Showing posts with label rap. Show all posts
Showing posts with label rap. Show all posts

Run-D.M.C. - Run-D.M.C. [Deluxe Edition]

Muita gente gosta de dizer que eles foram os Beatles do hip-hop, muita gente discorda. Run-D.M.C. sim moldou o rap como ele é atualmente, apesar de não criarem nada novo na época, assinalaram o caminho para uma mudança prática e cultural na música. Analogias de lado, eles também trouxeram o hard rock para adaptar ao hip-hop, o que enriqueceu o estilo grandemente.
Este disco veio forte, com uma produção tosca e mínima, contruída em simples baterias eletrônicas e os scratches furiosos de Jam Master Jay com riffs de guitarra e alguns teclados ocasionalmente. O resultado é música urbana bruta, com rimas rebuscadas Run-D.M.C parecia mais uma gangue de rua, ao contrário dos outros proto-rappers da época que soavam e aparentavam mais alegres. Enquanto o album ainda soa como música de festa as letras já vinham com algum contexto e realidade urbana.
Portanto, a música, as letras, os temas e atitude fazem-nos inevitavelmente sentir a reviravolta que fizeram na história do rap. A produção é datada mas o som pode rolar em qualquer block party ainda, por isso tire seus Adidas do armário e caia na dança.
Relic from the earliest rap era.

Beastie Boys - Paul's Boutique

Segundo album dos judeuzinhos malucos de New York. Lançado após "Licensed to Ill" que foi um album que fãs e crítica achavam ser insuperável, além da banda ter passado por um litígio com a Def Jam e ter se mudado de New York para Los Angeles, tudo indicava que o grupo tinha perdido o fio da meada. Muitos críticos até mesmo na época não entenderam o album e acharam um som bagunçado, o que realmente com o peso dos samples denota um tanto, mas que o ouvinte precisa escutar para ir captando o charme de cada faixa. Do hard rock presente em "Licensed to Ill" para samples e beats pesados que vão além do psicodélico, são verdadeiras pinturas com som. O resultado foi um album único no estilo. Como os Rolling Stones em 1972, os Beastie Boys estavam em exílio e acabaram por compor uma carta de amor à sua cidade natal, mesmo com os nativos de L.A. Dust Brothers ajudando a redefinir a base de samples que formaria o album. Tristemente, a banda nunca mais repetiu essa dose de samples em sua carreira devido a quantidade de processos por direitos autorais que levaram na cabeça, como Gillbert O'Sullivan o fez com "Biz Markie" que proibia até tocá-la ao vivo. Uma lástima pois "Paul's Boutique" provou que samples poderiam ser usados artísticamente em uma extensão nunca imaginada. Os samples usados de forma não convencional vão desde Curtis Mayfield com "Superfly", Sly Stone com "Loose Booty", Loggins & Messina com "Your Momma Don't Dance" e Ramones com "Suzy Is a Headbanger". O que os Dust Brothers e Beastie Boys fizeram com esses samples malucos, beats, loops e pequenos truques foi criar uma atmosfera hyper surreal e romantizada de New York onde se reflete toda a cultura da cidade em vários sentidos, antagonicamente até mesmoalgums vezes, como nunca antes. O que confundiu ouvintes em geral e crítica na época foi essa densidade musical, que precisa ser digerida com várias audições para que se quebre a barreira da absurda quantidade de referências e informações presentes no som.
Até hoje poucos grupo de rap conseguiram contexto similar musicalmente. As letras em "Paul's Boutique" trazem piadas afiadas com narrativas bem estruturadas e personagens bem descritos e colocados em situações e lugares perfeitamente descritos.
Mesmo sem o impacto merecido na época, este album fica como uma lição de como se fazer rap, continuando divertido e inovador até hoje.
A genre-busting masterpiece.

N.W.A. - N.W.A. and the Posse

Album de 1987 que saiu pela Macola Records que compilava várias faixas produzidas por Dr. Dre e que acabou saindo com o nome de N.W.A., ou os Niggaz Wit Attitudes. O album contém faixas já lançadas anteriormente por N.W.A., Eazy-E, Fila Fresh Crew e Rappinstine. A foto da capa é a mesma do single "Panic Zone" do N.W.A. e tem pessoas que nem mesmo tocam no disco. O album fez um certo barulho na época alcançando bons resultados nas paradas, depois em 1994 ganhando disco de ouro.
O disco aqui presente é o relançamento de 1989 pela Ruthless Records em que a faixa "Scream" de Rappinstine foi substituída por "A Bitch Iz a Bitch" do N.W.A.
O grupo foi fundado em Compton pelo traficante de drogas Eazy-E, que depois fundou a Ruthless Records com Jerry Heller. O grupo é indiscutivelmente um dos mais influentes na história do rap, em uma época em que só existia a maneira certa de se fazê-lo, hardcore. Letras racistas, sexistas, drogas, vagabundas, politicamente incorretas e por aí vai.
Nota-se neste disco um som electro hop que juntou pela primeira vez Ice Cube, Arabian Prince, Dr. Dre e DJ Yella. Som bem característico dos anos 80.
Primeiros trabalhos dos pais do gangsta e indicado para os mais interados no meio.
Old school dope for die-hards.

Coolio - It Takes a Thief

Primeiro album do rapper americano lançado em 1994 pela Warner Bros. Records.
A primeira música do disco "Fantastic Voyage" fez grande sucesso na época, tanto o video como a música. Também há dois sucessos menores em "County Line" e "I Remember". O album tem uma perspectiva mais humorada sobre o cotidiano das letras de gangsta rap.
Apesar dos problemas do cara com crack depois, ainda saíram algumas coisas legais no disco seguinte.

DMX - It's Dark and Hell Is Hot

Debut album album do rapper americano lançado em maio de 1998 pela Def Jam, subsidiária da Ruff Ryders Records. O album teve quatro singles com videoclips, "Get at Me Dog", "Stop Being Greedy", "How's It Goin' Down" e "Ruff Ryders Anthem". O disco é considerado um clássico do hip hop por fãs e pela crítica, muito pelo fato de revitalizar o hardcore rap no mainstream, numa época em que Puff Daddy e Bad Boy Entertainment dominavam as paradas com um som mais orientado para o pop.
Antes do album ser lançado, DMX juntou-se aos produtores Irv Gotti, P.K., Dame Grease e Swizz Beats. Cada produtor utilizou seu estilo particular na criação dos instrumentais. "It's Dark and Hell Is Hot" apresenta instrumentais góticos criados na maioria por P.K. e DMX versa em geral sobre violência. O rapper é conhecido comumente por sua voz rouca, latidos e rosnados aparecem por todo o album. Muitas das músicas do album são compostas por batidas sombrias e letras pesadas em uma antecipação de violência brutal. Comparadas a músicas agressivas como "Intro", "Ruff Ryders Anthem" e "How's It Goin' Down" possuem temas mais leves. O album também apresenta faixas mais introspectivas como "Let Me Fly", "For My Dogs" e outras. "Damien" trata de uma história com os personagens narrados pelo cantor que conta da relação dele com o Diabo, com o qual ele faz um pacto envolvendo o cometimento de atos de violência em retorno de fama e dinheiro.
O album é conhecido por apresentar letras extremas de violência com músicas como "Intro", "X-Is Coming" e outras mais. Também sobre a penosa vida pregressa do cantor em "Look Thru My Eyes" e "Let Me Fly". Mais temas estão inclusos como amor, ódio, cotidiano e Deus. O que é não é muito usual no hip hop DMX inclui várias espécies de orações em que ele conversa com Deus.
Algumas letras vão além da violência gratuita e são hediondas como em "X-Is Coming": "If you got a daughter older than fifteen, I'm a rape her/Take her on the living-room floor, right there in fronta you/Then ask you seriously, 'What you wanna do?'". Coisa macabra. Algumas das letras mais violentas de DMX, inspiradas por horror, crime, e hardcore rap criaram um estilo que dominou uma parte da indústria musical do rap. Um exemplo disso está em alguns freestyles nunca lançados oficialmente com Ja Rule e até Jay-Z, e algumas linhas em suas faixas oficiais. Até semi plágios no paupérrimo rap brasileiro com Racionais MC's ("Crime Story").
A recepção do album foi muito positiva pela crítica na época, muito pela aura violenta do rapper e sua autenticidade.
Em geral o album todo é sociopata e malvado, e macabro, muito macabro. O cara faz pacto com o Diabo na música e acontece tudo na vida real. Esse "vidaloka" atualmente está na cadeia por porte de drogas, crueldade contra animais, identidade falsa, dirigir sem carteira de habilitação e agressão.
O cara deixa qualquer metaleirinho black metal no chinelo.
Chills to your souls.

Ice-T - Home Invasion

Quinto album solo de Ice-T, senhor Tracy Marrow, lançado em 1993, o primeiro na Rhyme Syndicate Records.
Primeiro album lançado depois da controvérsia com a música "Cop Killer" do Body Count. A Sire/Warner Bros Records inicialmente ficou ao lado da banda com a liberdade de expressão, mas alguns dentro do conglomerado da Time Warner começaram a tomar uma postura mais pragmática com isso. O album era para ser lançado em novembro de 1992, mas as revoltas urbanas de L.A. ainda estavam frescas na mente das pessoas, uma eleição estava em processo e algumas músicas anteriores de Ice-T e Dr. Dre ainda estavam em trâmites legais, então Ice-T concordou em adiar o lançamento do album além de remover a música "Ricochet" que já estava na trilha sonora do filme de mesmo nome.
Com o lançamento do album adiado para fevereiro do ano seguinte, a gravadora disse para Ice-T que não lançaria o album com a capa proposta, que tinha um garoto branco imerso em cultura negra de gangs com ícones de violência em volta, mesmo já estando com número de catálogo 54119 e com single "Gotta Lotta Love" lançado. Ice-T inicialmente concordou, e optou por uma capa toda preta e com o título "The Black Album". Posteriormente ele sacou que seu futuro seria monitorado e censurado, e deixou a gravadora amigavelmente, assinando um acordo de distribuição com a Priority Records que lançou o album com a arte da capa original. Com o adiamento do album ele também aproveitou para atualizar as letras antes de lançar.
A música "It's On" começa com a frase: "Turn up the mic, dog, so I can get off / Find me Charlton Heston and I might cut his head off." O ator pressionou a Sire/Warner Bros para dissolver o contrato com o rapper por isso. A fixa título explora a idéia da casa de um supremacista branco sendo invadida por MCs políticos para resgatar as crianças de uma doutrinação racista. "Gotta Lotta Love" prega sobre uma trégua na guerra de gangs de Los Angeles. "That's How I'm Living" é autobiográfica descrevendo sua juventude. "Race War" é uma reflexão sobre as revoltas urbanas e um aviso sobre a possibilidade disso acontecer novamente. "Message to the Soldier" oferece conselhos para aqueles que estão envolvidos em hip hop político. Depois de se abster no album anterior, "O.G. Original Gangster", de rimas sobre sexo ele volta com duas neste disco em "Addicted to Danger" e "99 Problems".
O album arrebentou nas paradas e vendas na época e foi o último disco do Ice-T a ter conteúdo político significativo. Seus trabalhos posteriores foram mais voltados para o gangsta rap em geral. Isso reflete neste album que deixa de lado os apelos engajados que estavam presentes nos encartes dos albuns antigos desde "Power". Algumas pessoas viram este album como um princípio de declínio na carreira dele como rapper, com críticas cada vez mais desfavoráveis em relação aos albums anteriores, muito porque a onda estava saindo do rap político para outras variantes na época. Também a rivalidade entre costa leste e oeste estava no auge, coisa que Ice-T sempre manteve-se afastado. Ele nasceu em New Jersey, migrou para California, e fazia rap no estilo East Coast. Soube administrar bem isso tudo.
De qualquer forma este album é rap de primeira, para os que esperavam mais "Original Gangsta" só lamento. Este disco aqui é monstro.
Angry shit!

Ice Cube - War & Peace Vol.1 (The War Disc)

Quinto album de estúdio do rapper americano Ice Cube, membro fundador do grupo seminal de gangsta rap N.W.A., lançado em novembro de 1998 pela Priority Records. Primeira parte de um projeto de dois discos sendo o segundo "War & Peace Vol. 2 (The Peace Disc)" lançado posteriormente em 2000. O album tem vários produtores de peso como Bud'da, E-A-Ski, o próprio Ice Cube, K-Mac, Master P, N.O. Joe e T-Mix. O som vai desde aquele gangsta rap californiano até o metal com participação de Korn na faixa "Fuck Dying". Depois de cinco anos de hiato após "Lethal Injection" Ice Cube voltou com tudo.
Após quase uma década de carreira o cara monstra aqui que é um dos maiores do gangsta, inclusive nos samples que continuam unilaterais na tradição do estilo. Cheios de escalas menores, climas soturnos que casam perfeitamente com as letras malvadas num mix rico de detalhes. Além da participação de Korn nota-se alguns loops de No Doubt em "War and Peace", o que engrandece ainda mais esse passo além dado na produção.
Até aqui ninguém pode dizer que Ice Cube se vendeu. O cara continua com rimas venenosas e malvadas que vão desde temas do cotidiano das gangs, ex mulheres, vagabundas e até política nacional moendo Bill Clinton em "3 Strikes You In".
Album monstro!

Public Enemy - Yo! Bum Rush the Show

Debut album do grupo americano lançado em 1987 pela Def Jam Recordings nos Estados Unidos. Introduzindo também o famoso logo com o carinha na mira. Os samples do disco são bem pesados e foram feitos pelo The Bomb Squad, que tem essa característica de carregar bem nas tracks e que tornou-se marca registrada da banda depois.
O album foi sucesso de venda e aclamado pela crítica na época. Tratando-se de Public Enemy não é necessário dizer que é um dos albums mais importantes da história do rap/hip hop.
O som é aquela raiva e resistência que deu voz a uma comunidade. Batidas pesadas, e letras minimalistas abandonando a rima às vezes. Sem contar os scratches característicos de Terminator X, o monstro das pickups. Em geral um album bem cru e direto, como o rap deve ser, ao contrário do que se tornou atualmente.
Som inusitado para a época e até hoje no topo da lista.
The one that started it all.