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Bionic Jive - Armageddon Through Your Speaker

Sendo um grupo da segunda onda do rap-metal chegando logo após a ascenção de Limp Bizkit ao inesperado sucesso, Bionic Jive não consegue soar imprevisível. É difícil não pensar em 311 ou Rage Against the Machine escutando "Armageddon Through Your Speakers", bandas que foram pioneiras nesse som rap-metal e foram bastante inovadoras. Mas Bionic Jive não apareceu em 1992 como Rage, ou em 1993 como 311, ou mesmo em 1997 como Limp Bizkit. Eles apareceram no final de 2001 e como resultado, soam datados. Afinal, onde dois ou três anos antes bandas de rap-metal eram anomalias, em 2001 elas soavam incrivelmente iguais e medíocres, com bandas como P.O.D. e Linkin Park vindo do nada e arrebentando nas paradas para o mainstream. Quem consegue relevar isso, ou não dar a mínima, pode achar esse debut album de Bionic Jive por uma major até impressionante.
O grupo apresenta um trio de baixo, batera e guitarra com dois MCs na frente, e a soma dessas parte é mesmo potente. Nada menos que excitante e maníaca em termos de energia. Além disso, o grupo fez músicas sólidas: as introduções frequentemente possuem riffs memoráveis, as partes possuem rimas intensas, os refrões são pegajosos como deveriam, e no geral, as rimas e riffs sintetizam-se surpeendentemente bem. Então, em suma, Bionic Jive parece ter um polido rap-metal e alguns poucos grandes momentos em "Shut Em Down", "I Shot Lucifer" e "Swarm". Mas há alguns problemas. Claro, há grandes momentos neste album, mas infelizmente também grande repetição. O grupo parece ter encontrado uma fórmula que não quis mais deixar de usar para experimentar algo a mais. E ouvintes de rap de longa data aqui nada mais acharão as rimas muito cliché, e até certo ponto, ou até mesmo fora de contexto. Letrinhas falando de dinheiro, champagne Möet, cafetinagem e malandragem não ajudam muito. E no final esse problema torna-se bastante grave. O album passa uma impressão de ser bem fabricado, no mau sentido. O melhor rap-metal emprega seus próprios motivos, desenha suas próprias estruturas, e mais que tudo cria seu próprio contexto. Infelizmente, poucas bandas de rap-metal da época de 2001 fizeram isso, e definitivamente Bionic Jive não foi uma delas. Eles apenas sintetizaram o que seria uma fórmula potente, que para um ouvinte mais experiente, simplesmente não cola. Fãs de P.O.D. e Limp Bizkit podem encontrar algo aqui que lhes interesse.
Talented but cheesy.

Hed PE - Broke

Segundo album da banda de 2000 que veio em sequência ao debut self-tited de 1997, o disco apareceu em uma época do florescimento da mistura de rap com punk, hardcore e metal e foi material pronto para estourar, o album teve sucesso mediano de vendas mas a banda conquistou seguidores em torno de sua temática inovadora.
Quando a banda entrou em estúdio para gravar "Broke" encontrava-se em emergência com o estilo rapcore nos USA porém ainda relegada ao underground, enquanto Limp Bizkit e Incubus já conseguiam fama na plataforma nacional. "Broke" veio como uma tentativa da banda em pegar carona nesse momento do estilo, mas com as raízes de seu primeiro album ainda presentes.
Desde a liricamente feroz "Killing Time" até a mais calma porém provocante "Jesus (of Nazareth)" a banda segue fiel às suas origens e conclusivamente pode-se notar que o album deveria levar a banda ao mainstream facilmente, porém não foi o que aconteceu. Muita da intensidade da banda se perdeu neste album por conta de uma produção maior e rimas mais mundanas perdendo o conteúdo original que deu aceitação à banda quando ainda era independente.
Apesar de tudo o disco ainda tem seu brilho e é uma peça interessante para coleções de fãs do gênero contando com participações especiais de peso como Serj Tankian do System of a Down, East Bay Ray do Dead Kennedys e Morgan Lander do Kittie.
Um disco cheio de altos e baixos. Contando com músicas como "Crazy Legs" que tenta mesclar o mais puro rap de rua com crossover mas acaba esbarrando em uma letra bobinha, enquanto "I Got You" vem com um instrumental empolgante e os vocais de Jahred (filho de brasileiros nascido nos USA) fazem uma perfeita ponte entre o melódico e o agressivo não ficando atrás de nenhuma banda do gênero na época. Músicas como "Boom (How You Like That)" vem com uma assinatura bem hip-hop contendo letras sobre maconha e sexo. A banda ainda fecha o album com uma baladinha cheia de sacarina e violões no maior estilo mamãe quero ser gay.
Apesar dos pesares este é um album interessante e registra bem uma época em que o rapcore apareceu no mainstream. A banda exagerou na tentativa de embarcar nessa e acabou sendo taxada de sexista pela mídia, até certo ponto com razão. Nota-se também que muitas bandas brasileiras da época embarcaram no vácuo do estilo e copiaram descaradamente músicas deles como o Charles Brau Grunge por exemplo que o vocalista imita até os trejeitos do vocal.
Yes yes, no no. Have fun.

311 - Dammit!



Primeiro lançamento independente da banda, lançado pelo selo próprio What Have You Records em 1990. Este album está fora de catálogo e hoje em dia é bastante raro. Foram feitas somente 300 cópias em k7.
A engenharia de estúdio fica por conta Tom Lippold, gravado em 1989 no IEV Studios em Omaha, Nebraska. Na foto da capa da esquerda para direita estão P-Nut, Chad, Nick e Jim Watson.
Som de primeira que captura o espírito original da banda.
Fuck the bullshit! This is 311!

One Minute Silence - One Lie Fits All



Terceiro e último album da banda, infelizmente. Lançado em 2003 e produzido por John Leckie o disco não teve nem turnê de lançamento. Uma pena pelo fato da banda ser conhecida pelas suas performances estrondosas ao vivo.
O som neste disco é diferente do rap metal que deixou a banda conhecida. O som é mais reflexivo e melódico, porém o conteúdo continua anarquista e anti-capitalista de protesto como antes (apesar da banda nunca ter se auto intitulado política).
Aviso aos navegantes: este não é o melhor dos três albuns da banda. Mas não é ruim, longe disso.
As letras continuam o ponto forte da banda, e neste disco temos ótimas delas sobre política, humanidade, civilização etc. Porém os instrumentais não são tão empolgantes como nos albuns anteriores.
The mellow end of a great band.