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Fu-Schnickens - F.U. Don´t Take It Personal


Antes mesmo de chegar nas prateleiras das lojas, o trio Fu-Schnickens de New York criou um certo bochicho por causa do nome bizonho do grupo. Logo que lançaram seu album de estréia, "F.U. Don´t Take It Personal", a música deles tornou-se muito curiosa e intrigante. A música é inundada com trechos de diálogos de filmes de kung fu e todas as maneiras de referências à cultura pop, com uma obscuridade particular por trás. O album tem um ar irônico e vivaz de desenho animado por assim dizer. Tudo isso contraposto pelas metralhadoras vocais dos três MCs (Poc, Chip e Moc Fu), que parecem fazer tudo telepaticamente em um transe verborrágico. Nesse ponto, eles encaixam-se perfeitamente com tais como Leaders of the New School e Brand Nubian, como parte daquela nova onda de hip hop do começo dos anos 90 que catapultaram o estilo para o futuro parte por manter aquela camaradagem dos grupos da velha guarda. Todos os grupos em paralelo, entretanto, eram tão progressivos porque cresceram imersos na cultura e no estilo de vida do hip hop, sabiam do que se tratava, assim desenvolvendo estilos únicos com temas variados para se sobresairem. O Fu-Schnickens não era diferente nesse aspecto, e mesmo que suas roupas (uniformes de kung fu na capa) e gosto nas influências tenha feito um impacto estranho, a pegada musical foi direta e séria no album de estréia, como pode-se notar. Com uma ajuda na produção de A Tribe Called Quest, eles criaram diferentes atmosferas e paisagens misturando batidas pesadas com reggae além de soul e assim por diante. No geral uma lição de rima rap.
Clever, fast and different.

KRS-One - Return of the Boom Bap



O album de Boogie Down Productions de 1992, "Sex and Violence", foi de todas as formas um triunfo artístico e um desastre comercial. Sem sombra de dúvidas as batidas de Kenny Parker, Prince Paul, D-Square e Pal Joey eram poderosas. Sem sombra de dúvidas KRS-One mostrou algumas de suas letras e rimas mais hardcore em músicas como "Duck Down" e "Like a Throttle", e mandou lições que somente ele é capaz de dar em "Poisonous Products" e "Who Are the Pimps?". Poderia ter sido um triunfo para a nação hip-hop e uma aclamação mundial... mas falhou em fazer alguma diferença nas paradas e até mesmo com o público.
Talvez as batidas eram muito pesadas. Talvez a capa estilo Picasso era muito perturbadora. Talvez as pessoas acharam KRS-One muito didático. E ele encontrou sua própria solução para isso tudo, voltou desafiante com um novo LP próprio. Ninguém de sua base de fãs internacional se surpreendeu, sendo que KRS carregava o BDP liricamente nas costas desde quando Scott LaRock ainda era vivo. Realmente, ninguém queria saber de mais album de D-Nice, os vocais de Ms.Melodie, ou um single pesadão de Ill Will. Pode ser exagero dizer, mas a verdade dói: KRS-One era e é Boogie Down Productions. Logo que ele deixou de se auto-clamar BDP, BDP deixou de existir.
O último suspiro de BDP como conceito foi "Outta Here", o primeiro single do album de KRS-One, "Return of the Boom Bap". Desde os primeiros momentos da música de 270 segundos de duração, a estrondosa linha de baixo de DJ Premier cria uma vibe transcendental impossível de esquecer, elegante e simples. Logo em seguida, Primo manda uns scratches de "Boogie Down was performin, hey they ain´t no joke," palavras do amigo e lenda do rap de New York, Slick Rick. O triunfo são as letras, uma jornada pela história do hip-hop sob a ótica de primeira pessoa:
"Back in the days I knew rap would never die
I used to listen to Awesome 2, on WHBI
I used to hear all kind of rap groups before samplin loops
Rappers wore bell-bottom Lee suits
Me and Kenny couldn't afford that
So we would go to the park when they was jammin to hear rap
I used to listen 'til the cops broke it up
I always thought to myself -- Damn, why they fucked it up?"
Dentro de sua história há um aviso: rappers daqueles dias que alcançaram a fama e o estrelato desapareceram tão rápido quanto subiram, ou com ele diz, "They were large, but none of them could managed to stay on top." E logo após essas palavras que a potente ironia do primeiro album de KRS-One é sentida. Segue o refrão:
"Do you ever think about when you outta here?Record deal and video outta here?
Mercedes Benz and Range Rover outta here?
No doubt BDP is old school, but we ain't goin' out!"
Ninguém reclamaria de nada até aqui. A riqueza é furada se você não planejar para o futuro, mas indepentende de que rimas ele insere nessa parábola ele pontua cada verso da música com a linha, "No doubt BDP is old school, but we ain't goin' out!". A batida hipnotizante e as rimas de KRS-One escondem qualquer contradição, mas é bem óbvio que BDP "did go out", ou então este seria o album de Boogie Down Productions, "Return of the Boom Bap", e não de KRS-One solo. Do lançamento desta música em diante, BDP passou a existir somente em nome. Como um coletivo de artistas, eles silenciosamente foram sumindo, e poucas pessoas até mesmo lamentaram. Contanto que KRS-one continuasse a fazer rap, ninguém dava a mínima.
Levando-se em conta a alta qualidade deste album, isso tudo não é surpresa alguma. Primo foi a força guia por trás deste album basicamente, e fez sua presença sentida diretamente em músicas como a jazzy "Mortal Thought" e a espiritualmente funky "Higher Level". Ele também co-produziu "I Can´t Wake Up" juntamente com KRS-One, o lado B do primeiro single. Por alguma razão, as pessoas interpretaram essa música como um ataque direto contra marijuana, ao invés de uma fantástica viagem onde um rapper cai em um sonho induzido por hipnose onde ele tornar-se um baseado que é passado de mão em mão entre os tais do hip-hop. Para os que não entenderam, "Spark Mad Izm" do Channel Live depois resolveria o problema, mas naquele tempo as atenções estavam voltadas para o segundo single "Sound of Da Police" produzida por Showbiz. Enquanto o projeto paralelo de Ice-T, Body Count, estava atraindo todas as atenções da mídia para "Cop Killer", KRS-One mandava um verdadeiro balaço na bunda dos porcos:
"Now here's a likkle truth, ppen up your eyes
While you're checking out the boom-bap, check the exercise
Take the word "overseer," like a sample
Repeat it very quickly in a crew for example
Overseer.. Overseer.. Overseer.. Overseer
Officer, Officer, Officer, Officer!
Yeah, officer from overseer
You need a little clarity? Check the similarity!
The overseer rode around the plantation
The officer is off patroling all the nation
The overseer could stop you what you're doing
The officer will pull you over just when he's pursuing
The overseer had the right to get ill
And if you fought back, the overseer had the right to kill
The officer has the right to arrest
And if you fight back they put a hole in your chest!
(Woop!) They both ride horses
After 400 years, I've _got_ no choices!
The police them have a likkle gun
So when I'm on the streets, I walk around with a bigga one!"
Dadas as tensões raciais após as revoltas urbanas de L.A. em 93, é incrível que esta música não tenha despertado algum mal estar no estilo Ice-T. Mas talvez as pessoas estivessem finalmente acordando para o fato de que após anos de músicas como "Fuck the Police" do N.W.A. e "Headcracker" do Double XX Posse estavam chegando em alguma conclusão. Que brutalidade policial é baboseira. Infelizmente as lições que Rodney King deixou serviram de nada, porque anos depois a sociedade passou por tudo isso novamente com Abner Louima. KRS-One deveria ter colocado uma continuação no refrão, "WOOP WOOP! I stick de plunger up your ass, WOOP WOOP! I'm a pig wit no class" mas infelizmente essas pessoas que mais deveriam ouvir essas músicas nunca as ouviram.
Surpreendentemente as faixas mais legais do album são as produzidas pelo próprio KRS-One. O baixo pulsante da faixa título, o beatboxing minimalista de "Uh Oh" e o simples porém efetivo loop de "Black Cop" (lançada previamente com uma pequena fanfarra na trilha sonora de "CB4") todas são tiro certo. Todos os beats dos projetos de KRS-One desde 1993 estavam na borda entre quase lá ou apenas medíocres, o que novamente é fácil de presumir os créditos da influência de DJ Premier neste album. Nos créditos ele recebe nota a mais contribuições e é o único assinalado com um * ou + ao lado dos títulos. Em outras palavras, quando não há algum crédito extra vai automaticamente para ele. Pena que Primo nunca tenha se unido com KRS-One nesse nível após, salvo algumas pequenas mudanças no album seguinte e alguns projetos esporádicos desde então.
Independentemente que alguém ache que KRS-One é mais legal com ou sem Kenny Parker, seu irmão não faz falta alguma aqui. Com todos os produtores citados até aqui Kid Capri ainda não foi mencionado, e ele manda excelentes músicas com "Brown Skin Woman" e "Stop Frontin´". Ainda mandando uns raps supreendentemente legais na última citada:
"You wanna step to Kid Capri, COME COME COME!!
I break em up, just for actin like a superstar
Around the way, we got a neighborhood trooper car
We ride by, and spray your crew, and your honies too
And rip you open and drink your blood like a Mountain Dew"
É! O garoto estava nervoso nessa. No geral, há somente duas coisas para se queixar neste album: a clássica lado B "Hip Hop V. Rap" do segundo single não foi incluída, e cinquenta e seis minutos desse pulsante rap parece pouco aqui. Esse foi KRS-One no auge de sua prosa, poder e popularidade, mostrados em todos os aspectos. O que faz terminar o album com "Higher Level" perfeitamente apropriado. Quando as pessoas falam do porquê KRS-One ainda ser respeitadíssimo apesar da lista de atitudes contraditórias e material absurdamente metido a didático na última década, albuns como este são o motivo. Ame ou odeie, não podemos negar que ele é um dos grandes de todos os tempos. E este album é a prova.
This is real rap.

The Notorious B.I.G. - Ready to Die


O album que reinventou o East Coast rap para a era gangsta, "Ready to Die" fez de Notorious B.I.G. uma estrela e catapultou o selo Bad Boy de Sean "Puffy" Combs para o reconhecimento. Atualmente reconhecido como um dos maiores albums de hardcore rap já gravados, muito pelo talento de B.I.G. como narrador de histórias. Seus raps são fáceis de entender mas talento não falta, ele tinha um jeito livre e solto de empilhar rimas uma em cima da outra em rápida sucessão. Ele era abençoado com um flerte pelo dramático e variava de personagens contraditórios para outros facilmente. Ainda assim não importanto o quão factual fosse, é possível ver elementos de B.I.G. nas suas narrativas de personagens e sua experiência pessoal nos detalhes. Tudo é muito enraigado na realidade mas quando tocado parece cenas de um filme. Um senso de condenação permeia suas histórias, com bandidos cruéis em "Gimme the Loot", a namorada de um malandro em "Me & My Bitch", ladrões atrás da nova fortuna de B.I.G. em "Warning" , tudo permeado por fogo de bala. O album também apresenta uns toques do lado mais desolador e frio das ruas como em "Things Done Changed", "Ready to Die" e "Everyday Struggle", músicas tocantes e cheias de confusão e desespero. Nem tudo é tão sombrio entretanto, a produção de Combs resultou em alguns momentos comerciais e divertidos e tirados de hits antigos como "I Want You Back" dos Jackson 5 na pornográfica "One More Chance", "Juicy Fruit" de Mtume na crônica de ascenção social de "Juicy", e "Between the Sheets" dos Isley Brothers na baladinha de amor peso pesado "Big Poppa". O produtor Easy Mo Bee contribui bastante também na criação da atmosfera com os beats, mas mesmo assim, o show é de B.I.G. e ele fecha o album com "Suicidal Thoughts" atingindo o ouvinte com mais uma daquelas na cabeça e no coração. Fácil entender porquê este cara já era reverenciado mesmo antes de sua morte.
Hardcore rap masterpiece.

DMX - It's Dark and Hell Is Hot

Debut album album do rapper americano lançado em maio de 1998 pela Def Jam, subsidiária da Ruff Ryders Records. O album teve quatro singles com videoclips, "Get at Me Dog", "Stop Being Greedy", "How's It Goin' Down" e "Ruff Ryders Anthem". O disco é considerado um clássico do hip hop por fãs e pela crítica, muito pelo fato de revitalizar o hardcore rap no mainstream, numa época em que Puff Daddy e Bad Boy Entertainment dominavam as paradas com um som mais orientado para o pop.
Antes do album ser lançado, DMX juntou-se aos produtores Irv Gotti, P.K., Dame Grease e Swizz Beats. Cada produtor utilizou seu estilo particular na criação dos instrumentais. "It's Dark and Hell Is Hot" apresenta instrumentais góticos criados na maioria por P.K. e DMX versa em geral sobre violência. O rapper é conhecido comumente por sua voz rouca, latidos e rosnados aparecem por todo o album. Muitas das músicas do album são compostas por batidas sombrias e letras pesadas em uma antecipação de violência brutal. Comparadas a músicas agressivas como "Intro", "Ruff Ryders Anthem" e "How's It Goin' Down" possuem temas mais leves. O album também apresenta faixas mais introspectivas como "Let Me Fly", "For My Dogs" e outras. "Damien" trata de uma história com os personagens narrados pelo cantor que conta da relação dele com o Diabo, com o qual ele faz um pacto envolvendo o cometimento de atos de violência em retorno de fama e dinheiro.
O album é conhecido por apresentar letras extremas de violência com músicas como "Intro", "X-Is Coming" e outras mais. Também sobre a penosa vida pregressa do cantor em "Look Thru My Eyes" e "Let Me Fly". Mais temas estão inclusos como amor, ódio, cotidiano e Deus. O que é não é muito usual no hip hop DMX inclui várias espécies de orações em que ele conversa com Deus.
Algumas letras vão além da violência gratuita e são hediondas como em "X-Is Coming": "If you got a daughter older than fifteen, I'm a rape her/Take her on the living-room floor, right there in fronta you/Then ask you seriously, 'What you wanna do?'". Coisa macabra. Algumas das letras mais violentas de DMX, inspiradas por horror, crime, e hardcore rap criaram um estilo que dominou uma parte da indústria musical do rap. Um exemplo disso está em alguns freestyles nunca lançados oficialmente com Ja Rule e até Jay-Z, e algumas linhas em suas faixas oficiais. Até semi plágios no paupérrimo rap brasileiro com Racionais MC's ("Crime Story").
A recepção do album foi muito positiva pela crítica na época, muito pela aura violenta do rapper e sua autenticidade.
Em geral o album todo é sociopata e malvado, e macabro, muito macabro. O cara faz pacto com o Diabo na música e acontece tudo na vida real. Esse "vidaloka" atualmente está na cadeia por porte de drogas, crueldade contra animais, identidade falsa, dirigir sem carteira de habilitação e agressão.
O cara deixa qualquer metaleirinho black metal no chinelo.
Chills to your souls.