Airbourne - No Guts. No Glory


Neste segundo album, esses rockeiros doidos australianos estão exatamente um traje escolar de distância de serem uma banda cover de AC/DC. O homem de frente Joel O´Keefe aperfeiçoou os grunhidos de Bon Scott e os sons emulam perfeitamente nas guitarras os riffs de boogie-woogie backbeats do AC/DC. Como se não fosse o bastante, as letras ("As long as you're alive and we're alive / Rock'n'roll will never die!") e os títulos das músicas ("Born To Kill," "Overdrive," "Back On The Bottle") também possuem aquele sentido de "já não ouvi isso antes em algum lugar?". Originalidade à parte, mas chega a ser meio forçado.
No final das contas, tenho que admitir. Em tempos de rock maricota este disco veio para dar uma boa dose de testosterona antes que ficássemos todos andrógenos e ovulantes afins.
Great young band.



Asian Dub Foundation - Punkara [Japan Release]


Pelos tempos do auge do Asian Dub Foundation no final dos anos 90, tornou-se um cliché os enaltecerem como o que o Reino Unido tinha de mais perto de um Clash ou Sex Pistols moderno, carregando a tocha da rebeldia punk. Uma coisa preguiçosa de certa maneira. A idéia de qualquer música que vestisse a roupagem política dos idos de 77 (e todo o resto) parecia conservadora por si mesma. Uma tentativa de acorrentar uma banda que foi feita para quebrar qualquer corrente que encontrasse. É um tanto desapontador reportar, então, que uma década depois de seu album incendiário de sucesso, "Rafi´s Revenge" de 1998, o ADF retornou com um album entitulado "Punkara", um amálgama de punk e Bhangra, que soa como um gênero preparado por um jornalista em seu intervalo de almoço.
Descrito pela banda como "um passo além dos sons de baladas" em favor de um som mais pesado e ska-punk/rap-rock, "Punkara" inicialmente desapontou: francamente é um pouco de Limp Bizkit, porém com batidas mais rápidas, e com letras tendendo para o polêmico com o jogo de palavras espertinho que as banda de nu-metal adoram (vide "Altered Statesmen", sobre líderes mundiais e suas predileções por refrescos químicos).
Ainda assim, equanto que o formato geral de "Punkara" não pareça nada revolucionário, contém alguma diversão incendiária para se curtir. Um cover de "No Fun" com Iggy Pop nos vocais poderia ser um daqueles momentos "e daí?", mas o ADF recria a faixa com marcantes tambores asiáticos, flautas evidentes e para seus créditos Iggy não parece se importar nem um pouco. Destaque do album, "Speed of Light", enquanto mistura cordas de Bhangra, vocais etéreos femininos e tempos galopantes de drum ´n´ bass com um efeito genuinamente inspirador. Não é o melhor disco deles, mas o fato do Asian Dub Foundation ainda estar lutando foi reconfortante por si só.
Youthful and creative.


George Clinton - Computer Games [Vinyl LP]


Seguindo a dissolução de seu império do Parliament Funkadelic, que ruiu entre 1980-81 depois de um revés criativo e comercial, George Clinton reemergiu em 1982 na Capitol Records como artista solo. "Computer Games", sua estréia solo, é na verdade solo só no papel, uma vez que, o album apresenta no grosso vários músicos do P-Funk com os quais Clinton colaborou nos anos anteriores, mais notavelmente Bootsy Collins, Gary Shider, Fred Wesley e Walter "Junie" Morrison. Como sempre, Clinton fica em evidência o tempo todo em "Computer Games", e suas performances vocais são malucas e charmosas como sempre, especialmente nos dois singles de sucesso, "Atomic Dog" e "Loopzilla". De um ponto de vista musical, há uma pesada ênfase aqui em sintetizadores e baterias eltrônicas, consideravelmente maior do que em qualquer trabalho anterior do P-Funk. Parcialmente por causa da época, por ser começo dos 80, e também pelo menor leque de músicos à disposição na época. Seja qual for a razão, "Computer Games" marca uma guinada do passado de Clinton de várias maneiras, e mesmo que tenha sido um renascimento de sucesso, com "Atomic Dog" encabeçando as paradas de R&B e eventualmente tornando-se imortalizada por artistas de hip-hop pós-modernos, em um golpe do destino este esforço solo também marca o zênite de sua carreia solo, ao passo que ele vai progressivamente tropeçando criativamente nos anos subsequentes.
Supah funky!!!

Paris - The Devil Made Me Do It


Uma ouvida no "The Devil Made Me Do It" faz você pensar se Paris gravou o album em um buraco, ou um bunker gelado. Ou pelo menos o depósito abandonado em que ele e sua banca marcham através durante seus videos. Assim como os primeiros Public Enemy (uma inspiração básica) e os dois discos do X-Clan, os melhores momentos do disco de estréia de Paris trabalham em dois níveis. Muitas dessas faixas possuem grooves sombrios no meio delas, construídas em batidas excelentemente programadas e garras afiadas ao invés de refrões. Além disso, o grau de instrução de Paris e rimas venenosas que são embasadas em temas pro-black. Em um mar de rappers afrocêntricos do começo dos anos 90, Paris foi um dos mais distintos e talentosos em seu estilo, sua voz era cheia de raiva e tensa o suficiente para causar agonia em qualquer desavisado. Mesmo com as faixas apimentadas por samples de Chuck D, Panteras Negras e Malcom X, Paris não fica por baixo em nenhum momento. Faixas afiadas como "Break the Grip of Shame",  "The Hate That Hate Made", "The Devil Made Me Do It", e "Wretched" dizendo ("Mindless music for the masses makes ya think less of the one that hates ya") proporcionam uma audição prazerosa, porém tão parado no tempo hoje em dia quanto qualquer album hedonista e provocativo de gangsta rap.
Sick lyricist!


O EP está tão vivo hoje em dia quanto o 8 track e o 7" single: claro, você verá um de vez em quando, mas a maioria das vezes, as pessoas vão pegar e dizer, "Porra só cinco músicas? Foda-se", e colocam de volta na prateleira. O porquê delas fazerem isso quando na maioria dos albuns é sorte encontrar 5 músicas decentes por mais ou menos 16 dólares é incompreensível, mas este EP, juntamente com "This is an EP Release" do Digital Underground tamém lançado na mesma época, trouxeram o interesse da galera hip hop de volta para o formato moribundo. Mesmo não sendo tão longo, a intenção é fazer você gostar, saciá-lo enquanto o album completo não sai, e neste caso, sendo um trampo por si só, mesmo que mais curto do que o normal.
Mc Ren largou "Kizz My Black Azz" logo na cola de seu multi platina direto do topo das paradas "Niggaz4Life". Foi um choque naqueles tempos, que um album tão violento e tão gangsta fodão como o "niggaz..." chegasse no topo das paradas. Agora o DMX peida no bumbo e late para você e vai para o #1 na primeira semana, mas não irei fugir do assunto mais.
Naquele tempo, Cube tava pirado. Eazy todo mundo sabia o que rolava. Cacete, até o Dre começou a rimar mas Ren, amplamente conhecido como o verdadeiro MC no bando, ainda tinha que largar algo solo, então o EP veio como uma benção para as cabeças que imaginavam se Ren poderia mandar algo fodástico sozinho.
E pode crer que ele fez, mas honestamente, ele não é a melhor coisa neste EP, Bobcat é. A produção dele (ele trabalhou para LL, também) brilha muito neste disco. Camadas de samples no estilo "Paul´s Boutique", baixão bem temperado e batidas bem loucas providenciam um belo plano de fundo sonoro para a inconfundível voz de Ren mandar suas rimas. Porra, a segunda melhor música no EP é a instrumental de Bobcat "Intro: Check it Out Y´All", uma batida funkeada bem louca que roda uns cortes juntos de vocais do Ren no fundo como se ele quisesse dizer aquelas palavras. De quebra uns turntables cheios de manha, uns samples doidos e barulhos que lembram a produção daqueles tempos do Bomb Squad, mas com seu próprio tempero da costa oeste (o baixo é mais profundo e a batida é mais lenta).
Mas não quer dizer que Ren ficou só atrás do groove. Ele não seria o The Villain se fizesse isso. Na batida rápida da faixa título, ele cospe fogo em algumas (ele não diz os nomes) pessoas na indústria, também nos bastardos invejosos. Em retrospectiva, algumas de suas bravatas parecem um pouco malucas ("I'm tired of rappers with live instruments on the stage/save the shit for parades") mas isso tudo acontece quando você está escutando um lance de 1992.
"Final Frontier" é embalada por por uma batida encorpada e empolgante, que incorpora "The Bridge Is Over" e é ancorada por um refrão fodão pegajoso. E se me lembro bem, o refrão tornou-se uma camiseta, na real. Para dizer a verdade, a música é basicamente daquelas para animar a festa, porém pervertida e sujona. Onde você poderia ter "the girl looked fine, I stepped to her" e variações do gênero, você tem ao invés "It's just hardcore niggaz actin crazy on the stage/wearin gangsta clothes, yo, and spittin on the hoes" .
"Hounddogz" é legalzinha, nada especial, e "Right Up My Alley" é uma do jeito de Ren que a moçada já estava acostumada com o N.W.A., mas parada mais louca, a mais louca pela qual você deveria comprar o album, é "Behind The Scenes". Uma história bem doida rimada, que passa dos limites uma ou duas vezes talvez (porra, o último verso fala de orgia em família) é queira ou não uma loucuragem fodástica. A batida é definitivamente diferentona, a montagem no final é uma perfeição depravada ("DJ Train incessantemente jogando "She like suckin on DICK" "She Swallowed it" do N.W.A.) e a narração rimada de Ren brilha.
De qualquer forma o EP não tem enrolação. Direto na lata meia dúzia de sons bem loucos. Definitivamente melhor que um LP cheio de merdas no meio.
West Coast Classic!



ren my vfo azzzzo n.

Shaquille O´Neal - Shaq Fu: Da Return


Segundo album do Shaq, ainda que um disco até decente de rap, não é nada demais. O que ele faz bem aqui é recrutar uma lista de colaboradores de primeira linha, como Warren G e Keith Murray. Este CD ficou conhecido pela pegada mais pessoal nas letras dele, como em "Biological Didn´t Bother", um testamento para seu padrasto a quem ele credita muito de seu sucesso. De qualquer fora parece que Shaq tinha algo a dizer aqui, pelo menos. (Em tempos de tcherecherê/tchu tcha tcha Shaquille O´Neal é Camões)
Listenable at least.


Antes mesmo de chegar nas prateleiras das lojas, o trio Fu-Schnickens de New York criou um certo bochicho por causa do nome bizonho do grupo. Logo que lançaram seu album de estréia, "F.U. Don´t Take It Personal", a música deles tornou-se muito curiosa e intrigante. A música é inundada com trechos de diálogos de filmes de kung fu e todas as maneiras de referências à cultura pop, com uma obscuridade particular por trás. O album tem um ar irônico e vivaz de desenho animado por assim dizer. Tudo isso contraposto pelas metralhadoras vocais dos três MCs (Poc, Chip e Moc Fu), que parecem fazer tudo telepaticamente em um transe verborrágico. Nesse ponto, eles encaixam-se perfeitamente com tais como Leaders of the New School e Brand Nubian, como parte daquela nova onda de hip hop do começo dos anos 90 que catapultaram o estilo para o futuro parte por manter aquela camaradagem dos grupos da velha guarda. Todos os grupos em paralelo, entretanto, eram tão progressivos porque cresceram imersos na cultura e no estilo de vida do hip hop, sabiam do que se tratava, assim desenvolvendo estilos únicos com temas variados para se sobresairem. O Fu-Schnickens não era diferente nesse aspecto, e mesmo que suas roupas (uniformes de kung fu na capa) e gosto nas influências tenha feito um impacto estranho, a pegada musical foi direta e séria no album de estréia, como pode-se notar. Com uma ajuda na produção de A Tribe Called Quest, eles criaram diferentes atmosferas e paisagens misturando batidas pesadas com reggae além de soul e assim por diante. No geral uma lição de rima rap.
Clever, fast and different.

Das EFX - Hold It Down


Mesmo que a dupla tenha tentado de verdade, não tem muito em "Hold It Down", o terceiro album do Das EFX, que faça dele muito diferente dos dois albuns anteriores. A produção é mais enxuta e o resultado mais direto, mas mesmo assim não disfarça o fato das batidas serem mais fracas que dos albuns anteriores, nem as rimas não serem mais legais ou inovadoras. Entretanto, há alguns bons momentos em "Hold It Down" que certamente agradam os fãs da dupla, mesmo que não tenha o mesmo apelo do album de estréia.
Real hip hop.

Grandmaster Flash & the Furious Five - The Message


"The Message" foi pioneiro no hip-hop, elevando o estilo de hinos de festinhas para o nível de trilha sonora das ruas. A música começou como um poema do professor secundário Bootee. O chefe da Sugar Hill, Robinson, decidiu fazer dele uma gravação de rap com Melle Mel dos Furious Five. Flash disse em 1997: "Eu odiei o fato de que foi anunciado como Grandmaster Flash and the Furious Five, porque as únicas pessoas na gravação eram Mel e Duke Bootee." Mas a música, guiada pelo riff de sintetizadores futuristas e a letra sombria sobre decadência urbana, tornou-se um sucesso instantâneo nas rádios hip-hop de New York. "It played all day, every day," disse Flash. "It put us on a whole new level."
O album também tem outros sons influentes como "It´s Nasty", bastante sampleada até os dias de hoje.
Led to what became a horrible genre of music.


Barulhento, irritante, autêntico, avant-garde, político e hilário. O brilhante segundo album do Public Enemy é tudo isso, de uma vez só. Chuck D arregaça nas rimas como um apresentador no estilo Marv Albert. O doidão Flavor Flav dá o tom cômico e alivia um pouco. O time de produção, Bomb Squad, constrói uma hipnose com samples empilhados em várias camadas e barulhos de sirenes espetadas no meio. O título e introdução de "Bring the Noise" são a mais pura verdade.  "If they're callin' my music 'noise," disse Chuck D, "if they're saying that I'm really getting out of character being a black person in America, then fine – I'm bringin' more noise". Na lata!
One of the greatest.



Um dos três vinis originais que saíram do segundo e clássico album "By All Means Necessary". A faixa "Stop The Violence" aparece 3 vezes em diferentes versões além da doiodona "Jimmy" com direito a sample de Wings.
Hip hop velha guarda como não se faz mais.
Classic!

De La Soul - Art Official Inteligence: Mosaic Thump


Imagine que não há popozuda. Nem gostosas com cabelos esvoaçantes. Nem Cristal na banheira. Nem Rolex no pulso. Agora imagine o De La Soul em 1989, ignorando a onda e o estilo do hip-hop com seu clássico album de estréia, "3 Feet High and Rising", rimando sobre buracos na grama, vestidos como fantoches Muppets que se perderam no caminho para o campo de golfe, sampleando qualquer coisa desde Steely Dan até Schoolhouse Rock. De La Soul era um grupo de hip-hop de cartoons de sábado de manhã, com o produtor Prince Paul providenciando as piadas mais engraçadas. Juntamente com seus manos do A Tribe Called Quest e os Jungle Brothers, o trio resumiu bem o estilo de hip-hop do Native Tongues: progressivo, brincalhão e leve nos pés. Como todas as coisas boas, o momento do Native Tongues acabou muito cedo, mas o De La Soul nunca jogou a toalha. No seu quinto album, "Art Official Inteligence: Mosaic Thump", Posdnuos, Dave (antes Trugoy) e Maseo continuam suas estranhas evoluções como embaixadores do hip-hop.
Os espertos jovens que fizeram "3 Feet High" são todos trintões agora, e mesmo que o som tenha ficado mais mela cueca, continua bem sacado, excêntrico e cheio de retornos e contornos inesperados. "Art Official Inteligence", foi o primeiro de uma trilogia planejada, e foi o primeiro album do De La Soul desde "Stakes Is High" de 1996, que foi o primeiro album deles em três anos. (Os caras estavam se achando os Pink Floyds da vida pelo jeito hehehe) Mas quando o De La Soul vai para o estúdio eles sabem como fazer a festa lá. "Oooh" é um tipo de funk bobo louco meio bagunçado que poucos artistas de hip-hop adultos tentariam, entrelaçado com o balbucio demente de Redman e as impresões do De La Soul Treacherous Three. "U Can Do (Life)" loopa um trecho de Chic "Le Freak" enquanto Posdnuos manda a rima, "They stressin' back in the day/I'm at the front of the night." Como todos os albuns do De La Soul, "Art Official Inteligence" tem muita encheção de linguiça indulgente, mas é o preço que eles pagam por experimentar, e as participações especiais de Busta Rhymes, Chaka Khan, Xzibit e dos Beastie Boys mantêm o corpos se mexendo. Mesmo sem muito alarde na mídia e nada de pose, De La Soul mostrou como o pessoal do hip-hop pode amadurecer no ofício.
O espírito do Native Tongues vivia na pretensão, os grupos de faculdades taxaram "o underground" como bando de crentes e os "backpackers" de céticos. O problema com o hip-hop underground era a música. A batida ficava fraca tipo jazz-fusion, enquanto os MCs tantavam muito soar sutis e desprendidos que a mistura toda acabava em uma meleca. O album de estréia em uma major do Dilated People, "The Plataform", foi um avanço comparado com o trabalho independente deles, graças às batidas fortes do DJ Babu e a ajuda de B Real do Cypress Hill, The Alkaholiks e o desaparecido em combate prog-rapper Aceyalone. Mas o Dilated People continuou dolorosamente domado no microfone, especialmente Evidence, que mandou uma pérola do ridículo no "The Plataform" sendo o primeiro rapper a cantar as palavras "between you and I." Os vocais afundam a música: esse é um tipo de album de hip-hop onde o MC se compara com Steve Howe, e enquanto você espera que ele esteja referindo-se ao jogador de baseball homônimo, você sabe que lá no fundo ele está se referindo ao guitarrista do Yes. Que pena que o People não sampleou "Roundabout" (hehehe).
Chega de descer a lenha em quem não tem nada com o disco postado aqui. Peço desculpas.
De qualquer forma o De La Soul e seus discípulos provaram que os mocinhos podiam continuar no páreo, sem pose e sem ignorância. Rap do bem.
Decent decline.

Stevie Wonder - The Woman in Red [Soundtrack]


A carreira de Stevie Wonder nos anos 80 foi uma fonte de frustração para os fãs que ele ganhou nos anos 60 e 70. Em 1982, houveram algumas poucas novas canções em um album de greatest-hits e um dueto com Paul McCartney. Então veio esta trilha sonora para uma comédia de Gene Wilder que simultaneamente foi mais um album vocal pop do que a maioria das trilhas sonoras e ainda assim menos que um album de Wonder propriamente dito. A Globo de Ouro sucesso número um nas paradas foi a melosa "I Just Called to Say I love You", uma jogada de marketing das boas. "Love Light in Flight" também emplacou, e o album também teve Dionne Warwick em dois duetos e uma solo. Foi até um disco bacana, mas, após quatro anos, os fãs de Wonder queriam mais que isso.
Not exacly Wonder-ful.

Marvin Gaye - Midnight Love


Ele foi concebido como um album sobre salvação espiritual e sexual entitulado "Sexual Healing", com o mesmo nome da música que eventualmente tornou-se o maior sucesso da carreira de três décadas de duração de Marvin Gaye. Mas a nova gravadora do cantor, Columbia, não estava empolgada com o título, e por final nem mesmo Gaye, que estava preocupado que tal provocativo título estragasse o que ele esperava ser sua volta triunfal.
Gaye desistiu da idéia mas manteve a música "Sexual Healing", que ele corretamente acreditou desde o início ser um sucesso (alcançou a terceira posição na parada pop da Billboard). "They'll be jamming all over the world to this," ele disse ao seu biógrafo David Ritz, que colaborou com ele na letra da música.
Mesmo que "Midnight Love" não tenha sida a obra prima de Marvin Gaye (essa honra vai para o essencial album "What´s Going On") é um inspirado e maduro trabalho de um dos maiores cantores de soul, e cartamente é um dos melhores albuns de soul dos anos 80. Carregado de grooves dançantes, sofisticado trabalho de guitarras, ritmos exóticos e vocais sedutores, "Midnight Love" realmente provou ser a volta de Marvin Gaye. Infelizmente, foi também o último album que ele fez antes de ter sido morto a tiros pelo seu pai em abril de 1984.
"Marvin esteve vivendo na Europa, e ele foi influenciado por ambos reggae e trabalhos de sintetizadores de grupos como Kraftwerk", lembrou Larkin Arnold, um ex vice presidente da CBS Records que foi produtor executivo de "Midnight Love". "Ele pegou o ritmo do reggae, a nova tecnologia e o soul americano e veio com algo novo e único".
Mesmo que "Midnight Love" tenha um sentido urbano e até um pouco plastificado, o album na verdade foi concebido e criado enquanto Gaye esteve vivendo em Ostend, uma pacata cidade costeira na Bélgica, onde ele foi se esconder para escapar dos excessos de Hollywood e Londres. No começo ele trabalhou com seu cunhado o multi instrumentista Gordon Banks, no Studio Katy, em Ohaine, uma pequena cidade não distante de Brussels. Mais tarde o veterano produtor da Motown Harvey Furqua (que descobriu Gaye e colocou-o em seu histórico grupo de doo-wop os Moonglows em 1958) foi levado até lá para manter as coisas no lugar.
Gaye trabalhou esporadicamente no album por um período de nove meses. "Ele era teimoso", disse Arnold. "He enjoyed the role of the tortured and spurned artist. He would pout and go off. Two or three times he stopped working on the album. It was nerve-racking". Também disse ele. O custo financeiro da Columbia para colocar Gaye no estúdio e mantê-lo lá foi alto. Mais de $1.5 milhões para comprar seu contrato da Motown, uma entrada de $600,000 para o cantor e mais de $1.5 milhões de custo de gravação, de acordo com Curtis Shaw, o advogado de Gaye na época. Mas Arnold, que foi o mentor do negócio, coloca o custo da gravação de "Midnight Love" perto de $2 milhões.
Seja qual tenha sido o preço, o album foi um sucesso, vendendo 2.7 milhões de cópias no mundo todo, mais de 2 milhões delas nos Estados Unidos. Gaye viu seu album, que sucedeu dois albuns fracassados pela Motown, como um empreendimento comercial para ganhar de volta uma massa de audiência perdida. Em uma tipicamente franca entrevista, ele até descartou um par de músicas do album como "artificiais".
Deixando as pirações de Gaye sobre o fim do mundo da lado, ele acabou acertando em cheio com seu pré planejado intento aqui.
Este album aqui resenhado é uma reedição da Altaya, um selo espanhol, com uma capa alternativa.
The voice of a tortured and triumphant soul.

Robert Palmer - Riptide


Vindo na cola do massivo sucesso do Power Station, "Riptide" empacotou a suave personalidade e voz de Robert Palmer em uma série comercial na maioria de músicas de rock que pareciam ser feitas na medida para as paradas de sucesso. A conexão com o Power Station pareceu deixar forte demais o interesse usualmente mais eclético de Palmer, mas com o produtor e membro daquela banda Bernard Edwards tomando conta da produção e os membros Andy Taylor e Tony Thompson participando também, similaridades estilísticas ficaram inevitáveis. "Flesh Wound", entretanto, soa como uma versão de "Some Like It Hot", com suas guitarrinhas em staccato e bateria tribal imitando o hit single. "Hyperactive" adiciona um pouco de veneno pop para a fórmula, com seus teclados brilhosos da época do Miami Vice. Cafonalha nostálgica por assim dizer. "Addicted to Love" compartilha da mesma pegada, diminuindo o ritmo bombástico do Power Station em um mais meloso, território blues, ainda assim mantendo uma veia rock. A música emplacou no topo das paradas americanas e vendeu mais de um milhão de cópias no mundo todo como single. Um video clipe para a música, mostrando modelos rebolandinho de forma sexy no ritmo do som, sem dúvida ajudou nas vendas e alavancou uma nova fase na carreira de Palmer, onde video clipes podiam quase obscurecer suas composições. Igualmente pegajosa e quase tão bem sucedida foi a versão de Jimmy Jam e Terry Williams "I Didn´t Mean to Turn You On". É provavelmente a faixa mais arriscada de "Riptide", com suas nervosas notas fragmentadas, linhas de baixo funkeadas e bateria bem marcada encaixando com os vocais melosos de Palmer, criando mais uma música batuta para aquele pessoal do gelzinho no cabelo e terninhos com ombreiras da época. Também não pode ser deixada de lado a faixa de Earl King "Trick Bag", que Palmer transformou em um blues para época modernoso. Mesmo com "Riptide" usando o Power Station como base, suas maiores falhas são onde Palmer se destaca disso tudo, especialmente nas cafoníssimas duas versões de "Riptide" no começo e no final do album.
O album todo é um deleite cafona porém interessante peça para estudo da evolução dos anos 80.
F... the 80s.


As dez músicas neste CD vão do ótimo ao mediano, principalmente porque os Meters insistiram em cantar e simplesmente não eram grandes vocalistas. Suas conduções e harmonias em "Come Together" e "Bo Diddley", entre outras, foram exuberantes, mas não adicionam nada perante os originais. Por outro lado, não houveram muitos grupos em qualquer estilo que apresentassem tamanha química e alma juntos. Seus inspirados ritmos funk quase apagam os fracos vocais (fracos em comparação ao nível da banda, ainda superiores a qualquer tranqueira que escutamos hoje em dia).
Overlooked gem.