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Dying Fetus - War of Attrition


O lançamento de 2007 do Dying Fetus, "War of Attrition" continuou no mesmo caminho de metal extremo que eles seguiram através da carreira toda. Em outras palavras, letras indecifráveis (mas fica fácil deduzir que são malvadonas), bateria precisa no metrônomo e riffs técnicos agressivos sem parar. O album veio com uma formação completamente reformulada, exceto pelo vocalista principal e guitarra John Gallagher. A banda continuou uma máquina afiada de metal. Tanto que em certos pontos, parece que são máquinas mesmo tocando para eles, especialmente em faixas como "Fate of the Condemned" e "Insidious Repression". Este sexto lançamento da banda é basicamente um death metal tocado com precisão extrema, ponto final.
Intense death metal.


Com suas composições intrincadas de dar nó na cabeça e aquela ferocidade urbana, o primeiro album do Suffocation, "Effigy of the Forgotten", deu um verdadeiro modelo para o death metal dos anos 90. Então a expectativa para o album seguinte estava bem elevada. O pior aconteceu com este album de 1993, que foi duramente criticados pelos fãs e mídia por vários motivos, desde sua curta duração até a repetição da mesma fórmula de seu predecessor (um pouco injusto pois o som continuou mais complexo aqui), e talvez a crítica mais justa seria a mixagem final bem porca que carece das linhas de grave do "Effigy". Sem dúvida as navalhadas acústicas de "Beginning of Sorrow", "Anomalistic Offerings" e a faixa título perderam todo seu fio, enquanto faixas secundárias como "Marital Decimation" e "Ornaments of Decrepancy" caíram em um embolado marasmo death metal. A performance da banda certamente não perdeu a intensidade, com os guitarristas Doug Cerrito e Terrance Hobbs e suas guitarras hiperativas e técnicas (mesmo que algo tenha se perdido na cocofonia geral), o baterista Mike Smith moendo com seus blastbeats manuais e o monstrinho da bolacha Frank Mullen urrando ininteligivel porém convincente, como esperado. Dito isso tudo, ninguém irá negar que "Breeding the Spawn" falhou em pegar a tocha acendida pelo seu predecessor, porém não mancha seu legado, e mesmo assim seria recomendado para qualquer fã de carteirinha da banda.
Terrible production.

Scarve - Irradiant


Uma das bandas mais talentosas e ferozes da França. Se qualquer desavisado se der ao trabalho de procurar, irá encontrar um número surpreendente de bandas pesadas de ponta pelo país de Napoleon, bandas como Gojira e similares. O Scarve de Nancy chegou no seu melhor com este terceiro album, "Irradiant" de 2004. De fato, se o album tivesse alguma falha evidente, seria ter assimilado muitas vertentes extremas no seu espectro sonoro, mas desde quando isso é uma coisa ruim? Pelo menos até quando o artista em questão souber dizer "quando". O Scarve tem um pé bem fincado no prog metal o que fica facilmente reconhecível em "Hyper Conscience" e "The Perfect Disaster", o que faz o album necessitar uma audição mais atenta.
Tudo isso faz de "Irradiant" um album bem maduro e de mente aberta. Nada aqui é impossivelmente complexo porém muito bem composto e arquitetado. Passagens melódicas bem inseridas com porradarias bem equilibradas.
Solid album.

Benighted - Identisick


Quando Benighted lançou "Insane Cephalic Production" em 2004, a banda foi bastante comentada e o album foi elevado a um dos mais inovadores que o death metal francês produziu em anos. O album ainda é bem legal mas já não é mais impressionante após esses anos, devido a algumas bagunças na escrita das músicas. A banda parecia querer ir em uma dúzia de direções ao mesmo tempo, com a consequência de atigiram várias idéias porém sem desenvolver nenhuma delas. Neste album eles mataram todos os problemas que atrapalharam "Insane Cephalic Production" e o resultado saiu perfeito. Talvez o mais impressionante album que o death metal francês jamais produziu.
O som da banda é extremamente violento sendo que sua base é um death metal brutal beirando o grind, mas desta vez eles injetaram uma boa dose de groove e riffs melódicos na porradaria. Conseguiram esse feito sem melar a música. Estranhamente, "Identisick" é o trabalho mais melódico porém mais brutal deles até então. Ok, não é um som acessível para qualquer um, estamos falando de extremo dos extremos aqui, porém não é como a grande maioria dos albuns de brutal death que enjoam em pouco tempo. A razão é que quando você pensa que ouviu tudo, que o mesmo padrão será repetido várias vezes, Benighted surpreende jogando um tipo de samba/jazz louco em "Sex-Addicted", um solo de speed metal em "Identisick", uma música puramente melodeath em "Iscarioth" ou um quase irreconhecível cover da clássica do Napalm Death "Suffer the Children".
Não poderia deixar de dizer algo sobre o som, a bateria é absolutamente insana! Escute o trabalho de batera em "Mourning Affliction" e verá que Fred Fayolle é rápido, brutal e técnico demais. O resto da banda também é excelente mas corre um pouquinho atrás dele.
Agora sobre o fator distintivo do Benighted. O conceito deles sempre foi baseado sobre desordens mentais e usualmente cada música conta a história de um paciente afetado por uma doença dessas em particular. Essas história são contadas sob o ponto de vista do paciente para dar um grau mais fidedigno. O mais incrível é que os vocais enfatizam as letras: o que quero dizer é que Julien Truchan é um grande vocalista de som extremo e trabalhou duro nos vocais para traduzir as desordens mentais através de sua voz. Os vocais são tão variados (contei pelo menos 6 técnicas diferentes de vocais, todas extremas, variando desde guturais até gritos bem agudos) que você quase não acredita que é só um vocalista fazendo todos eles, entretanto ele é ajudado em duas músicas por Leif of Dew-Scented e Kris of Kronos. Ele adiciona muita impressão de loucura, esquizofrenia e demencia para a doideira toda. Um dos melhores vocalistas extremos.
Ao todo este album é único. É viciante, complexo, com um senso de groove e quase perfeito (para não dizer perfeito mesmo para gostos extremos). Um dos melhores albuns de som extremo da década passada com certeza. Novamente, não é para qualquer ouvido, mas se você quiser se aventurar e ser carregado para o sanatório do Benighted embarque nessa viagem.
Benighted is Le best mon ami!


Death - The Sound of Perseverance


Que nome melhor para uma banda de metal? Especialmente uma concentrada tão fixamente no sopro final da vida? O massacre sonoro que caracterizou a carreira do homem principal Chuck Schuldiner (R.I.P.) é um dos mais celebrados no desenvolvimento do death metal como um subgênero do thrash. Death foi o papai desse estilo matador de guitarras, e qualquer um com mesmo um vago desejo de praticar o metal extremo, desde Carcass até Deicide, de Obituary a Cannibal Corpse, deverá confessar que a raquete do diabo (guitarra) de Schuldiner lhes influenciou.
Formado em 1987, Death iria abrir caminho por uma trilha que ninguém se imaginaria seguindo, death metal! Sim, eles foram os pais fundadores do death metal progressivo e "The Sound of Perseverance" seria a jóia da coroa, infelizmente este seria seu último lançamento.
Lançado em 1998, "The Sound of Perseverance" foi um dos primeiros espécimes desse subgênero. Este album também apresentou uma nova formação com Shannon Hamm na guitarra, Richard Christy na bateria e Scott Clendenin no baixo. Uma lição tratando-se de death metal virtuose (sim, virtuose mesmo). Sim, não tem o estilo neo clássico de tocar que também caracteriza a palavra virtuose, mas para um subgênero feito quase que inteiramente de vocais guturais, baterias massacrantes e riffs metralhadoras não é errado chamar "The Sound of Perseverance" de um album pioneiro nesse virtuosismo ao contrário da grande maioria dos albuns da época. Músicas como "Scavenger of Human Sorrow", "Spirit Crusher", "A Moment of Clarity" e "Flesh and the Power It Holds" irão mais do que provar meu ponto! "Scavenger of Human Sorrow" é uma superba abertura para um superbo album! Ouça as mudanças de tempo no meio da música que começa com uma linha de baixo bem jazzística (e sim! também não seria errado adicionar a palavra jazz!). O mesmo vai para a superba "Spirit Crusher"! Com uma introdução de baixo bem jazzística, "Spirit Crusher" soa mais como um número instrumental em seus primeiros segundos mas na realidade é outra coisa. O que é mais legal nessa música são as mudanças de tempo súbitas crescendo para o refrão principal. "Voice of the Soul" é um brilhante número instrumental e soa mais como se fosse o próprio requiem de Chuck Schuldiner, não estou blefando, ao passo que você vai escutando mais atentamente você também sentirá o mesmo. O album encerra com o cover de Judas Priest magnum opus "Pain Killer"! Nessa versão cover, Chuck Schuldiner está em sua melhor forma de trincar vidros tratando-se de vocais e guitarras (sem trocadilhos). O resto da banda nem precisa dizer nada, estronda!
"The Sound of Perseverance" foi o último lançamento oficial do Death. Que grande pena para uma super talentosa banda acabar sua carreira tão cedo! Mas, podemos nos consolar no fato de que o Death "morreu" após nos dar tamanho clássico que ninguém de nós pode discordar!
In Loving Memory of Chuck Schuldiner (1970-2001).