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Paris - The Devil Made Me Do It


Uma ouvida no "The Devil Made Me Do It" faz você pensar se Paris gravou o album em um buraco, ou um bunker gelado. Ou pelo menos o depósito abandonado em que ele e sua banca marcham através durante seus videos. Assim como os primeiros Public Enemy (uma inspiração básica) e os dois discos do X-Clan, os melhores momentos do disco de estréia de Paris trabalham em dois níveis. Muitas dessas faixas possuem grooves sombrios no meio delas, construídas em batidas excelentemente programadas e garras afiadas ao invés de refrões. Além disso, o grau de instrução de Paris e rimas venenosas que são embasadas em temas pro-black. Em um mar de rappers afrocêntricos do começo dos anos 90, Paris foi um dos mais distintos e talentosos em seu estilo, sua voz era cheia de raiva e tensa o suficiente para causar agonia em qualquer desavisado. Mesmo com as faixas apimentadas por samples de Chuck D, Panteras Negras e Malcom X, Paris não fica por baixo em nenhum momento. Faixas afiadas como "Break the Grip of Shame",  "The Hate That Hate Made", "The Devil Made Me Do It", e "Wretched" dizendo ("Mindless music for the masses makes ya think less of the one that hates ya") proporcionam uma audição prazerosa, porém tão parado no tempo hoje em dia quanto qualquer album hedonista e provocativo de gangsta rap.
Sick lyricist!

Shaquille O´Neal - Shaq Fu: Da Return


Segundo album do Shaq, ainda que um disco até decente de rap, não é nada demais. O que ele faz bem aqui é recrutar uma lista de colaboradores de primeira linha, como Warren G e Keith Murray. Este CD ficou conhecido pela pegada mais pessoal nas letras dele, como em "Biological Didn´t Bother", um testamento para seu padrasto a quem ele credita muito de seu sucesso. De qualquer fora parece que Shaq tinha algo a dizer aqui, pelo menos. (Em tempos de tcherecherê/tchu tcha tcha Shaquille O´Neal é Camões)
Listenable at least.


Antes mesmo de chegar nas prateleiras das lojas, o trio Fu-Schnickens de New York criou um certo bochicho por causa do nome bizonho do grupo. Logo que lançaram seu album de estréia, "F.U. Don´t Take It Personal", a música deles tornou-se muito curiosa e intrigante. A música é inundada com trechos de diálogos de filmes de kung fu e todas as maneiras de referências à cultura pop, com uma obscuridade particular por trás. O album tem um ar irônico e vivaz de desenho animado por assim dizer. Tudo isso contraposto pelas metralhadoras vocais dos três MCs (Poc, Chip e Moc Fu), que parecem fazer tudo telepaticamente em um transe verborrágico. Nesse ponto, eles encaixam-se perfeitamente com tais como Leaders of the New School e Brand Nubian, como parte daquela nova onda de hip hop do começo dos anos 90 que catapultaram o estilo para o futuro parte por manter aquela camaradagem dos grupos da velha guarda. Todos os grupos em paralelo, entretanto, eram tão progressivos porque cresceram imersos na cultura e no estilo de vida do hip hop, sabiam do que se tratava, assim desenvolvendo estilos únicos com temas variados para se sobresairem. O Fu-Schnickens não era diferente nesse aspecto, e mesmo que suas roupas (uniformes de kung fu na capa) e gosto nas influências tenha feito um impacto estranho, a pegada musical foi direta e séria no album de estréia, como pode-se notar. Com uma ajuda na produção de A Tribe Called Quest, eles criaram diferentes atmosferas e paisagens misturando batidas pesadas com reggae além de soul e assim por diante. No geral uma lição de rima rap.
Clever, fast and different.


Barulhento, irritante, autêntico, avant-garde, político e hilário. O brilhante segundo album do Public Enemy é tudo isso, de uma vez só. Chuck D arregaça nas rimas como um apresentador no estilo Marv Albert. O doidão Flavor Flav dá o tom cômico e alivia um pouco. O time de produção, Bomb Squad, constrói uma hipnose com samples empilhados em várias camadas e barulhos de sirenes espetadas no meio. O título e introdução de "Bring the Noise" são a mais pura verdade.  "If they're callin' my music 'noise," disse Chuck D, "if they're saying that I'm really getting out of character being a black person in America, then fine – I'm bringin' more noise". Na lata!
One of the greatest.



Um dos três vinis originais que saíram do segundo e clássico album "By All Means Necessary". A faixa "Stop The Violence" aparece 3 vezes em diferentes versões além da doiodona "Jimmy" com direito a sample de Wings.
Hip hop velha guarda como não se faz mais.
Classic!

De La Soul - Art Official Inteligence: Mosaic Thump


Imagine que não há popozuda. Nem gostosas com cabelos esvoaçantes. Nem Cristal na banheira. Nem Rolex no pulso. Agora imagine o De La Soul em 1989, ignorando a onda e o estilo do hip-hop com seu clássico album de estréia, "3 Feet High and Rising", rimando sobre buracos na grama, vestidos como fantoches Muppets que se perderam no caminho para o campo de golfe, sampleando qualquer coisa desde Steely Dan até Schoolhouse Rock. De La Soul era um grupo de hip-hop de cartoons de sábado de manhã, com o produtor Prince Paul providenciando as piadas mais engraçadas. Juntamente com seus manos do A Tribe Called Quest e os Jungle Brothers, o trio resumiu bem o estilo de hip-hop do Native Tongues: progressivo, brincalhão e leve nos pés. Como todas as coisas boas, o momento do Native Tongues acabou muito cedo, mas o De La Soul nunca jogou a toalha. No seu quinto album, "Art Official Inteligence: Mosaic Thump", Posdnuos, Dave (antes Trugoy) e Maseo continuam suas estranhas evoluções como embaixadores do hip-hop.
Os espertos jovens que fizeram "3 Feet High" são todos trintões agora, e mesmo que o som tenha ficado mais mela cueca, continua bem sacado, excêntrico e cheio de retornos e contornos inesperados. "Art Official Inteligence", foi o primeiro de uma trilogia planejada, e foi o primeiro album do De La Soul desde "Stakes Is High" de 1996, que foi o primeiro album deles em três anos. (Os caras estavam se achando os Pink Floyds da vida pelo jeito hehehe) Mas quando o De La Soul vai para o estúdio eles sabem como fazer a festa lá. "Oooh" é um tipo de funk bobo louco meio bagunçado que poucos artistas de hip-hop adultos tentariam, entrelaçado com o balbucio demente de Redman e as impresões do De La Soul Treacherous Three. "U Can Do (Life)" loopa um trecho de Chic "Le Freak" enquanto Posdnuos manda a rima, "They stressin' back in the day/I'm at the front of the night." Como todos os albuns do De La Soul, "Art Official Inteligence" tem muita encheção de linguiça indulgente, mas é o preço que eles pagam por experimentar, e as participações especiais de Busta Rhymes, Chaka Khan, Xzibit e dos Beastie Boys mantêm o corpos se mexendo. Mesmo sem muito alarde na mídia e nada de pose, De La Soul mostrou como o pessoal do hip-hop pode amadurecer no ofício.
O espírito do Native Tongues vivia na pretensão, os grupos de faculdades taxaram "o underground" como bando de crentes e os "backpackers" de céticos. O problema com o hip-hop underground era a música. A batida ficava fraca tipo jazz-fusion, enquanto os MCs tantavam muito soar sutis e desprendidos que a mistura toda acabava em uma meleca. O album de estréia em uma major do Dilated People, "The Plataform", foi um avanço comparado com o trabalho independente deles, graças às batidas fortes do DJ Babu e a ajuda de B Real do Cypress Hill, The Alkaholiks e o desaparecido em combate prog-rapper Aceyalone. Mas o Dilated People continuou dolorosamente domado no microfone, especialmente Evidence, que mandou uma pérola do ridículo no "The Plataform" sendo o primeiro rapper a cantar as palavras "between you and I." Os vocais afundam a música: esse é um tipo de album de hip-hop onde o MC se compara com Steve Howe, e enquanto você espera que ele esteja referindo-se ao jogador de baseball homônimo, você sabe que lá no fundo ele está se referindo ao guitarrista do Yes. Que pena que o People não sampleou "Roundabout" (hehehe).
Chega de descer a lenha em quem não tem nada com o disco postado aqui. Peço desculpas.
De qualquer forma o De La Soul e seus discípulos provaram que os mocinhos podiam continuar no páreo, sem pose e sem ignorância. Rap do bem.
Decent decline.

LL Cool J - Mama Said Knock You Out

Descartado pelos fãs de hip hop como ultrapassado e vendido, LL Cool J entrou nos anos 90 com "Mama Said Knock You Out" e se reinventou com seu album mais bem sucedido. Parte do crédito vai para o produtor Marley Marl, com suas batidas graves ajudou Cool J a resgatar sua agressividade do início da carreira. "Mama Said Knock You Out" não é tão pesado quanto "Radio", ao invés, faz um balanço entre a atitude e acessabilidade. A grande variedade e arranjos mais distintos fazem deste album o mais acessível de Cool J, além de dar-lhe mais contemporaneidade.A produção de Marl nas faixas mais lentas são suaves e cheias de alma mas ainda assim suingadas, o resultado foi muito mais convincente do que as outras vezes que Cool J tentou pagar de gatão. As baladas ficaram menos forçadas.
Mesmo um pouco deslocado do que vinha fazendo, LL continua liricamente acrobático e suas letras cheias de testosterona voltam com o peso do primeiro album. Os hits do album são um retrato de seu microcosmo. "The Boomin' System" é daquelas para estrondar a avenida de carro com volume no talo. "Around The Way Girl" é uma daquelas baladinhas mela cueca e vem luxuriante, com samples bem sacados e que fez história no gênero.
Sem sombra de dúvidas "Mama Said Knock You Out" veio para resgatar a imagem perdida de Cool J, e com sucesso, lhe mantendo como um dos nomes fortes do rap.
O sucesso deste disco fez de LL Cool J um nome internacional.
One of the hip hop classics.

Cypress Hill - Rise Up [Single CD]

Segundo single do último album do grupo, que leva o nome da faixa título. A faixa tem participação especial de Tom Morello e faz parte da trilha sonora do filme que será lançado em 1011 "The Green Hornet".
B-Real e Sen Dog estavam trabalhando no album fazia algum tempo então chegaram em um ponto em que decidiram chamar Tom Morello e mostrar o material para ele, caso gostasse até participar em alguma faixa. Tom que é muito amigo deles acabou gostando do que ouviu e contribuiu com nada mais nada menos que a faixa título. Os caras não tinham nem título para o album até então, mas a contribuição de Tom caíu como uma luva e definiu bem o espírito do som. O velho movimento Cypress Hill na ativa novamente.
A segunda música "Strike the Match" pelo que dá para perceber é bem mais politicamente engajada do que o normal do grupo, e é regada por samples pesados e viajantes com uma linha de baixo sólida.
Ótimo single.

Who's the Man? - Soundtrack


Trilha sonora do filme do gênero comédia de 1993. A trilha foi lançada no mesmo ano e consiste basicamente de hip hop, alcançando na época bons números nas paradas e vendas além de revelar alguns artistas até então obscuros.
Como quase todas as trilhas com vários artistas e coletâneas, o disco tem altos e baixos. Ótimas faixas com Notorious B.I.G., House of Pain, Erick Sermon e Father MC. Faixas medianas com 3Rd Eye, Spark950 e Pete Rock. E porcarias como Crystal Johnson. A parte boa é que no computador você pode deletar o que não quer ouvir mais.
Fica a gosto do freguês.
O filme é pastelão também.
You are at your own risk here.

Public Enemy - Yo! Bum Rush the Show

Debut album do grupo americano lançado em 1987 pela Def Jam Recordings nos Estados Unidos. Introduzindo também o famoso logo com o carinha na mira. Os samples do disco são bem pesados e foram feitos pelo The Bomb Squad, que tem essa característica de carregar bem nas tracks e que tornou-se marca registrada da banda depois.
O album foi sucesso de venda e aclamado pela crítica na época. Tratando-se de Public Enemy não é necessário dizer que é um dos albums mais importantes da história do rap/hip hop.
O som é aquela raiva e resistência que deu voz a uma comunidade. Batidas pesadas, e letras minimalistas abandonando a rima às vezes. Sem contar os scratches característicos de Terminator X, o monstro das pickups. Em geral um album bem cru e direto, como o rap deve ser, ao contrário do que se tornou atualmente.
Som inusitado para a época e até hoje no topo da lista.
The one that started it all.

Various Artists - Spanglish 101

Album compilação lançado pela Kool Arrow Records, selo de propriedade da turma do Brujeria (ex baixista do Faith No More, Billy Gould).
Citando palavras dos mesmos: "English still dominates world culture, but there are scenes growing all over the world, with their own agendas. The musicians from these scenes are playing their own music on their own terms and in their own languages; contemporary music in their own context. You might hear songs in English when you turn on the radio now, but if these bands have their way, the world will be speaking their language. Koolarrow and I want to contribute to this evolutionary process by bringing you up to date with the latest fusion of spoken communication and culture. Using music as our teaching format, we present you with some of the world's brightest professors from this new school of change. The class we offer is Spanglish 101! Without Hate, Juan Brujo, Brujeria"
Compilado por Juan Brujo, o homem de frente que vive com facão na mão, o CD tem um punhado de músicas bem legais, incluíndo a hilária "Don Quijote Marijuana", que foi um sucesso latino dos anos 80 chamado "Don Quijote y Sancho Panza", de rolar de rir. As bandas são todas cross-border cantando em inglês e espanhol, e representam bem a nova guarda chicana de som pesado, incluíndo bom rap com o Control Machete. A mistura de gêneros irrita um pouco e pode-se detectar algumas músicas mais deslocadas e fracas, mas cabe ao ouvinte interpretar isso.
Bom para abrir os horizontes e comprovar que os latinos não são só salsa e merengue.
Awesome album pendejos!

Afrika Bambaataa - The Dance Album



Uma das figuras mais importantes da música nos últimos vinte anos, Afrika Bambaataa é o avô do hip-hop, misturando o funk clássico de James Brown, Sly Stone e George Clinton com música e bateria eletrônica. "Planet Rock" que combina batidas de hip-hop com um sample de "Trans-Europe Express" da banda Kraftwerk foi um megahit em 1982. E essa mesma música foi a semente para os movimentos do house, techno e electronica que estavam por vir. Este cd é uma coletânea voltada para as pistas com variações e remixes feitos de 1982 até 1992. O album conta com participações de Time Zone, Hydraulic Funkahaulics and M.C. G.L.O.B.E e por aí vai.
Old School.

Bob Marley - Chant Down Babylon

Seria ignorância não ter pelo menos um album de Bob Marley aqui listado. Há mais ou menos 50 anos atrás Bob Marley começou a deixar sua mensagem de amor, paz, harmonia para nós. Este cd vem fazer esse trabalho para as novas gerações, mesclando a velha vibração do reggae com novos ritmos e roupagens. Algo que presumidamente se ele estivesse ainda vivo teria feito. Para os críticos de reggae, por favor não odeiem este album. Muitos cabeças fechadas acham um insulto a Bob Marley este cd. Entendam e sintam o novo e o velho num mesmo som. Apesar de Bob Marley nunca ficar velho.
O cd conta com participações notáveis nas versões, como Chuck D do Public Enemy e Lauryn Hill que dispensam comentários.
Jah love for all!!!