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Fear Factory - Soul of a New Machine [Remastered] Disc 1


"Soul of a New Machine" inovou na era dos anos 90 do metal alternativo, mesmo que poucos tenham notado isso na época. Fear Factory estava um pouco à frente de seu tempo em 1992, o ano em que a Roadrunner Records lançou "Soul of a New Machine", o album de estréia deles (entretanto tecnicamente não o primeiro, porque depois foi desenterrado o album demo "Concrete" produzido por Ross Robinson). A banda não encaixava-se bem em nenhum campo do metal da época: thrash metal (Slayer, Sepultura), crossover metal (D.R.I., S.O.D.), industrial metal (Ministry, Nine Inch Nails, Godflesh), death metal (Death, Obituary), grindcore (Napalm Death, Brutal Truth) e assim por diante. Somente esse fato já fazia do Fear Factory uma anomalia no mercado do metal da época. A Roadrunner lhes deu uma chance apostando mais na promessa do que nos resultados imediatos, e acertou em cheio. Um dos melhores produtores de death metal da época, Colin Richardson, voou da Inglaterra para Los Angeles (alguns dias após aquelas revoltas terem virado a cidade de pernas para o ar), e por duas semanas produziu o que tornou-se um marco na história do metal.
O que tornou "Soul of a New Machine" tão importante foi o fato do disco ter fundido numerosos aspectos de vários sub-gêneros: a pegada do thrash, as melodias raivosas do crossover thrash, o sincopismo da batida industrial, o grave embolado do death metal e a porradaria do grindcore. O mais importante foi que livraram-se da parte genérica característica desses sub-gêneros, resultando em um som único que não ficou cliché (apesar de ter virado alguns anos mais tarde). Na verdade, "Soul of a New Machine" não é o melhor album deles, nem perto, e também não abalou as estruturas da músicas na época. Entretanto, poucos anos mais tarde, quando a banda lançou "Demanufacture" em 1995, havia uma miríada de bandas misturando equacionando diferentes fórmulas metálicas, o que veio a se tornar o metal alternativo. "Soul of a New Machine" serve para entender de onde muita coisa nasceu, além de que se o ouvinte estiver apenas procurando mais um bom disco de metal, este também serve.
Continua no disco 2...

Fear Factory - Archetype

O medo tornou-se fator para os fãs de Fear Factory em 2001 quando a banda abruptamente se desmanchou por causa de uma briga entre o guitarrista Dino Cazares e o vocalista Burton C. Bell. O selo ao qual pertenciam há longo tempo, Roadrunner, lhes abandonou. O futuro da banda parecia nada promissor. Por sorte, o baixista Christian Olde Wolbers quis pegar o lugar na guitarra e a banda chamou o ex Strapping Young Lad, Byron Stroud, para o baixo. O resultado desse tumulto todo foi "Archetype", lançado pelo selo Liquid 8. Um album raivoso porém que equilibra bem a percussão semi-humana semi-mecanizada, guitarras à altura, teclados sutis, e o vocal bipolar de Burton lançando gritos infernais cheios de reverb com partes quase góticas no estilo antigo Sisters of Mercy.
Melodias ecoam em "Bite the Hand That Bleeds" e "Undercurrent", mas não são páreo para as arrebentadoras de aortas "Slave Labor" e "Drones" ou a pegada death metal de "Cyberwaste". Algo que já tinha sido feito anteriormente, alguns podem achar datado. Esses últimos seriam os que correriam para a mamãe frente a "Act of God" e seus versos estilo guilhotina. "Default Judgement" também com seus baixos quase atonais e bem marcados serve como apresentação de Stroud. Mas através de "Archetype" é seu companheiro encarregado das batidas que realmente impressiona. Raymond Herrera abre fogo com seus bumbos duplos e metralhadas de caixas dando um fundo hardcore para faixas industriais como "Bonescraper".
Para uma banda deixada para os corvos pela antiga gravadora este é um belo tapa na cara, esse é o espírito de "Archetype". Podemos montar uma sequência de socos na cara da Roadrunner com "Drones", "Slave Labor" e "Corporate Cloning" - Fucking knockout!
A banda retorna também para um som orgânico que agrada os fãs antigos. Além de uma surpresa final, o cover de Nirvana da fase "Bleach" com "School" que aparece depois da faixa cheia de sintetizadores "Ascencion".
"Archetype" é um retorno triunfante e põe a banda de volta nos trilhos após o fiasco do disco anterior. A fábrica de medo revitalizada.
Great great album!!!