mudanças rítmicas. Há uns dubs digitais matadores colocados em "Cherry Waves", dando ao som um efeito de psicodelismo abençoado enquanto a banda casa uma putaria de Smahing Pumpkins antigo, com os grandes riffs abertos de Jane´s Addiction, e o melhor cintilar do U2 enquanto joga tudo em um compasso de oito tempos da "Overture" de "Tommy" do The Who. Poderia dar em uma grande zona, mas funcionou maravilhosamente bem. Serj Tankian do System of a Down ajuda com vocais adicionais em "Mein" e Annie Hardy do Giant Drag em "Pink Cellphone" (que nome mais idiota). O space pop pingado que é "Xerces" mostra Moreno respirando um pouco perto demais de Billy Corgan para se acomodar nos versos. As guitarras esmirilhantes em "Rats!Rats!Rats!" são uma mudança de textura bem vinda, e os esmagadores verso e refrão são malvadões. O ataque rock mais direto vem em "Kimdracula", com seu riff de baixo pulsante e guitarras ressaltantes; empurra Moreno um pouco além do tom para adequar-se com o som.
No geral, "Saturday Night Wrist" é satisfatório, entretanto demora algumas ouvidas para pegar o gosto devido às mudanças e pirações todas que tendem a misturarem-se nas primeiras vezes. O melhor de tudo, foi que o Deftones mais uma vez fez seu próprio som característico apesar da história toda envolvendo o album. Tem bastante coisa para os que não conhecem muito a banda reclamarem também.
Beautiful and timeless.

Rollins Band - Weight


Em "Weight", Rollins Band consegue misturar punk, jazz e progressivo transformado tudo em um hard rock/metal bem doido. As letras de Henry Rollins também começaram a sair de sua implacável auto-crítica, dando um toque de humor à sua auto-flagelação. A nova dimensão lírica acabou dando uma profundidade maior ao som da banda, fazendo de "Weight" o melhor album deles até então.
Though Rollins as usual.

Jane´s Addiction - Strays


Mais de duas décadas atrás, Jane´s Addiction emergiu da bagunçada cena punk/metal/glam de Los Angeles como uma bola de sons e imagens mutantes. Liderada pelo enigmático Perry Farrel, a banda lançou-se à frente com sua mistura única de influências musicais, abrindo caminho para o gênero que tornaria-se conhecido como alternativo.
Uma breve carreira se encerrava enquanto a banda desmontava-se em uma névoa de drogas e amargura, deixando somente um punhado de registros (com uma impressionante reputação entretanto) como legado. A importância de Janes´s Addiction para a germinação da música dos anos 90 é uma dádiva, e é surpreendentemente irônico que o grupo não estivesse em pé tempo suficiente para aproveitar os resultados. Depois do grupo desmanchar-se, Farrel formou o Porno For Pyros com o baterista Stephen Perkins, e alavancou o conceito do bem sucedido festival Lollapalooza. O baixista Eric Avery buscou outros interesses, enquanto o guitarrista Dave Navarro focou-se em seu talento como membro substituto no Red Hot Chili Peppers (A relação incestuosa entre Jane´s e Peppers continuou, até o ás baixista dos Chili, Flea juntou-se a Navarro, Farrel e Perkins por um breve período em 1997).
Após tão extenso período de tempo separados, parecia pouco provável que Jane´s Addiction se reconciliaria para gravar um novo album, tão pouco produzir um belo trabalho como "Strays". Foi exatamente o que a banda fez.
Mais velhos, mais maduros, mais tolerantes, e em geral mais limpos, Farrell, Navarro e Perkins juntaram forças com o baixista Chris Chaney na versão novo milênio de seu reverenciado grupo (Avery preferiu não voltar grande parte por suas pendengas ainda existentes com Farrell). Enquanto os fãs leais ficaram felicíssimos com o novo disco, ele foi um salto à frente do Jane´s Addiction que as pessoas conheciam e amavam de muitos anos atrás.
Talvez um sinal do amadurecimento do grupo, talvez meramente um reflexo dos novos tempos, "Strays" é um album de rock feito a nível de expert, com uma latente falta da sensibilidade alternativa da Jane´s do início. O choro agudo atormentado de Farrell se foi, substituído ao invés por vocais mais ricos e cheios de emoção. O estilo poderoso porém limitado de Navarro amadureceu em riffs pesados mais ornamentados remanescentes dos melhores trabalhos de Slash. A bateria de Perkins é complementada pelo alto nível de estúdio de Chaney, fazendo assim uma fundação rítmica precisa. Adicione à mistura os talentos monstruosos de Bob Ezrin na produção, o resultado final acaba sendo "Strays".
A visão e as letras de Farrell sempre foram a força guia por trás dos sucessos gravados da banda, particularmente o aclamado album "Ritual de lo Habitual". Há lembranças do som tradicional da Jane´s nas novas canções "Price I Pay" e "Everybody´s Friend", onde a sensibilidade de Farrell é enfatizada pela familiar melancolia, fazendo esse par de faixas ficar o mais perto do Jane´s antigo do que qualquer outra em "Strays". Mesmo que o conteúdo lírico do album seja consistentemente forte, as nove faixas restantes adquirem verdadeira vida através do eletrizante trabalho de guitarra de Navarro. "True Nature" e "Just Because" podem ter sido mais visíveis por causa da exposição de radio/video, mas "Superhero" e "Wrong Girl" servem como a revelação do guitarrista, enquanto ele impressiona os ouvintes com uma superba execução e estampa o album com seu distinto estilo pesado.
Até mesmo Perkins teve a chance de curtir estar sob os holofotes, quando sua feroz bateria abre caminho em "Hypersonic", três minutos e meio de boa música veloz. É facilmente a faixa mais dinâmica das 11 oferecidas.
No começo dos 90, comparações entre Jane´s Addiction e bandas de rock pesadas poderiam ser vistas como heresias de música alternativa. Dito isso, essa nova encarnação da banda, com seu som mais orientado para os riffs, lembra mais de perto a destreza original de Led Zeppelin do que qualquer coisa da era original da Jane´s.
O album de qualquer forma recebeu críticas positivas em geral e serviu como um reencontro longamente esperado pelos fãs. Além do mais, mostrou um amadurecimento da banda em vários sentidos, inclusive entre eles mesmos e suas desavenças do passado.
This addiction isn´t bad for you.


Scars on Broadway - Scars on Broadway

Drogas, criticas ao governo e um estilo muito próprio eram o que faziam do System of a Down uma banda extremamente única e muito boa, mas quem diria que a genialidade iria continuar mesmo após a banda dar um tempo? Daron e John provaram que mesmo sem o Serj podem dar conta do recado, mesmo com a carreira solo de Serj sendo ótima, Daron e John mostraram que o lado mais "barulho" do System é feito por eles. Com as melodias sendo ótimas, e as linhas de vocal do Daron bem trabalhadas, não havia nada que impediria esse de ser um ótimo álbum. Os caras começaram bem, mostrando que sabem abrir um álbum, a faixa Serious mostra bem a cara do álbum, com um metal, passando por fraseados calmos, e por aí vai. A cabeça de Daron se mostra mais aberta com o Scars, com a existência de uma segunda guitarra, e até um órgão que é extremamente valorizado em algumas faixas, como Stoner Hate que fala de Charles Mason. O Álbum conta com algumas baladinhas, mas a 3005 é oficialmente a baladinha mais "badalada" do álbum, começada com um slide e guitarras limpas, até o refrão distorcido continua com o clima "down" da faixa. Destaques para Chemicals que é uma faixa bem diferente, e tenho de dizer que é a minha favorita do álbum, com letras sujas e o refrão bem porco, ótima faixa. E They Say que é um dos singles do álbum. Ótimo cd, para fãs de SOAD que sejam fãs do lado mais "noise" da banda. Download - Mediafire

Jerry Cantrell - Boggy Depot


Com o Alice in Chains em hiato na época, devido às drogadições de Layne Staley, o guitarrista riff master da banda lançou um CD solo que mais parece uma sequência sludge-rock do "Alice in Chains" de 1995. O album abre promissor com a bate cabeça "Dickeye" e a estilosa "Cut You In". Mas "Boggy Depot" logo torna-se uma decepção caindo em um retro-grunge, e o ouvinte se pega sentindo falta do tenor de Staley ao invés do vocalzinho de Cantrell.
Bogged down this one.



L7 - Bricks Are Heavy


Mesmo vindas de L.A., L7 tornou-se o poster do grunge em 1992 com o sucesso meteórico do terceiro album, "Bricks Are Heavy". Enquantos seus esforços prévios tinham soado mal feitos e inconsistentes, o produtor de "Nevermind" Butch Vig ajudou as garotas e conseguir um som bem sólido em "Bricks", forçando-as a focarem-se nas composições ao extremo. Além do mais, grandes albuns necessitam de grandes canções, e é exatamente o que temos aqui. O hino de mosh-pit "Everglade" (cantada pela baixista Jennifer Finch) simplesmente irá chutar sua bunda, e o grande single "Pretend We´re Dead" é tão bom que sua postura remonta hinos de bandas femininas seminais como "I Love Rock´n´Roll" de Joan Jett, "Hit Me With Your Best Shot" de Pat Benatar e até as Go Go´s, bem, talvez não elas. A cínica "Diet Pill" lança ao ar as copulsões femininas com uma ironia esperta, e mesmo quando elas pisam fundo na velocidade em mega riffs como em "Wargasm" "Mr. Integrity", L7 ainda consegue encaixar suas letras com humor e substância. Inevitavelmente, algumas canções (especialmente "Slide") tendem a forçar a barra a la Nirvana, mas deixando de lado o envolvimento de Vig, essas quatro mulheres faziam isso há tanto tempo quanto o trio de Seattle. O que alcançaram em "Bricks Are Heavy", foi obviamente algo que nunca mais conseguiriam atingir novamente, e a banda gradualmente foi caindo no esquecimento desde então.
Nostalgic for grungelikes.



Alice in Chains - Greatest Hits


"Greatest Hits" não é, infelizmente, o antídoto para a compilação fiasco de "Nothing Safe: Best of the Box", mas sim uma amostra com dez músicas da carreira de Alice in Chains com baixo custo. As canções são na maioria boas e bem escolhidas, mas infelizmente, há simplesmente muito poucas. "Greatest Hits" servirá as necessidades dos fâs casuais que somente querem dez das melhores músicas de Alice in Chains em um só disco sem gastar muita grana, mas existem muitos outros bons momentos no catálogo da banda para fazer desta uma boa compra no final das contas.
Maybe just what you wanted.


Como guitarrista e vocalista de uma das bandas de rock americanas de maior sucesso na época, Josh Homme da Queens of the Stone Age pega pesado aqui e leva o album "Lullabies to Paralyze" praticamente nas costas. O album anterior das Queens, "Songs for the Deaf" de 2002, trouxe Dave Grohl dos Foo Fighters de volta ao pedestal da bateria que ele abandonou pós Nirvana e elevou as Queens ao mainstream de platina com os estrondosos sucessos de rádio e MTV "No One Knows" e "Go With the Flow".
A partida de Grohl era predestinada, mas poucos poderiam prever Homme despedir o baixista fundador Nick Oliveri, um selvagem instrumentista com uma conexão musical telepática com Homme que definia a fúria da banda. "Lullabies to Paralyze", o quarto album das Queens, sofre com a partida de Oliveri e a ausência de Grohl. O baterista Joey Castillo não tem a pegada de Grohl, e baixistas tapa-buracos não conseguem repor a destreza melódica de Oliveri ou sua habilidade natural de tocar em torno dos riffs rígidos de Homme.
Desde que se distanciou de seu início adolescente como guitarrista da banda de stoner-metal Kyuss no começo dos anos 90, Homme se viu pego entre estéticas opostas. Ele ama uma estensa jam (o primeiro album das QOTSA, e todos aqueles discos das Desert Sessions) também várias piadas e gozações (os falsos anúncios de rádio que interrompem "Songs for the Deaf", e sua bateria no projeto paralelo de garage-pop Eagles of Death Metal). Ele também admira extrema disciplina, mesmo tenso, um groove de teutonic-rock, um pequeno mas devastador riff ou um arranjo pop disfarçado. Parece que são essas tensões entre os impulsos de Homme que pressurizam os pontos mais altos de "Lullabies to Paralyze" e também explica os baixos.
Você provavelmente já ouviu muitas vezes "Little Sister", o primeiro grande single de rock que estourou nas rádios em 2005. Parece mais Foo Fighters do que qualquer coisa das QOTSA criada com Grohl, essa boa canção (linhas de guitarra distorcidas e um coro de refrão explosivo) anuncia um movimento adiante do tradicional hard rock para um punk arte estilo Strokes e outros modernosos da vida. Homme fica ainda mais eletrizado em "Medication", que eleva o alarde comum das QOTSA para um zumbido combustível, a banda pendura-se em uma corda pela maior parte dos dois minutos, e abruptamente dá umas paradas e troca o tom para aumentar o drama que transpassa o som.
"Everybody Knows That You´re Insane" parece uma balada de despedida para Oliveri no início. Começando com uma lenta slide guitar que grita como "Freebird" de Lynyrd Skynyrd sobre os momentos finais de "I Want You (She´s So Heavy)" dos Beatles, cria um falso senso de serenidade antes do pulo para a próxima parte que vem rápida e pesada. As guitarras guiam os tensos versos de Homme evocando os Buzzcocks com muito mais finesse do que bandas como Green Day já tentaram fazer.
"Lullabies" declina quando Hommes volta para a longa riffagem de seu passado. As seguidas "Someone´s in the Wolf" e "The Blood Is Love" são jams monstras que ocupam quase catorze minutos que desfazem o momento criado pelas oito faixas anteriores. Passagens subsequentes como a martelada de pianos "Broken Box" e a introspectiva "Long Slow Goodbye" lembram um pouco mas falham em alcançar a intensidade da primeira metade do album.
A aparição do antigo contribuidor da banda Mark Lanegan nas faixas não teve o impacto dos albuns anteriores, e Shirley Manson do Garbage e Broddy Dale dos Distillers ficam pouco evidentes em "You Got A Killer Scene". O único de fora que adiciona algo que Homme não poderia ter cantado ou tocado ele mesmo é Billy Gibbons do ZZ Top, que manda sua apimentada guitarra texana na estilo White Stripes, "Burn the Witch". Com Homme no controle absoluto, ele fica sem um maníaco antagonista ao seu lado centrado e também às suas inevitáveis pirações de algo que ele faz melhor: rock como chocolate preto amargo com um recheio gosmento no meio.
Forget the hype.

Tool - Ænima

Em seu terceiro album, Tool explora o território do rock progressivo previamente forjado por bandas como King Crimson. Entretanto, Tool é conceitualmente inovador em cada minuto de sua arte, o que lhes põe aparte da maioria das outras bandas. Não se engane, este não é um disco da coleção de seu pai. Musicalmente, a banda nunca soou tão bem como aqui. Longas passagens explanatórias são tocadas com incrível precisão, detalhes e clareza, complementando as partes mais curtas, abrasivas e agressivas do album. Não há aquele compromisso exagerado de nenhum membro da banda, somente cada um descobrindo a dinâmica de seu respectivo instrumento e levando a capacidade física ao limite. Tópicos como as filosofias de Bill Hicks (eloquentemente expostas no encarte), evolução e genética, e falso martírio irão voar sobre as cabeças dos ouvintes casuais. Mas aqueles ouvindo mais seriamente irão descobrir algo mais. Um catalizador lhes encorajando a descobrir um mundo em suas voltas ao qual eles poderiam estar cegos até então. Se essas não forem razões suficientes para ouvir "Ænima", então o ouvinte pode voltar para o fácil de engolir comercial.
Not your average metal album.

Chevelle - Point #1



Album debut da banda em colaboração com Steve Albini, que resultou em um poderoso e empolgante indie rock. Ritmos dinâmicos e melodias predominam pelo album, e músicas como "Open", "Dos" e "Blank Earth" combinam delicados interlúdios com explosões de barulho. Na linha da ambiciosa cena rock de Chicago, Chevelle consegue bem alcançar seu objetivo.
Para deixar claro, Chevelle nunca lançou nada extraordinário inovador e provavelmente nunca lançará. Se for possível aceitar isso, então fica fácil de curtir o som da banda.
O que eles fizeram neste primeiro album foi chegar mais perto de algo único e inovador em toda a carreira da banda. Os últimos albuns mostram isso.
A great start.

Stone Sour - Come What(ever) May

O que separa Stone Sour dos outros de seu gênero, é a capacidade da banda de criar músicas de metal alternativo fáceis de tocar e serem ouvidas no rádio, sem aborrecer um público já cansado de tantos grupos pós grunge. O segredo está no estilo único do guitarrista James Root e na solidez intensa do baterista Roy Mayorga. Root e o vocalista Corey Taylor recriaram o Stone Sour após o sucesso de Slipknot no final dos anos 90. A intenção da banda era criar um ambiente mais introspectivo, melódico e criativo para eles sem decepcionar os fãs do Slipknot. Stone Sour é mais pesado do que a maioria dos grupos de metal alternativo, incorporando um heavy metal bem barulhento em várias músicas.
O agressivo album debut da banda auto intitulado foi mais uma remanescência de Slipknot, mas "Come What(ever) May" vai bem mais além, saindo do shock rock e rap rock que originalmente levou o Slipknot ao sucesso. Taylor solta seu vocal guturalizado (que se destaca bastante de seus contemporâneos) ocasionalmente, mas talvez não tanto quanto deveria. O melhores momentos do album são sentidos quando suas potentes cordas vocais, juntamente com riffs pesados de guitarras distorcidas e bateria com pedal duplo, abrem caminho pela produção aqui impecável. O album começa forte com o baixo e bateria pesados de "30/30-150". A música explode das caixas, sendo uma abertura sólida para um album que mistura rock alternativo, metal pesado e pós grunge. Infelizmente, nem todo o album é interessante. "Through the Glass" por exemplo vez com todo seu charme adolescente, mas é tão teen que fica difícil suportar se o humor da pessoa estiver um pouco irritadiço. O mesmo se aplica para "Sillyworld", uma faixa chatíssima com um leve toque de Pink Floyd.
De qualquer forma "Come What(ever) May" vem com vários momentos legais, e foi uma promessa de talento no marasmo do metal alternativo.
A good follow-up.

Korn - Live: The Encounter

Audio do DVD lançado em 11 de julho de 2010 para promover o album de estúdio "Korn III: Remember Who You Are", que foi ao ar pela HDNet e streamed no Myspace da banda.
No começinho de julho a banda lançou alguns videos estranhos, contendo imagens de círculos em plantações e imagens de UFOs, com a notícia de que fenômenos estranhos estavam ocorrendo em Kern County (região da California). O logo da banda aparecia em uma plantação em um dos videos. A banda trabalhou com os malucos de um grupo que faz esses círculos (circlemakers.org). Finalmente em 7 de julho a banda anunciou "Korn Live: The Encounter, A Concert for Korn III: Remember Who You Are" um show ao vivo que aconteceu em 24 de junho nos círculos vistos antes nas plantações. O tema não usual do show foi inspirado no show da banda Pink Floyd "Live at Pompeii", o video de 80 minutos inclui várias músicas do album novo além de músicas antigas e favoritas dos fãs. O vocalista Jonathan Davis declarou que o show marca "um retorno às raizes da banda e uma nova forma de experimentar nas performances ao vivo", enquanto o guitarrista "Munky" Shaffer descreveu ser "uma nova fronteira musical para o Korn".
Curiosamente este é o primeiro show da banda a não conter a música "Blind" que vinha sendo tocada em todos os shows desde o primeiro da banda em 1993.
Show bem legal, vale a pena botar as mãos no DVD quem puder.
Interesting material.

Helmet - Size Matters

 O Helmet ressurrecto invoca um Page Hamilton mais gritador contra uma nova seção rítmica, mas essa é a única mudança. Page Hamilton o fundador da banda e compositor principal é o único membro original a tocar no album. Alguns fãs antigos da banda recusam-se a considerar este um album do Helmet e sim um projeto solo de Page Hamilton. De acordo com ele, John Stanier (bateria) e Henry Bogdan (baixo) recusaram-se à reunião.
O album apesar de tudo carrega a marca registrada de Page Hamilton com sua guitarra característica em staccato. Os outros músicos do album foram John Tempesta na bateria e Chris Traynor no baixo (guitarrista na turnê de "Aftertaste"). Depois das gravações entrou Frank Bello no baixo e Traynor pode voltar para a guitarra.
Em geral não é um disco ruim como se fala tanto pela mídia, internet e até fãs. Se a gravação fosse estilo lo-fi como as antigas muita gente estaria elogiando mesmo se fossem exatamente as mesmas músicas gravadas. Os vocais de Hamilton estão em geral mais roucos ou mais podrões do que antes mas nada que descaracterize o estilo da banda.
Quem continua torcendo o nariz para este disco está perdendo bastante pois o album é daqueles que ficam melhores a cada audição.
Screw nu metal this still Helmet.

System of a Down - System of a Down



De fato, este self-titled em comparação com os outros albuns é bem mais direto na veia, ponto final.
No início após o lançamento alcançaram um moderado sucesso com o primeiro single "Sugar" que tornou-se uma das favoritas no rádio, seguida pelo outro single "Spiders". A banda fez uma longa turnê para promover o album com Slayer e Metallica antes de abrir caminho até o segundo palco da Ozzfest. Após a Ozzfest, saíram em turnê com Fear Factory e Incubus até serem a atração principal na Sno-Core Tour com Puya, Mr.Bungle, The Cat e Incubus como bandas de suporte.
A capa do disco é um poster da Segunda Guerra de John Heartfield para o Partido Comunista Alemão. A parte de trás do CD traz a seguinte mensagem: "As the century nears its formidable end, our global experience of universal proportions, predicted by many greats, will arrive at our solar system, to our System Of A Down. Authoritarian Oppression, family abuse, depression caused by conformity, and economic devastation will be neutralised by technological terrorism in times of complete chaos. Control will never again be gained for toleration will become extinct. A husband quarreling with his wife will not think twice or regret his spent bullet. Hungry children will not spare the grocer. Remorse in all forms will be removed from human thoughts and actions. Freedom will only be available through revolution or death. This system of a down is unavoidable as life on this planet becomes unnecessary.о The hand has five fingers, capable and powerful, with the ability to destroy as well as create. We have the power to stop and reverse the tides of time by making our awareness of abuse known to the powers of industry and their uncouth political arms. Only by raising this awareness and promoting personal peace within today's self-defeatist society, can we allow the planet a chance to avoid self-destruction! Open your eyes, open your mouths, close your hands and make a fist."
O som é um híbrido de um explosivo rap-metal, letras politicamente incendiárias e influências de vários estilos e culturas. Os membros da banda são descendentes de armênios mas seus estilos de tocar transcendem qualquer rótulo fixo. Os gritos do vocalista Serj Tankian podem competir com qualquer roqueiro de qualquer banda desse mundão, mas sua marca registrada são seus acordes melódicos e intensos como em "Spiders" e na condenatória "P.L.U.C.K." que trata do genocídio de milhares de armênios pelo governo turco em 1915. O resto da banda segue a mesma linha em arranjos instrumentais primorosos como em "Know", "Ddevil" e "CUBErt". A diversidade musical aparece em canções como "Sugar" e "Suggestions", com estonteantes mudanças de tempo e intensidade. As músicas "Peephole" e "War?" revelam um lado mais eclético da banda, com riffs influenciados pelo estilo do leste europeu, enfáticos gritos de guerra e samples produzidos pelo lendário Rick Rubin.
A banda costuma ser chamada de numetal porém escutando este CD fica impossível fazer qualquer relação com esse errôneo rótulo.
Psychotic jewel.

Slipknot - Mate. Feed. Kill. Repeat.



O Slipknot formou-se em 1995 e após várias mudanças de formação lançou sua primeira demo independente em 1996. Em 1995 a banda e o produtor McMahon entraram no estúdio SR Audio em Des Moines para trabalhar no que seria o debut album da banda. A própria banda bancou as gravações que custaram 40.000$ dolares. A banda declarou ter aprendido bastante no processo de gravação especialmente como capturar sons adicionais percussivos que mostraram-se difíceis de gravar. Buscando um som mais tribal a banda esbarrou em problemas de timing minúsculos e durante esse período refinaram seu som percussivo experimentando com paredes ao redor para isolar o som e rearranjando peças. Em fevereiro de 1996 durante o processo de mixagem o guitarrista Donnie Steele resolveu deixar a banda por motivos religiosos, como resultado o guitarrista Craig Jones juntou-se a banda para completar a vaga. Entretando a banda achou que estavam usando samples demais nas gravações que depois não poderiam reproduzir ao vivo. Para resolver o problema Jones foi para o sampler e Mick Thomson entrou para a guitarra. A banda lançou a demo em uma festa na boate The Safari onde posteriormente a banda tocou muitas vezes.
Originalmente lançada no Halloween de 1996, teve a produção limitada de 1000 cópias. A banda no início começou a distribuir as cópias por conta própria, para fãs sortudos, estações de rádio e gravadoras, mas acabou lançando as cópias restantes pela -ismist Recordings em junho de 1997. Devido a sua produção limitada as cópias originais passaram a ser bastante procuradas por fãs depois que a banda ganhou fama. Em 2007 uma cópia foi vendida no eBay por 760$ dolares. Há também muitas versões piratas por causa do número limitado de cópias originais, em CD e até em vinil. Depois de 2003 nenhum membro da banda tinha mais nenhuma cópia original da demo.
Apesar de ser considerado o primeiro album, a banda considera como uma demo sendo que as músicas foram lançadas futuramente, modificadas e melhoradas. O som tem várias influências incluíndo funk, jazz e disco que desapareceram nos trabalhos posteriores. Muitas das letras e o título do album derivaram do jogo de rpg "Werewolf: The Apocalypse", que o vocalista Anders Colsefini e o percussionista Shawn Crahan jogavam e acabou influenciando a banda como um todo. Colsefini declarou: "A atração era de poder encarnar outra pessoa", dizendo que essa era a essência do Slipknot. As letras e os temas melódicos apresentam uma estrutura não convencional, que desapareceu nos albums posteriores também. O estilo musical da banda foi frequentemente contestado devido aos gêneros que o som da banda cobre, entretanto essa demo é o trabalho mais experimental deles e significativamente diferente do som mais pesado que a banda ficou conhecida. Um dos objetivos iniciais da banda era fazer um som que misturasse vários gêneros e com isso alcançasse um estilo próprio, a banda chegou nos primórdios a usar o nome de "Meld" baseado nisso. Entretanto essa temo tem muito do som que tornou banda conhecida depois. Faixas como "Slipknot", "Some Feel" e "Only One" apresentam uma influência dominante de heavy metal, especialmente nas guitarras. Faixas como "Tattered & Torn", "Killers are Quiet" e "Gently" são mais lentas e apresentam aquela espécie de agonia rítmica que marcou o estilo da banda posteriormente. O jazz e o funk aparecem no disco porém a música "Confessions" é a única em que esses estilos são predominantes. "Do Nothing/Bitchslap" é a faixa mais complexa do album combinando jazz, funk e elementos de disco.
Em geral um album bem interessante e diverso. Bem antes do besteirol e esquema de mídia em cima da banda. Começaram bem com a demo e acabaram bem como banda, uma fórmula que precisa ser estudada pelas bandas iniciantes, para que aprendam a traçar um plano e executá-lo como esses caras mostram aqui.
Slipknot's treasure.

Incubus - S.C.I.E.N.C.E.

Enquanto a mídia ficava em cima de sons de Korn, Rage Against the Machine e Limp Bizkit, Incubus quietamente fazia sua turnê de "S.C.I.E.N.C.E.", seu primeiro LP por um selo grande. As influências hip-hop da banda vêm de seu DJ e baixista ao invés de seu vocalista. O vocais de Brandon Boyd atingem qualquer alcance desde sussurros até coros de funk e gritos do hard rock. Há também elementos de trip hop como em "Magic Medicine". Muito louco o album começar dizendo: "Imagine your brain as a canister filled with ink", e essa doideira perdura do começo ao fim, liricamente audacioso e sem impedimentos.
Os varios estilos presentes no album se misturam harmoniosamente, dentro do estilo característico da banda que procurou deixar tudo dançante e pesado ao mesmo tempo. Mais qualidade e ao mesmo tempo mais decibéis. Cinco estrelas pelo som e pela originalidade.
Para os fãs recentes que conheceram a banda na Mtv este disco é uma aula, pela unicidade, a banda já foi muito mais experimental e original, e neste CD, possivelmente o melhor deles, pode-se notar o quão criativos foram.
A banda toda prima pela versatilidade e talento ao longo das canções e a diversidade e experimentalismo dão uma característica única a este album, em um território até então só explorado por poucas bandas como 311. Além do mais que este disco não é tão meloso como os posteriores, ele é contundente.
Do ponto de vista técnico musical resume-se a um album eclético, original, interessante a cada audição, super bem executado e o melhor de tudo que é divertido.
Será que o rock atual consegue ficar melhor que isso?
Para os ainda não fãs da banda o ponto certo para começar a escutar.
Uma palavra para o disco: awesome.