No Fun at All - Low Rider


Banda esperta de Skinnskatteberg, Suécia, bem conhecida da galera. Este disco foi uma volta da banda após pendurar as chuteiras em 2001. E o resultado foi bom! Tirando a capa "redicra" não há nada para reclamar aqui.
Straight up & fun!

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Makumbah - Entrevista


Entrevista rápida com Murilo Henrique da banda Makumbah, para os desavisados já apresentada aqui em http://vf0.blogspot.com.br/2013/01/makumbah-despacho.html .

Vf0 - Comecemos pela gênese da banda. Como foi o processo de montar a banda?

Cara, eu e o Lucas Rosa (Cidão) sempre tivemos bandas juntos em Leme, começamos tocar juntos desde muito cedo e sempre tivemos a vontade de montar um projeto que fosse além do metal, que soasse como protesto e etc.. Eis que 2012 começamos a mexer os pauzinho, convidei o Duane que já havia tocado conosco em outro projeto e chamei outros 2 guitarristas, um deles acabou saindo e quem ficou foi o Gustavo Pêra somente. A banda de inicio ia tocar só uns clássicos do grindcore e do thrash, porém todo mundo tava pilhado nos sons mais crossovers, nos punk/hc's e na ideia de produzir música autoral que a formação se encaixou e se encontrou musicalmente de forma bem legal.

Vf0 - Por que o nome Makumbah?
Mano, não sei.... hahahaha.. ninguém sabe. A gente não queria nenhum nome que soasse sério, tenebroso, metálico, já estavamos cansados de nomes com Dark, Hate, Funeral, Storm no meio e não queriamos nome em língua estrangeira. Só sei que ficamos no dilema entre Saravá, Cabra da Peste e Macumba, acabei fazendo o logo com o nome de Macumba que depois foi adaptado pra Makumbah, curtimos e ficou. Mas o nome é significativo, na origem da palavra que é angolana a tradução refere-se a "soar assustador", em outras traduções se refere a palavra "festa" e no clichê contemporâneo faz alusão aos ritos de religiões africanas e etc. Enfim, seja o que for, tá valendo!

Vf0 - "A banda possui influências do Grindcore, Punk/HC, Crossover e Thrash Metal, buscando apresentar através do seu som atitudes de protestos em relação a política e sociedade". A partir do final desta frase, extraída do breve release no site da banda, lhe pergunto: Como você vê a sociedade brasileira atual? (De um modo geral, culturalmente, socialmente... você escolhe a veia).
Caracas mano, todo mundo da banda tem um olhar pra cada aspecto, vou falar do meu particularmente já que me encarrego de escrever as letras da banda.
Mano, acredito que a política brasileira é reflexo da sociedade, ambas são espelhos um pro outro. Atitudes expressas no estado são referencias da sociedade em que vivemos, então não se pode falar que tudo mudaria se trocasse alguns nomes no poder. E se tratando de poder creio que esse é o maior problema, a busca excessiva por status e grana aliena e esses são dogmas pregados pela mídia. Novelas, programas e até mesmo noticiários levam o público a seguir determinada linha de raciocínio consequentemente de realidade de vida, sem abrir espaço para o questionamento e construção de caráter humano. Esses são pontos que se sobrepõem em qualquer sociedade, porém no Brasil não possuímos controle algum sobre a educação, ela está deteriorada, mal estruturada, desde suas bases metodológicas através dos professores mal remunerados que se reflete em alunos, jovens e adolescentes possessos de revolta e em busca de uma felicidade que se baseia no que é apresentado pela mídia.
Culturalmente, tratando-se em primeira estância aos artistas, produtores de conteúdo e questionadores da sociedade e da vida, não se percebe um apoio coerente por parte do estado, que em muitas vezes ao invés de apoiar a iniciativa independente, se dispõe a colaborar com "artistas" de cunho comercial e sazonal. Outro reflexo ai do que é a sociedade em relação cultural, grande parte alienada, seguindo tendencias da indústria comercial, sem a preocupação de buscar conhecimento, de interpretar o que é expresso por outros, sem questionar o que é apresentado nas letras que canta.
Ao meu ver, brasileiros são passivos demais, engolem calados, não questionam e não cobram, os maiores embates que vemos na mídia são de cunho ideológico comercial, ou de desvio de foco, onde a população apoia quem a mídia apoia, que normalmente é quem está ganhando. Bom, se for falar mais aspectos dá pra fazer umas 12 páginas aqui..hahahaha.. na minha opinião se resume nesses aspectos, que muitas vezes é o que tento tratar nas letras.

Vf0 - Você tem outro projeto que é voltado para o rap. Fale dele.
Vixi, mano, tem uma penca de projeto... hahahaha...
Nunca me restringi somente aos gêneros ligados a música pesada, de fato me criei neles, durante todo tempo que vivi em Leme. Porém sempre mantive os ouvidos atentos à música brasileira, seja samba, baião, manguebeat e rap, cada uma expressa uma realidade em sua linguagem, isso é foda!
Desde então nunca me bitolei em um único gênero, me arrisco em ideias mais experimentais com ritmos brasileiros também, mas o rap, a rima, me fascina pra caralho. A forma de adaptar sua ideia a fim de que crie a rima aliado ao flow, a levada e cadência das palavras é fantástico.
Cheguei a gravar algumas tracks com grupos de dub de Araraquara-SP e São Carlos, nessa ideia da rima do rap mesmo. Fiz alguns trabalhos com amigos, mas nada muito sério. Curto muito também participar de batalhas de freestyles, as chamas batalhas de mc's, onde a ideia é formada ali no improviso, na hora.
Bom, tenho diversas tracks gravadas por mim e por amigos voltadas ao gênero mesmo, mas ainda falta um pouco de disposição e inspiração pra organizá-las e soltar algo pra galera.

Vf0 - Que bandas você anda curtindo ultimamente?
Putz, pergunta foda.. hahaha... como falei na resposta anterior, curto muita coisa variada desde som pesado até samba, então vou listar algumas coisas que venho ouvindo conforme os gêneros.
Metal/Punk/HC
Punch: banda fudida americana com uma mina com vocal visceral!
Dr. Living Dead: uma das melhores bandas de Crossover da atualidade.
DFC: qualquer disco, a qualquer momento.
Surra: banda de uns brothers de Santos, ep. fudido!
Dead Kennedys: em virtude do show deles no Brasil tenho ouvido muito o disco BedTime For Democracy
Teen Idles: banda que veio a se tornar Minor Threat.
Anti-Corpos: banda feminista de SP, foda! HC na cara!
Rap:
Nas e Damian Marley: O disco Distance Relatives, álbum muito bom que une o melhor do ragga com rap.
Rapadura: raper nordestino, flow sinistro!
Rael da Rima: mano de SP mistura rima e melodia muito bem.
Black Alien: a qualquer dia e momento, genial.
Coruja BC1: Mano de Bauru-SP, vai dar muito o que falar.
Variado:
Lucas Santtana: disco O Deus que devasta mais também cura. Melhor disco brasileiro do ano passado na minha opinião.
Los Sebosos Postizos: Projeto do Nação Zumbi tocando Jorge Ben Jor.
Seu Jorge e Almaz: projeto de Seu Jorge e alguns caras da Nação Zumbi.
Roy Ayers: um dos mestres do funk americano

Vf0 - Larga aí sua mensagem final e grande abraço!
Cara, antes de tudo agradecer a oportunidade e o apoio, são de veículos e pessoas como você que o underground e a música independente se desenvolve e acontece.
E como mensagem fica essa ideia que desenvolvemos nas ultimas perguntas,
acho que temos que nos livrar desses preconceitos sonoros em relação a outros gêneros, tudo agrega, de uma forma ou de outro apresenta novos pontos de vista, novas experiencias, não é em vão não.
É bom tirar a cara de mal de metaleiro e fazer valer as atitudes de respeito e coletividade. Independente de estilo tá todo mundo no mesmo caminho, a única coisa que difere é a linguagem.
E logo mais se tudo der certo, Ep. do Makumbah saindo, uma produça mais elaborada e mais protestos.
Valeu Chuck! Tamo junto man!

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Para quem quiser conhecer mais acesse o link http://tnb.art.br/rede/makumbah .
Valeu Murilo e a banda Makumbah! Boa sorte e contem conosco!

Satanic Surfers - Keep Out!


Album recomendado para os já fãs da banda, caso ainda não seja, é melhor ir atrás do "Hero of Our Time". Para quem curte o som da banda este disco não decepciona.
Nice melodic hc.

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Tarefa ingrata resenhar este disco.
Seria possível considerar como uma volta da banda, mas não à velha forma. Porém comparado à "Bad Mother Trucker" seria uma volta aos trilhos. Ainda longe do "Insider" por exemplo. Quem conhece a banda poderá entender.
Após a confusa introdução acima, ao tentar discorrer sobre a música em si torna-se complicado não tropeçar em algo, seguidamente. Na faixa de abertura "Wake Up (And Smell the Fascism)" fica difícil saber se é para rir ou chorar, se eles encarnaram um Propagandhi ou acabou o cereal na hora do café e ficaram bravinhos. Entre guitarras nervosinhas o vocal infanto-juvenil de Dennis Jagard vocifera clichés de punk de boutique. Para piorar eles tomam uma direção adolescente bobinha em "Kicked Out of Kindergarten", "She Looks Like" e "Last Call for Russel´s Balls", é claro com breakdowns e refrões bem cativantes para os não experientes no assunto. Também fica difícil compreender a relevância ou sentido por trás da história de Rachel Corrie em uma música de mesmo nome. Mas nos outros sons há uma essência do velho TFP, por sorte, juntamente com algum conteúdo anti Bush (vide o título do album). "Still Believe" parece ser o ponto alto do album.
Em suma, difícil por todos esses motivos citados concluir algo sem acabar cometendo injustiças.
Thumbs down heheheheh.

ten vfo dsdsddsfdskjfs




3 anos de vf0!!!


No começo do mês comemoramos mais um aniversário agora na marca de 150 mil visitas.
A maloqueiragem continua, com um pique mais lento por causa de outros projetos mas continua.
Este níver é de todos nós Mimi, Murer, Bob, Loko (perdido em combate) e o resto da galera toda no decorrer desses anos (Henrique Baudoks, Izzy Sexy Beast, Danizita, Mark Jail Boy, Alexandre RTP, e por aí vai...)
Obrigado a todos.


Makumbah - Despacho


Banda responsa de Leme / SP. A demo está disponível para download na própria page da banda.
Makumbah - Despacho

Segue mini release da page deles:
"Makumbah nasceu em Leme-SP em agosto de 2012, visando trabalhar músicas autorais A banda possui influências do Grindcore, Punk/HC, Crossover e Thrash Metal, buscando apresentar através do seu som atitudes de protestos em relação a política e sociedade. As músicas autorais são trabalhadas totalmente em português com o intuito de se expressar de forma direta."
Som aprovado pelo Chuck e abençoado pelo Murer Monster.
Thumbs Up!

Pulley - 60 Cycle Hum


Este segundo album do Pulley, "60 Cycle Hum", continua em maior parte na mesma veia de seu predecessor, entretanto com um pouco mais foco e consistência. Nem todos os sons acertam, mas passando por 14 em 28 minutos garante que quaisquer deslizes tenham estritamente curta duração.
Worth a listen.

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Face to Face - Don´t Turn Away


Considerado por muito fãs como sendo um clássico, este album de estréia na Fat Wreck Chords (originalmente lançado na Doctor Strange, com somente alguns poucos milhares de cópias enviadas antes da compania sair do mercado) qualifica-se como essencial punk melódico dos anos 90. A primeira (e de longe a mais cru) das três gravações do Face to Face que incluem o mega sucesso de rádio "Disconnected", este disco de 13 faixas revela uma banda à beira do estrelato punk. "Don´t Turn Away" contém os membros originais Matt Riddle no baixo, Rob Kurth na bateria e o vocalista e guitarrista Trevor Keith. O único constante no que tornou-se uma mudança sem fim de formação. Keith demonstrou uma voz poderosa e bem definida, juntamente com um forte comprometimento para com o material. Cuidadosamente evitando o falso sotaque britânico marrento ao qual seus contemporâneos pop-punk dos meados dos 90 não conseguiam resistir. Fornecendo um excelente suporte para as criações características do líder da banda, a seção rítmica fica contida e fora do caminho através da maior parte de "Don´t Turn Away". O entusiasmo da banda extrai o melhor deles durante o material mais lento que soa inconsistente às vezes, mas muitos fãs devem considerar tais idiossincrasias cafeinadas até legais e esquecer os aborrecimentos quando o trio arremata versões de estúdio das aceleradas favoritas dos shows "You´ve Done Nothing" e "Pastel". Uma curtida retrô de "Don´t Turn Away" vai colocar novos ouvintes em algo que os aficcionados velha guarda do Face to Face já conheciam desde o lançamento do disco em 1992: desde o primeiro momento, Trevor Keith e companhia tinham os instintos para ao mesmo tempo reafirmar e transformar o punk. (Soa um pouco exagerado mesmo)
A classic!

A banda Billy Talent pegou sua curiosa denominação de um personagem do rockumentário ficcional e cômico de 1996 chamado "Hard Core Logo", o qual traçou as contínuas aventuras de uma banda punk envelhecida de Vancouver. A referência é provavelmente mais ressonante na base de origem do Talent, Toronto. Em qualquer outro lugar, fica um pouco estranho. Por sorte, o quarteto que dá nome ao lançamento pela Atlantic batalhou com afinco em fazer a música importar mais do que qualquer releitura ou revivescimento estilizado de um gênero. Por musculares, implacáveis e cruelmente cativantes 40 minutos, a banda atinge o cerdoso e melódico punk do Buzzcocks enquanto trabalha as dinâmicas de vocais duplos do Fugazi, costurando precisas quebras de guitarra em seus próprios hinos de três minutos. A influência de Buzzcocks é evidente e imediata. De fato, o Billy Talent convenientemente abriu em várias datas da turnê de reunião em 2003 dos veteranos. Assim como, o Talent se beneficiou da produção que trabalhou os refrões ao máximo em um pugilismo sônico. Mas enquanto Benjamin Kowalewicz berra e se esgoela nota-se que carrega algo da boca do interiorano e até melodramático Raine Maida do Our Lady Peace, suas letras pegajosas são ao mesmo tempo ásperas, e seu braço direito o guitarrista Ian D´Sa prefere tons mais tensos e angulares, ao invés da enorme compressão usada pelas bandas "punk de butique" que proliferaram na virada do século. "Try Honesty" e "This Is How It Goes" certamente possuem refrões pegajosos. Mas na última citada "Hold my breath until my heart explodes" é mais sombria do que qualquer tentativa banguela de desafiar autoridade do Good Charlotte. Não existem passagens hip hop ou power baladinhas aqui. "Living in the Shadows" e "Line & Sinker" são atos post-hardcore em petardos borbulhantes às raias do básico, mas reconstruídas com melodia. "The Ex" parece ser o mais direto revivalismo de dois minutos e meio de punk no Billy Talent. Mas mesmo sendo uma daquelas letras adolescentes de corno revolts os caras colocaram uma forte energia difícil de se falsificar. Acabou que o disco foi mega sucesso, não seria por menos.
Entertaining album.

Max Raptor - Portraits


Se é power pop post-punk com um toque contemporâneo que você procura, então não precisa olhar além do mini album de estréia "Portraits" da banda baseada em Midlands, Max Raptor.
Desde a primeira "The King is Dead" o som está cheio rock guiado por guitarras pegajosas. Na faixa 2 "The Great and the Good" é de se pensar, sim, uma banda com algo novo a dizer. É legal ver bandas que refletem seus tempos. Nos meus tempos de VHS e zines trocados pelo correio, havia bandas cheias de raiva assim.
A faixa 3 "Beasts", poderia ser um single de sucesso se tivesse divulgação no rádio. A faixa 4 "Obey the Whips" não fraqueja e parece um Dave Grohl da era Foo Fighters de quando eles ainda eram bons. Em "Carolina" fica claro que estava a uma aparição no Later With Jools Holland de estourar para valer. "Patron Saint (Of Nothing)" parece uma favorita de festival de verão.
No geral tem uma mistura de Killing Joke, The Clash e Red Lorry Yellow Lorry. Max Raptor tem aquela atitude british punk o que faz sem preguiça e ao contrário de outros grupos, de uma maneira sem parecer falso. Eles tem tocado ao vivo por anos anos e parece que acabaram colhendo frutos. Em "Portraits" o produtor Dan Weller captura a distinta energia da banda tocando ao vivo, como deveria ser.
Vale uma conferida.
Good debut.

The Darkness - Permission to Land


Como muitos hard-rock saudosistas daquele tempo, este quarteto estava imerso numa pegada de AC/DC e Queen antigo. Mas o Darkness tinha uma arma secreta: o vocalista desvairado de lycra Justin Hawkins, um homem sem medo de perpetrar falsettos à la Tiny Tim em cada música de seu album de estréia. Não se engane, o cara não está zoando. Músicas como "Get Your Hands Off My Woman" e "Givin´ Up" apresentam riffs de força industrial, vigorosos solos de guitarra com hammer-on e uma seção rítmica expressiva. Baladas como "Love Is Only a Feeling" são tocadas com tamanho gosto jamais sonhado por bandas de metal parodistas como Satanicide e Massacration. "Permission to Land" é um dos poucos albuns de retro-metal que merecem mais que uma risadinha momentânea. O hard rock oitentista reviveu por uns tempos neste album.
Hilarious but not a joke.

dark vfo perm hahfk


Airbourne - No Guts. No Glory


Neste segundo album, esses rockeiros doidos australianos estão exatamente um traje escolar de distância de serem uma banda cover de AC/DC. O homem de frente Joel O´Keefe aperfeiçoou os grunhidos de Bon Scott e os sons emulam perfeitamente nas guitarras os riffs de boogie-woogie backbeats do AC/DC. Como se não fosse o bastante, as letras ("As long as you're alive and we're alive / Rock'n'roll will never die!") e os títulos das músicas ("Born To Kill," "Overdrive," "Back On The Bottle") também possuem aquele sentido de "já não ouvi isso antes em algum lugar?". Originalidade à parte, mas chega a ser meio forçado.
No final das contas, tenho que admitir. Em tempos de rock maricota este disco veio para dar uma boa dose de testosterona antes que ficássemos todos andrógenos e ovulantes afins.
Great young band.



Asian Dub Foundation - Punkara [Japan Release]


Pelos tempos do auge do Asian Dub Foundation no final dos anos 90, tornou-se um cliché os enaltecerem como o que o Reino Unido tinha de mais perto de um Clash ou Sex Pistols moderno, carregando a tocha da rebeldia punk. Uma coisa preguiçosa de certa maneira. A idéia de qualquer música que vestisse a roupagem política dos idos de 77 (e todo o resto) parecia conservadora por si mesma. Uma tentativa de acorrentar uma banda que foi feita para quebrar qualquer corrente que encontrasse. É um tanto desapontador reportar, então, que uma década depois de seu album incendiário de sucesso, "Rafi´s Revenge" de 1998, o ADF retornou com um album entitulado "Punkara", um amálgama de punk e Bhangra, que soa como um gênero preparado por um jornalista em seu intervalo de almoço.
Descrito pela banda como "um passo além dos sons de baladas" em favor de um som mais pesado e ska-punk/rap-rock, "Punkara" inicialmente desapontou: francamente é um pouco de Limp Bizkit, porém com batidas mais rápidas, e com letras tendendo para o polêmico com o jogo de palavras espertinho que as banda de nu-metal adoram (vide "Altered Statesmen", sobre líderes mundiais e suas predileções por refrescos químicos).
Ainda assim, equanto que o formato geral de "Punkara" não pareça nada revolucionário, contém alguma diversão incendiária para se curtir. Um cover de "No Fun" com Iggy Pop nos vocais poderia ser um daqueles momentos "e daí?", mas o ADF recria a faixa com marcantes tambores asiáticos, flautas evidentes e para seus créditos Iggy não parece se importar nem um pouco. Destaque do album, "Speed of Light", enquanto mistura cordas de Bhangra, vocais etéreos femininos e tempos galopantes de drum ´n´ bass com um efeito genuinamente inspirador. Não é o melhor disco deles, mas o fato do Asian Dub Foundation ainda estar lutando foi reconfortante por si só.
Youthful and creative.


George Clinton - Computer Games [Vinyl LP]


Seguindo a dissolução de seu império do Parliament Funkadelic, que ruiu entre 1980-81 depois de um revés criativo e comercial, George Clinton reemergiu em 1982 na Capitol Records como artista solo. "Computer Games", sua estréia solo, é na verdade solo só no papel, uma vez que, o album apresenta no grosso vários músicos do P-Funk com os quais Clinton colaborou nos anos anteriores, mais notavelmente Bootsy Collins, Gary Shider, Fred Wesley e Walter "Junie" Morrison. Como sempre, Clinton fica em evidência o tempo todo em "Computer Games", e suas performances vocais são malucas e charmosas como sempre, especialmente nos dois singles de sucesso, "Atomic Dog" e "Loopzilla". De um ponto de vista musical, há uma pesada ênfase aqui em sintetizadores e baterias eltrônicas, consideravelmente maior do que em qualquer trabalho anterior do P-Funk. Parcialmente por causa da época, por ser começo dos 80, e também pelo menor leque de músicos à disposição na época. Seja qual for a razão, "Computer Games" marca uma guinada do passado de Clinton de várias maneiras, e mesmo que tenha sido um renascimento de sucesso, com "Atomic Dog" encabeçando as paradas de R&B e eventualmente tornando-se imortalizada por artistas de hip-hop pós-modernos, em um golpe do destino este esforço solo também marca o zênite de sua carreia solo, ao passo que ele vai progressivamente tropeçando criativamente nos anos subsequentes.
Supah funky!!!

Paris - The Devil Made Me Do It


Uma ouvida no "The Devil Made Me Do It" faz você pensar se Paris gravou o album em um buraco, ou um bunker gelado. Ou pelo menos o depósito abandonado em que ele e sua banca marcham através durante seus videos. Assim como os primeiros Public Enemy (uma inspiração básica) e os dois discos do X-Clan, os melhores momentos do disco de estréia de Paris trabalham em dois níveis. Muitas dessas faixas possuem grooves sombrios no meio delas, construídas em batidas excelentemente programadas e garras afiadas ao invés de refrões. Além disso, o grau de instrução de Paris e rimas venenosas que são embasadas em temas pro-black. Em um mar de rappers afrocêntricos do começo dos anos 90, Paris foi um dos mais distintos e talentosos em seu estilo, sua voz era cheia de raiva e tensa o suficiente para causar agonia em qualquer desavisado. Mesmo com as faixas apimentadas por samples de Chuck D, Panteras Negras e Malcom X, Paris não fica por baixo em nenhum momento. Faixas afiadas como "Break the Grip of Shame",  "The Hate That Hate Made", "The Devil Made Me Do It", e "Wretched" dizendo ("Mindless music for the masses makes ya think less of the one that hates ya") proporcionam uma audição prazerosa, porém tão parado no tempo hoje em dia quanto qualquer album hedonista e provocativo de gangsta rap.
Sick lyricist!


O EP está tão vivo hoje em dia quanto o 8 track e o 7" single: claro, você verá um de vez em quando, mas a maioria das vezes, as pessoas vão pegar e dizer, "Porra só cinco músicas? Foda-se", e colocam de volta na prateleira. O porquê delas fazerem isso quando na maioria dos albuns é sorte encontrar 5 músicas decentes por mais ou menos 16 dólares é incompreensível, mas este EP, juntamente com "This is an EP Release" do Digital Underground tamém lançado na mesma época, trouxeram o interesse da galera hip hop de volta para o formato moribundo. Mesmo não sendo tão longo, a intenção é fazer você gostar, saciá-lo enquanto o album completo não sai, e neste caso, sendo um trampo por si só, mesmo que mais curto do que o normal.
Mc Ren largou "Kizz My Black Azz" logo na cola de seu multi platina direto do topo das paradas "Niggaz4Life". Foi um choque naqueles tempos, que um album tão violento e tão gangsta fodão como o "niggaz..." chegasse no topo das paradas. Agora o DMX peida no bumbo e late para você e vai para o #1 na primeira semana, mas não irei fugir do assunto mais.
Naquele tempo, Cube tava pirado. Eazy todo mundo sabia o que rolava. Cacete, até o Dre começou a rimar mas Ren, amplamente conhecido como o verdadeiro MC no bando, ainda tinha que largar algo solo, então o EP veio como uma benção para as cabeças que imaginavam se Ren poderia mandar algo fodástico sozinho.
E pode crer que ele fez, mas honestamente, ele não é a melhor coisa neste EP, Bobcat é. A produção dele (ele trabalhou para LL, também) brilha muito neste disco. Camadas de samples no estilo "Paul´s Boutique", baixão bem temperado e batidas bem loucas providenciam um belo plano de fundo sonoro para a inconfundível voz de Ren mandar suas rimas. Porra, a segunda melhor música no EP é a instrumental de Bobcat "Intro: Check it Out Y´All", uma batida funkeada bem louca que roda uns cortes juntos de vocais do Ren no fundo como se ele quisesse dizer aquelas palavras. De quebra uns turntables cheios de manha, uns samples doidos e barulhos que lembram a produção daqueles tempos do Bomb Squad, mas com seu próprio tempero da costa oeste (o baixo é mais profundo e a batida é mais lenta).
Mas não quer dizer que Ren ficou só atrás do groove. Ele não seria o The Villain se fizesse isso. Na batida rápida da faixa título, ele cospe fogo em algumas (ele não diz os nomes) pessoas na indústria, também nos bastardos invejosos. Em retrospectiva, algumas de suas bravatas parecem um pouco malucas ("I'm tired of rappers with live instruments on the stage/save the shit for parades") mas isso tudo acontece quando você está escutando um lance de 1992.
"Final Frontier" é embalada por por uma batida encorpada e empolgante, que incorpora "The Bridge Is Over" e é ancorada por um refrão fodão pegajoso. E se me lembro bem, o refrão tornou-se uma camiseta, na real. Para dizer a verdade, a música é basicamente daquelas para animar a festa, porém pervertida e sujona. Onde você poderia ter "the girl looked fine, I stepped to her" e variações do gênero, você tem ao invés "It's just hardcore niggaz actin crazy on the stage/wearin gangsta clothes, yo, and spittin on the hoes" .
"Hounddogz" é legalzinha, nada especial, e "Right Up My Alley" é uma do jeito de Ren que a moçada já estava acostumada com o N.W.A., mas parada mais louca, a mais louca pela qual você deveria comprar o album, é "Behind The Scenes". Uma história bem doida rimada, que passa dos limites uma ou duas vezes talvez (porra, o último verso fala de orgia em família) é queira ou não uma loucuragem fodástica. A batida é definitivamente diferentona, a montagem no final é uma perfeição depravada ("DJ Train incessantemente jogando "She like suckin on DICK" "She Swallowed it" do N.W.A.) e a narração rimada de Ren brilha.
De qualquer forma o EP não tem enrolação. Direto na lata meia dúzia de sons bem loucos. Definitivamente melhor que um LP cheio de merdas no meio.
West Coast Classic!



ren my vfo azzzzo n.