High on Fire - Blessed Black Wings


Para alguns fãs, a notícia de que Steve Albini tinha sido indicado para produzir o terceiro album do High on Fire foi motivo de grandes preocupações por vários motivos. A maior delas, o renomado produtor de rock alternativo tem uma notoriedade em deixar os sons das guitarras ultra comprimidos. O que parecia ser um grande contra com a arma mais letal do trio da California: a riffagem estrondosa do guitarrista e homem de frente Matt Pike. Felizmente, tais temores provaram-se injustificados quando o resultado final, "Blessed Black Wings" de 2005, apareceu esbofeteando com um heavy metal galopante com cada nível de volume e distorção do famoso album anterior, "Surrounded by Thieves". Até então tudo bem mas a pergunta que não queria calar tornou-se então: "Os dois albuns são muito parecidos?" Esteticamente, a resposta mais acertada seria sim, sendo que a seção rítmica do High on Fire (agora com a participação do novo baixista Joe Preston, juntando-se ao baterista de longa data Des Kensel) continua moendo seus ritmos, e a supremacia nas seis cordas de Pike continua imperando, seus solos continuam prostrando-se perante o massacre neolítico de power chords com suas paletadas. Faixas como "Devilution", "Cometh Down Hessian" e "Silver Back" são cospe fogo, porradarias semi-thrash. O metal velha guarda retumbando na faixa título e a última instrumental "Sons of Thunder" são claramente reverenciais ao amado de Pike, Celtic Frost. O impressionante colosso de power chords "Brother in the Wind", de arrancar pele da ponta dos dedos, facilmente qualifica-se como ponto alto da carreira da banda tão quanto qualquer coisa de seu predecessor "Surrounded by Thieves". De fato, "Blessed Black Wings" poderia ter usado mais apelo épico de seu predecessor, porém tem algumas nuances diferentes do usual da banda como as passagens mais limpas e semi grunges em "The Face of Oblivion" e na já tocada ao vivo na época "To Cross the Bridge", alguns elementos punks obscuros nos riffs apertados de "Anointing of Seer", tudo isso prova uma sutil inovação. Em outras palavras, o grosso de "Blessed Black Wings" segue a mesma fórmula que provou-se bem sucedida para o High on Fire anteriormente. Talvez até um problema para o futuro, mas dificilmente uma coisa ruim sendo que o ponto de origem foi algo que deu muito certo. E a verdade é que, poucas bandas seriam capazes de atingir um heavy metal tão visceral e ainda assim moderno, mesmo em seus momentos mais insiprados.
Accessible straight to the point metal.

Mastodon - Blood Mountain


O metal em excesso voltou: como prova principal veio "Blood Mountain" após a grande façanha de 2004, "Leviathan", que pegou "Moby Dick" de Herman Melville e repaginou-o em uma canção de marinheiros infernal dos mares profundos. A banda de Atlanta consiste de quatro caras que parecem mecânicos tatuados, mas soam como se usassem capas e cuspissem fogo. "Blood Mountain" transforma embromações de auto-ajuda sobre superar grandes obstáculos em uma jornada fascinante de ficção através de uma terra infestada de bestas ou feras, incluindo um ciclope ("Circle Cysquatch"), guerreiros do povo árvore ("Colony of Birchmen") e algum tipo de gigante adormecido. Por baixo de todo esse sangue e trovão medievais existem na verdade tonalidades transbordantes com riffs à la montanha russa ("Bladecatcher" merece uma indicação para o Air Guitar Hall of Fame), sensações de estar perdido em catacumbas ("Sleeping Giant") e traçantes ofuscantes de brilho estelar acústico ("Pendulous Skin"). Melodia interessa tanto quanto porradaria, e as traiçoeiras mudanças de tempo são conduzidas brilhantemente pelo baterista Brann Dailor, que transforma "Capillarian Crest" em uma estonteante perseguição através de uma nevasca. Sim, algumas vezes mais é melhor.
Brutal yet beautiful.

Dying Fetus - War of Attrition


O lançamento de 2007 do Dying Fetus, "War of Attrition" continuou no mesmo caminho de metal extremo que eles seguiram através da carreira toda. Em outras palavras, letras indecifráveis (mas fica fácil deduzir que são malvadonas), bateria precisa no metrônomo e riffs técnicos agressivos sem parar. O album veio com uma formação completamente reformulada, exceto pelo vocalista principal e guitarra John Gallagher. A banda continuou uma máquina afiada de metal. Tanto que em certos pontos, parece que são máquinas mesmo tocando para eles, especialmente em faixas como "Fate of the Condemned" e "Insidious Repression". Este sexto lançamento da banda é basicamente um death metal tocado com precisão extrema, ponto final.
Intense death metal.


Com suas composições intrincadas de dar nó na cabeça e aquela ferocidade urbana, o primeiro album do Suffocation, "Effigy of the Forgotten", deu um verdadeiro modelo para o death metal dos anos 90. Então a expectativa para o album seguinte estava bem elevada. O pior aconteceu com este album de 1993, que foi duramente criticados pelos fãs e mídia por vários motivos, desde sua curta duração até a repetição da mesma fórmula de seu predecessor (um pouco injusto pois o som continuou mais complexo aqui), e talvez a crítica mais justa seria a mixagem final bem porca que carece das linhas de grave do "Effigy". Sem dúvida as navalhadas acústicas de "Beginning of Sorrow", "Anomalistic Offerings" e a faixa título perderam todo seu fio, enquanto faixas secundárias como "Marital Decimation" e "Ornaments of Decrepancy" caíram em um embolado marasmo death metal. A performance da banda certamente não perdeu a intensidade, com os guitarristas Doug Cerrito e Terrance Hobbs e suas guitarras hiperativas e técnicas (mesmo que algo tenha se perdido na cocofonia geral), o baterista Mike Smith moendo com seus blastbeats manuais e o monstrinho da bolacha Frank Mullen urrando ininteligivel porém convincente, como esperado. Dito isso tudo, ninguém irá negar que "Breeding the Spawn" falhou em pegar a tocha acendida pelo seu predecessor, porém não mancha seu legado, e mesmo assim seria recomendado para qualquer fã de carteirinha da banda.
Terrible production.

Autopsy - The Tomb Within


"The Tomb Within" poderia ser considerado um retorno estilístico à velha forma da banda, e provavelmente o melhor deles desde "Mental Funeral", porque o que seguiu o clássico de 91 foi uma lenta transição para o que se tornou o Abscess, uma banda que não valia muito a pena dar atenção. O que pode-se esperar aqui em uma primeira audição é um par de clássicos death metal, no mínimo. Bem melhor que as tentativas de volta à velha forma do Helmet por exemplo.
Preto no branco, "The Tomb Within" é um EP sólido mas longe de alguém poder dizer que realmente seja um retorno à velha forma. O Autopsy volta a gravar sons mais longos que dois minutos, e mais uma escrevendo músicas de death metal direto ao ponto, porém através dos 20 minutos de duração do album fica claro que alto está faltando. "The Tomb Within" não tem aquele fedorzinho de podridão que definiu seus melhores trabalhos. Sem dúvida esses cinco sons foram um passo na direção certa, e a energia e virilidade da faixa de abertura mostra que eles ainda têm a manha de tocar o gênero que eles ajudaram a fundar, porém com exceção de "Mutant Village" o EP todo parece feito às pressas ou nas coxas. "Seven Skulls" soa como uma barulheira desorganizada e "My Corpse Shall Rise" não passa de alguns bons riffs passando por transições mal feitas. Até "Human Genocide", uma faixa que a banda demorou quase 23 anos para aperfeiçoar, parece inacabada.
Nenhuma música do disco é realmente ruim porém no todo acaba sendo um daqueles que ficarão empoirados na prateleira. Outro aspecto presente são os vocais de Reifert que parecem ter perdido força.
No geral "The Tomb Within" é um esforço no caminho do que veio a se tornar "Macabre Eternal", nada mais.
A little taste of death.

Entombed - Serpent Saints: The Ten Amendments


"Serpent Saints" é o primeiro album do Entombed em quatro longos anos, e ainda assim incrivelmente parecido com seu predecessor, "Inferno" de 2003, não somente em termos de som mais também de estilo, como se tivesse sido gravado na mesma sessão de estúdio. Na verdade, todos os albuns de estúdio do Entombed dos anos 2000 ( "Uprising" de 2000, "Morning Star" de 2002, "Inferno" de 2003, e até mesmo o album ao vivo "Unreal Estate" de 2005) são incrivelmente similares, ao contrário dos albuns dos anos 90, que são bem diversos. A consistência do Entombed mais recente é uma faca de dois gumes: por um lado, é uma consistência bem vinda, sendo que os fãs podem saber o que esperar de cada lançamento; por outro lado, os fãs ficam menos inclinados a comprar todos os lançamentos, sendo eles uma mesmice em vários aspectos. Ainda bem que qualidade é um dos aspectos presentes nesses últimos albuns. Os veteranos suecos, que estreiaram em 1990 na Earache Records com o marco do death metal "Left Hand Path", têm um firme comando sobre seus talentos. O vocalista L.G. Petrov permanece vociferante após todos esses anos, enquanto os puristas do death metal possam sentir falta do gutural que tornou-se marca registrada desse estilo de música, é até legal conseguir compreender tudo o que está sendo cantado palavra por palavra, apesar das letras serem sérias e obscuras e até bem escritas algumas vezes, o resultado final é um blá blá blá cheio de negatividade. As dez músicas são creditadas à todos os quatro integrantes (Petrov, Alex Hellid, Nico Elgstrand e Olle Dahlstedt), e o resultado de fato parece um esforço em grupo. Novamente, fica evidente que esses caras se acomodaram em uma fórmula repetida. Desenvolveram um estilo que serve bem para seus propósitos; longe de ser inovador, acaba sendo não menos potente e satisfatório para qualquer um que curta metal pesado direto na veia livre de teatrinhos black metal, pompa e pretensão. Os 41 minutos parecem pouco, porém até satisfatórios. Começando com duas boas músicas, "Serpent Saints" e "Masters of Death", a segunda com participação especial de Killjoy do Necrophagist nos backings, há pouca enrolação e a banda vai direto ao ponto. Metal na veia como sempre. "Serpent Saints" acaba sendo um album para os fãs costumazes da banda, nada de novo.
New and old.

Meshuggah - Nothing


No reino do metal, poucas bandas são tão peculiares e técnicas quanto o Meshuggah. Esses suecos fazem música para descontrutivistas clinicamente doentes, coisa de louco mesmo. "Nothing", o quarto petardo deles, somente cimenta seus lugares como criadores do metal cósmico calculado. Podem chamar de Einstein metal se quiserem. O que ainda lhes dá um crédito extra é que eles são os únicos nesse "sub-sub gênero". Quando círculos de riffs bizarros, vocais de robóticos da morte, cromas neo-jazzísticos e composições musicais matemáticas são a arma principal, é fácil se colocar em um canto criativo. Para onde o Meshuggah poderia ir após a porrada de "Destroy Erase Improve" e logo após com o sufocante e violento "Chaosphere"? Bem, eles ficaram mais pesados ainda. Os guitarristas Marten Hagstrom e Fredrik Thordendal usaram guitarras de oito cordas para dar um grave extra para o que já era pesado, e umas pitadas de dissonâncias. O apropriadamente entitulado "Nothing" mostra arranjos mais esparsos, o tempo e a cadência colidem até que o som entre um buraco negro sonoro consumindo-se (por exemplo "Glints Collide" e a mais de sete minutos "Close Eye Visual"). Desse buraco negro, a luz rebate em "Nothing", o tema do album baseado no existencialismo e no trauma psíquico que causa na mente. O exercício cerebral continua, através de "Straws Pulled at Random", "Spasm" e a paisagem lunar arrepiante de "Obsidian", todas sendo anti melódicas, de ranger o dentes em regiões matemáticas opacas, importando um pouco da psicodelia do Tool com Death e até Gang of Four. "Nothing" dá um novo significado para a palavra pesado, empurrando o metal para as fronteiras da ciência abstrata. Para aqueles sortudos o suficiente para viajar no som do album, como toda boa arte, irá fazer cócegas em seus subconscientes conectando o interno (mente) e o externo (espaço). Novas fronteiras se abrem. Pena que poucas bandas arriscam tanto quanto eles.
Antidote for generic metal.


Scarve - Irradiant


Uma das bandas mais talentosas e ferozes da França. Se qualquer desavisado se der ao trabalho de procurar, irá encontrar um número surpreendente de bandas pesadas de ponta pelo país de Napoleon, bandas como Gojira e similares. O Scarve de Nancy chegou no seu melhor com este terceiro album, "Irradiant" de 2004. De fato, se o album tivesse alguma falha evidente, seria ter assimilado muitas vertentes extremas no seu espectro sonoro, mas desde quando isso é uma coisa ruim? Pelo menos até quando o artista em questão souber dizer "quando". O Scarve tem um pé bem fincado no prog metal o que fica facilmente reconhecível em "Hyper Conscience" e "The Perfect Disaster", o que faz o album necessitar uma audição mais atenta.
Tudo isso faz de "Irradiant" um album bem maduro e de mente aberta. Nada aqui é impossivelmente complexo porém muito bem composto e arquitetado. Passagens melódicas bem inseridas com porradarias bem equilibradas.
Solid album.

Aniversário de 2 anos do blog!!!


Isso mesmo pessoal, agora após mais de 90000 visitas (no niver de 1 ano estávamos na marca dos 30000) comemoramos 2 anos de blog (atrasados pois a data foi no começo do mês).
A proposta não mudou e a resistência continua, apesar da caça às bruxas que anda acontecendo especialmente com os hosts. Continuamos dizendo "fuck the majors".
Não posso deixar de mencionar e agradecer o Mimi que sempre apoiou o blog e é parte disso tudo tanto quanto eu.
Amigos Bobster metro stud, Murer (rulivi), Mark presidiário do kct e loko.
Enfim, obrigado a todos.

Algumas palavrinhas sobre SOPA e PIPA.


A coisa está realmente feia. Este mesmo post que estou editando aqui já foi censurado anteriormente, porém continha um texto extensivo e com um conteúdo mais pesado. Por isso vou ser breve. Talvez decidam tirá-lo do ar também.
Que fique um alerta para a molecada sem cérebro que prefere cruzar os braços. Impotentes são os covardes que se calam, votam nos mesmos, vão trabalhar no outro dia e não mudam nada. Ok "bando de moleque besta"? Agora vão se masturbar e comer caramelos, conformistas e escravos do consumo. A vida é muito mais do que seus inferninhos familiares e diplomas universitários da indústria do papel timbrado.
Por aqui a guerra está apenas começando. Eu disse GUERRA!

Yyrkoon - Oniric Transition


Mais um album de metal francês nada tradicional.
Yyrkoon mudou muito durante os anos, este album é a sua estréia, também o mais distinto de toda sua discografia. Um album muito estranho, o que também pode se dizer da banda.
"Oniric Transition" é uma viagem com mudanças abruptas. Do black metal feroz para flautas, gothic rock para o mais denso rock progressivo. E assim vai...
O album segue uma fórmula batida na época, que outras bandas como Dimmu Borgir, Borknagar e Cradle of Filth também seguiram. Fórmula já bem batida em 2012, o que atualmente dá um certo saudosismo.
Em geral o album é bem decente, assim como a banda. Vale uma conferida para quem ainda não conhecia. Para o resto é um som datado e é recomendado apenas para colecionadores e fãs da banda.
A trip.

Soilwork - The Panic Broadcast [Limited Box Edition]


"The Panic Broadcast" não foi somente um lançamento crucial para o Soilwork, foi também o album que definiu o que a banda se tornou. As raízes de death metal melódico são agora nada mais que fragmentos espelhados pelos riffs e solos de guitarra, tendo alguma influência sobre a direção da música, mas para todos os efeitos deixadas para trás, até que enfim. Ao invés, o album começa com "Late for the Kill, Early for the Slaughter", uma adaptação bastarda demetal alternativo, nu-metal, death metal melódico e até mesmo thrash, enquanto isso tudo permanece por bem ou por mal até o fim do disco. Baseados fortemente em passagens pegajosas e refrões cantadinhos em coro seguem uma fórmula previsível do metal moderno com passagens de vocais limpos e padrões pesadões nos versos também. Isso soa ruim mesmo, especialmente considerando que "Late for the Kill, Early for the Saughter" é uma das músicas mais fracas do album, e foi colocada por razões obscuras como faixa de abertura. Entretanto, isso pinta um quadro borrado e injusto do album, escondendo o quão sólidas algumas faixas de "The Panic Broadcast" são.
Os vocais limpos e o solo de guitarra ressonante em "The Thrill" são um bom exemplo do porquê do sucesso de "The Panic Broadcast". Seu valor de "hit" é massivo. Não é música para ser levada tão seriamente, mas para ser ouvida ocasionalmente, e é justamente aqui que o valor do album realmente aparece. Os vocais de Strid, realmente, não chegam nem perto da perfeição. Seus guturais não são profundos nem brutais, mas sim são pseudo-gritos que encaixam-se bem ao passo das músicas. Junte isso com guitarrinhas mais brandas que saem bem do death melódico de Gothenburg, e você tem uma receita para uma audição cativante que não se leva tão a sério ou tenta aventurar-se por lugares pelos quais não deveria. De fato, qualquer um familiar com o estilo do Soilwork não sentirá muita diferença no som em geral, mas sim a mudança será notada na qualidade das músicas. O coração do album contém faixa após faixa do melhor material produzido pelo Soilwork em sete ou oito anos, e realmente, o que mais alguém poderia querer aqui?
A vazada acústica no final de "King of the Threshold" desliza lindamente para "diferentona" "Let This River Flow", uma faixa que leva o ouvinte com as guitarras que dobram-se sobre si em um movimento não usual no som da banda que define o fator crucial do sucesso de "The Panic Broadcast". O brilhante porém não exagerado instrumental juntamente com a letra muito bem escrita, fazem as pequenas escorregadas dos vocais de Strid não terem importâcia alguma e até nem serem notadas. Não é um album para puristas, já fica o aviso, mas se o ouvinte não ligar para a fórmula que já foi feita anteriormente, e nem para essas transições de vocais gritados para limpos nas músicas, então não há com o que se procupar aqui. As poucas músicas que são realmente ruins aqui são logo esquecidas com a sucessão de bons sons no decorrer do album. Parece que o Soilwork está numa ascendente pelos próximos anos pelo que se pode notar em "The Panic Broadcast".
A mixed bag here.

Strapping Young Lad - Strapping Young Lad


Townsend antes de lançar este auto-intitulado disse que a inspiração por detrás do album veio do horror ao redor dos eventos do 9/11,  dizendo veementemente mais tarde  "This is, without question, war music." Enquanto a música certamente soa como um Armageddon, as letras são de fato raivosas, diatribes incrédulas não só contra a futilidade da guerra, mas estupro, hipocrisia e ódio. O senso de humor de Townsend aparece aqui e ali, particularmente em "Dirt Pride" ("dripping...gigbutt; dirt pride...my pride; dripping...bunksock"), que sem ler o encarte não dá para entender nada. As paisagens apocalípticas do death metal de Strapping Yound Lad são equivalentes a estilhaços infinitos, pragas de gafanhotos ou a terra engolindo a si mesma. Enquanto isso, as cortinas de teclados etéreas e cantos melódicos ocasionais somente aumentam a intensidade bíblica. Um disco não para os fracos.
Relentless!

Fear Factory - Soul of a New Machine [Remastered] Disc 2


Este é o digipak remasterizado lançado pela Roadrunner em 2004 que contém também o EP remix "Fear Is the Mindkiller" que saiu um ano depois e também não deixa de ser inovador para a época.
Neste CD a coisa muda bastante, são 30 minutos, algo maior que um EP porém menor que um album. Bill Leeb e Rhys Fulber do Front Line Assembly pegam quatro sons do "Soul of a New Machine" ("Martyr", "Self Immolation", "Scapegoat" e "Scumgrief") e dão uma remixada bem para o lado do industrial. Eles não remixaram para rádio comercial e nem nos extremos da monotonia estilo Front 242, deixaram a base da música intacta extendendo somente os efeitos industriais (ambientes, samples e batidas digitais) adicionando camadas de efeitos. Também colocaram vários loops de vocais estilo techno na veia de Godflesh. 
Resultou em um daqueles "ame ou odeie".


"Soul of a New Machine" inovou na era dos anos 90 do metal alternativo, mesmo que poucos tenham notado isso na época. Fear Factory estava um pouco à frente de seu tempo em 1992, o ano em que a Roadrunner Records lançou "Soul of a New Machine", o album de estréia deles (entretanto tecnicamente não o primeiro, porque depois foi desenterrado o album demo "Concrete" produzido por Ross Robinson). A banda não encaixava-se bem em nenhum campo do metal da época: thrash metal (Slayer, Sepultura), crossover metal (D.R.I., S.O.D.), industrial metal (Ministry, Nine Inch Nails, Godflesh), death metal (Death, Obituary), grindcore (Napalm Death, Brutal Truth) e assim por diante. Somente esse fato já fazia do Fear Factory uma anomalia no mercado do metal da época. A Roadrunner lhes deu uma chance apostando mais na promessa do que nos resultados imediatos, e acertou em cheio. Um dos melhores produtores de death metal da época, Colin Richardson, voou da Inglaterra para Los Angeles (alguns dias após aquelas revoltas terem virado a cidade de pernas para o ar), e por duas semanas produziu o que tornou-se um marco na história do metal.
O que tornou "Soul of a New Machine" tão importante foi o fato do disco ter fundido numerosos aspectos de vários sub-gêneros: a pegada do thrash, as melodias raivosas do crossover thrash, o sincopismo da batida industrial, o grave embolado do death metal e a porradaria do grindcore. O mais importante foi que livraram-se da parte genérica característica desses sub-gêneros, resultando em um som único que não ficou cliché (apesar de ter virado alguns anos mais tarde). Na verdade, "Soul of a New Machine" não é o melhor album deles, nem perto, e também não abalou as estruturas da músicas na época. Entretanto, poucos anos mais tarde, quando a banda lançou "Demanufacture" em 1995, havia uma miríada de bandas misturando equacionando diferentes fórmulas metálicas, o que veio a se tornar o metal alternativo. "Soul of a New Machine" serve para entender de onde muita coisa nasceu, além de que se o ouvinte estiver apenas procurando mais um bom disco de metal, este também serve.
Continua no disco 2...

Benighted - Identisick


Quando Benighted lançou "Insane Cephalic Production" em 2004, a banda foi bastante comentada e o album foi elevado a um dos mais inovadores que o death metal francês produziu em anos. O album ainda é bem legal mas já não é mais impressionante após esses anos, devido a algumas bagunças na escrita das músicas. A banda parecia querer ir em uma dúzia de direções ao mesmo tempo, com a consequência de atigiram várias idéias porém sem desenvolver nenhuma delas. Neste album eles mataram todos os problemas que atrapalharam "Insane Cephalic Production" e o resultado saiu perfeito. Talvez o mais impressionante album que o death metal francês jamais produziu.
O som da banda é extremamente violento sendo que sua base é um death metal brutal beirando o grind, mas desta vez eles injetaram uma boa dose de groove e riffs melódicos na porradaria. Conseguiram esse feito sem melar a música. Estranhamente, "Identisick" é o trabalho mais melódico porém mais brutal deles até então. Ok, não é um som acessível para qualquer um, estamos falando de extremo dos extremos aqui, porém não é como a grande maioria dos albuns de brutal death que enjoam em pouco tempo. A razão é que quando você pensa que ouviu tudo, que o mesmo padrão será repetido várias vezes, Benighted surpreende jogando um tipo de samba/jazz louco em "Sex-Addicted", um solo de speed metal em "Identisick", uma música puramente melodeath em "Iscarioth" ou um quase irreconhecível cover da clássica do Napalm Death "Suffer the Children".
Não poderia deixar de dizer algo sobre o som, a bateria é absolutamente insana! Escute o trabalho de batera em "Mourning Affliction" e verá que Fred Fayolle é rápido, brutal e técnico demais. O resto da banda também é excelente mas corre um pouquinho atrás dele.
Agora sobre o fator distintivo do Benighted. O conceito deles sempre foi baseado sobre desordens mentais e usualmente cada música conta a história de um paciente afetado por uma doença dessas em particular. Essas história são contadas sob o ponto de vista do paciente para dar um grau mais fidedigno. O mais incrível é que os vocais enfatizam as letras: o que quero dizer é que Julien Truchan é um grande vocalista de som extremo e trabalhou duro nos vocais para traduzir as desordens mentais através de sua voz. Os vocais são tão variados (contei pelo menos 6 técnicas diferentes de vocais, todas extremas, variando desde guturais até gritos bem agudos) que você quase não acredita que é só um vocalista fazendo todos eles, entretanto ele é ajudado em duas músicas por Leif of Dew-Scented e Kris of Kronos. Ele adiciona muita impressão de loucura, esquizofrenia e demencia para a doideira toda. Um dos melhores vocalistas extremos.
Ao todo este album é único. É viciante, complexo, com um senso de groove e quase perfeito (para não dizer perfeito mesmo para gostos extremos). Um dos melhores albuns de som extremo da década passada com certeza. Novamente, não é para qualquer ouvido, mas se você quiser se aventurar e ser carregado para o sanatório do Benighted embarque nessa viagem.
Benighted is Le best mon ami!